RECEBER AMOR

Bel Cesar começa sua reflexão no artigo dessa semana no site Somos Todos Um com a seguinte questão: Como receber amor?
Segundo ela, colocou esta questão para um líder espiritual em novembro de 2009, quando participava de um encontro. A partir da sua pergunta foi desenvolvido o assunto sobre esta questão tão importante. É algo desejado, buscado e, muitas vezes dificultado pela nossa própria maneira de ler o mundo e a vida nossa e das outras pessoas.
Pergunta da Bel: "Todos nós queremos receber amor. Não temos dúvida disso. Mas, na realidade, temos dificuldade de receber amor, mesmo tendo muita atenção. Parece que isso torna-se cada vez mais difícil. Podemos notar que as crianças e os adolescentes estão cada vez mais carentes. Devido à dificuldade de receber amor, nos tornamos fechados e arrogantes, mesmo sem nos dar conta que desta forma ferimos e afastamos aqueles que nos cercam. Parece que algo profundo em nosso interior está bloqueado. Porque nós recebemos amor, mas não conseguimos assimilá-lo. Será que não conseguimos reconhecê-lo? Como fazer para abrir a nossa mente-coração para receber amor?"

A seguir coloco algumas considerações feitas por Lama Gangchen Rinpoche também complementadas por minhas reflexões: "Essa é uma questão muito importante. Com muito significado e muito útil. Mas, não é bem uma pergunta. É algo que temos que praticar para obter a resposta. Como praticar?

Em primeiro lugar, precisamos aceitar aquilo que nos chega. Sabemos que isso não é fácil, mas precisamos aprender, de um modo geral, a aceitar.
A dificuldade, tanto em dar e como em receber amor, não é um problema da natureza dos pais, das crianças ou dos adolescentes, mas sim de nossa cultura, que busca excessivamente a liberdade sem cultivar a gentileza". Querendo só receber sem se dispor também a oferecer, a pessoa torna-se egoísta, fria, calculista…Só pensando em si, sem considerar o outro, usa as pessoas para tirar vantagens. Assim, fica cada vez mais vazia. 

"A democracia é um sistema excelente. Está OK buscar libertar-se daquilo que nos oprime. O problema é que estamos contaminados por uma cultura de violência, quer dizer por uma educação de violência. Esta não é uma questão apenas dos pais, mas de nossa cultura que usa os cinco sentidos de modo violento. Em geral, nosso modo de olhar é violento. É muito difícil receber algo de quem num certo momento nos olha ou nos olhou de modo negativo. Temos que mudar o modo como usamos nossos lindos olhos. Se olharmos para os outros com gentileza, eles irão receber facilmente o que estivermos lhes oferecendo". Esta educação, este treino gentil de olhar começa bem cedo na nossa vida. Somos atingidos pela forma como as pessoas que estão ao nosso redor se relacionam, nos ensinam, nos tratam, recebem e dão carinho. Também somos influenciados pelos meios de comunicação que hoje estão presentes o tempo todo na nossa vida. As letras das músicas que ouvimos e cantamos, os filmes que assistimos, os desenhos, os comerciais…tudo vai formando uma forma de ver e sentir a si mesmo e os outros. Muitas crianças aprendem desde cedo a tirar vantagens de mentiras e a usar os adultos para fazer o que querem, não importando se aquilo é correto ou não. De tanta tv que assistem passam a sentir mais o mundo da magia e se relacionar com as próprias fantasias que com as pessoas reais. E podem crescer achando que usar os outros inescrupulosamente é a coisa mais normal do mundo. Conclusão: tornam-se pessoas frias, insensíveis, perigosas…. Para receber amor, temos que ir rompendo este modo de olhar e viver. 

