POEIRA DANÇANTE NA LUZ

Coloquei este título nesta refexão feita pelo meu amigo Pe. Luiz Carlos, porque é uma expressão que gosto muito, usada por Jean-YvesLeloup, no seu livro "Caminhos da Realização", se não me engano, editado pela Vozes. Acho que a citação tem muito a ver com a reflexão da quarta-feira de cinzas. Por quê? Porque, na visão de Jean-Yves, nós não somos só pó. E nem só luz. O pó significa a humanidade em nós. O transitório, o passageiro, a nossa parte humana.

E a luz significa a nossa transcendência, a divindade, a eternidade, que todos nós também temos.

Sendo só pó, seríamos muito insignficantes, pura terra, instinto, debilidades….

Só lúz, estaríamos já na dimensão de Deus… E isto é um projeto. Seremos, mas ainda não somos enquanto tivermos esta natureza.

Então, somos estas duas coisas: pó e luz. Divindade e humanidade. Uma síntese dessas duas dimensões. Em alguns momentos somos mais luz. Em outros somos mais pó, poeira….

Quando estivermos na pior, é bom nos lembrarmos que temos a divindade em nós. Temos a luz. Somos também a lúz.

E quanto estivermos muito exaltados, achando-nos o máximo e até melhores que Deus, é bom nos lembrarmos que somos também pó. Isto nos ajuda a recobrarmos nossa humildade e simplicidade diante da vida e dos outros nossos irmãos.

Assim, vamos equilibrando nossa vida. Uma poeira dançante na luz é uma poeira brilhante, linda, tocada pela dinvidade, pela eternidade.

Quando consigo ver estas duas dimensões também nos outros, vejo cada pessoa de uma nova forma.

Boa reflexão com o texto do Pe. Luiz Carlos. 

João Loch

 

 

nº 893

Artigo

Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Redentorista

Quarta-feira de Cinzas

 

Tempo de conversão

            A Quaresma tem uma história. Nos três primeiros séculos havia somente o jejum de três dias antes da Páscoa. No século V há uma preparação de seis semanas. Ela se desenvolveu a partir da reconciliação dos penitentes na manhã da Quinta-Feira Santa que se preparavam com 40 dias de jejum. Recebiam as cinzas para indicar a penitência. Mais tarde a comunidade adotou esse uso para todos. Nós temos uma característica própria para a Quaresma. Fazemos a Campanha da Fraternidade que envolve o caráter de conversão para a caridade, na oração. Iniciamos a Quaresma tempo especial em que vivemos um treinamento próprio para seguir Jesus em seu caminho. Passamos com Ele pela morte para chegar à Ressurreição. Chamamos este tempo de momento de conversão e de penitência para fortalecer no combate contra o espírito do mal. Quando queremos colocar o corpo em boa forma fazemos exercícios. A academia do coração é o esforço e o treinamento para vencer o mal pelo amor. Estamos no momento favorável. A liturgia nos convida a entrar neste clima de reconciliação. Paulo escreve: “Deixai-vos reconciliar bom Deus… pois agora é o tempo favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 5,20.6,2). O profeta Joel acentua que há sempre o convite de Deus para voltá-la a Ele (Jl 2,12-18). Esta volta é comunitária, pois o pecado atinge a comunidade. Ninguém é tão santo que não tenha onde se converter, nem tão pecador que não tenha solução. A conversão nos conduzirá, renovados, para celebrar a Páscoa. Para isso, a Campanha da Fraternidade mostra caminhos de conversão.

Técnicas para fortalecer o espiritual

            As técnicas para o fortalecimento espiritual são: a oração, esmola e o jejum. Por que estes três? Porque estas três técnicas atacam as gorduras do mal em nós, como leremos no evangelho do próximo domingo, refletindo as tentações de Jesus. Não custa. Depois de vencer, seremos atletas do Reino. Mesmo não conseguindo vencer tudo, estamos treinados para continuar a batalha. Jesus ensina como devemos nos fortalecer para praticar uma verdadeira religião: A oração coloca-nos em contato permanente com Deus; A esmola faz-nos sair de nós mesmos e viver a caridade para com os irmãos; A caridade não é livrar-se de um pobre incômodo, mas promover a pessoas com todos os bons meios que temos a nosso alcance na pastoral social; O jejum desbasta nossos excessos e nos dá saúde física e espiritual. Adquirimos o domínio sobre nós mesmos. Esses meios vencem as três tentações pelas quais passou Jesus e também nós passamos.

Conversão interior

 Jesus manda fazer tudo no segredo do quarto. Em segredo quer dizer feito com o coração, não só como uma técnica, mas como um caminho de conversão. Fazendo a comparação com os fariseus que mostravam o que estavam fazendo para orgulho pessoal, Jesus ensina a intimidade com Deus, no silêncio do coração. O que nos falta muito, ao menos a mim, é o silêncio interior que nos coloca no relacionamento com Deus. Sintetizando as três modalidades de conversão, Jesus diz que elas devem ser ocultas para não ser para os outros, mas para Deus. Isso não elimina o testemunho. E tudo na mais pura alegria, pois a conversão não é dor ou tristeza, mas satisfação de encontrar as riquezas do Reino de Deus. É bom, ao iniciar a Quaresma, procurar uma penitência (que não prejudique a saúde) que ajude nossa conversão.      

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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