"Existem tantas formas de amor, com diferentes níveis e nomes. Com o nosso olhar, podemos tocar as mais diversas formas de amor. Mas nós não costumamos dar atenção a isso. Procurem olhar com amor. Se nosso olhar é negativo, fazemos mal aos nossos próprios olhos. Primeiro, ficamos com dor de cabeça, depois nossos olhos ficam vermelhos e acabamos usando óculos escuros. Na realidade, passamos a usar óculos escuros porque temos vergonha de nosso olhar violento". Ou temos medo de que os outros nos vejam, percebam nossas tristezas, medos, falsidades.

"Precisamos aceitar que precisamos fazer esta mudança. Podemos observar também como não temos dificuldade de receber amor quando alguém nos dá algo com gentileza. Quando os Lamas, os médicos e os terapeutas, oferecem algo com gentileza, vocês recebem sem dificuldade. Portanto, vocês sabem receber!" Quando oferecemos algo, também podemos fazer de forma violenta, impondo o que oferecemos. Aí a pessoa não tem escolha. Não tendo escolha, não há amor. Há um ato de força, de imposição. Essa forma violenta de oferecer algo também é rejeitada.

"Existe a gentileza de dar, assim como a de receber. É preciso que ambos os lados sejam gentis um com o outro. Quando isso ocorre recebemos amor sem dificuldade. Precisamos nos reeducar neste sentido".

"O mesmo ocorre com a maneira como tocamos uns aos outros. O toque violento nos faz sentir muito mal, enquanto que ser tocado com amor nos traz um enorme bem estar". O toque com amor é aquele toque que faz bem a quem toca e a quem é tocado. É um toque que não quer mal ao outro e nem obriga o outro a receber. Por isso, quando se tem sensibilidade, percebe-se quando pode tocar e não se obriga o outro a receber o toque. Quando alguém recebe um toque obrigado, este toque não é de amor. É de egoísmo, de uso da pessoa. Não faz bem. Não aproxima. Afasta.

"Em geral, falamos e escutamos com violência. Por isso, nossa tendência é a de negar e de reagir contra o que os outros nos dizem. Estamos fechados, bloqueados para escutá-los até quando eles têm algo bom para nos dizer, assim como temos dificuldade de passar algo positivo, pois percebemos que os outros não estão receptivos para o que queremos lhes oferecer". E, nesse sentido, a fofoca maldosa normalmente tem mais ouvintes interesse que um comentário elogioso, bondoso.

"Em geral, dizemos: "Sim, sim", mas depois fazemos do jeito que queremos. Nossa mente está fechada. Como estamos bloqueados para os outros, não recebemos seu amor". E também não damos amor.

"O problema está em nossa atitude mental e não em nossos cinco sentidos. Por isso, precisamos observar como nossa mente está se expressando por meio deles.
Então, para praticar receber amor temos que cuidar da maneira como usamos nossos cinco sentidos. Temos tantas meditações e visualizações poderosas com as quais podemos usar mesclar a nossa mente com os nossos sentidos de maneira positiva". A maneira como nos colocamos para ouvir uma boa reflexão ou uma leitura de textos sagrados, influenciam o que assimilamos. Muitas pessoas têm a prática de ler bons livros, ir à igreja e outras coisas, mas não se preocupam em assimilar até o que falam para a própria vida. Ficam satisfeitas só com as teorias, sem encarná-las. Fica um conhecimento vazio e inútil.
 
Certa vez, me perguntaram: "Como você faz para manter a atenção das pessoas o dia inteiro sentadas te escutando"? Quando usamos os cinco sentidos de forma pacífica, espontaneamente recebemos a mesma energia positiva que retorna para nós mesmos. Se usarmos nossos cinco sentidos de maneira positiva, estaremos automaticamente praticando a generosidade, porque tudo que nós fizermos será de benefício".

"Nossa esperança está em cultivar uma cultura de não-violência. O medo é um sentimento muito forte em nossa sociedade, mas se usarmos nossos cinco sentidos de forma pacífica, faremos uma bela maquiagem em nossa mente. Poderemos nos sentir bem tanto a sós como em grupo. Ficaremos cada vez mais bonitos! Teremos boa conexão com nossa família e com nossos amigos, além de um bom relacionamento com todos os seres".

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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