LIBERTAND0-SE DAS DROGAS – Crônica do Benedito

Uma vez redentorista, sempre redentorista! 

         Rio construirá 10 mil casas para remover famílias ( O Globo)

             …Eu acredito… e você?… Em promessa de político a gente acree… dita… A chuva já parou… 

 

054 – Deixa comigo! 

         Alguns parentes e amigos estávamos na casa de um primo de onde se ouvia o que se passava no interior da residência do vizinho ao lado. Incrível: – quaisquer conversa ou barulho, por menor que fosse, eram percebidos e compreendidos.

         Nesse dia, houve uma tremenda briga entre pais e o casal de filhos – presentes mais um irmão e um amigo.

      Conversa vai, papo vem, alguém disse que brigas eram comuns e que todo aquele barulho era para o filho tomar dinheiro do pai – desejava depenar a economia dos pais para as farras e a compra de drogas para si, para a irmã e para

os amigos.

         Resolvemos achar uma saída para o caso.

         Quanto ao amigo, os pais amigos de todos, ninguém quis assumir a responsabilidade de levar até eles o fato de o filho estar entrando no submundo das drogas. 

O telefonema 

         Alguém afirmou que resolveria o problema do rapaz. Poderíamos confiar que solucionaria mais rápido do que esperássemos. Anônima, e como ainda inexistia o bina, telefonou para o delegado:

         – Senhor delegado, o Senhor me daria alguns minutos, para lhe relatar um grande problema de uma ótima família?

         – Às ordens, minha Senhora, diga.

         – Pois é, Senhor delegado, um casal amigo, parente de um político influente na região, está sendo agredido e espoliado por um dos filhos. O pai trabalhou durante trinta e cinco anos numa firma, até aposentar-se, economizou para levar uma vida mais tranqüila na terceira idade e agora o filho o agride para lhe tomar o dinheiro.

         A pessoa explicou ao delegado o que sabia, tintim por tintim, sobre o motivo da violência do rapaz contra os pais.

         – Minha Senhora… deixa comigo. Casos assim de família gosto de ajudar e de solucionar. Daqui alguns dias torne a me telefonar.

         O Delegado, cumprindo a promessa, chamou um detetive e lhe ordenou:

         – Você conhece o filho de fulano, parente do cicrano, um menino de uns dezesseis anos?

         – Não me lembro, mas posso procurá-lo.

         – Ele entrou para o mundo das drogas, levando consigo a irmã, e tem agredido o pai para tomar-lhe o dinheiro. Siga-o. Aproxime-se e provoque-o de todas as maneiras, para ele reagir. Reagindo, dê-lhe uma surra e depois de bater bastante, adverte-o:

         – Isso é para você criar vergonha e deixar de agredir seu pai para tomar-lhe o dinheiro. E tem mais: sei de tudo que se passa dentro de sua casa e não são nem seus pais ou irmãos que me informarão. Fique bonzinho, trate bem seus pais, pare com as drogas e ficará livre de mim.

         – Deixa comigo, Senhor Delegado. 

A recuperação 

         O Detetive cumpriu à risca a missão. Procurou, achou, seguiu e, na primeira oportunidade, provocou o garoto, que reagiu violentamente – tomou uma bela surra.

         O Detetive soube, através do telefonema da pessoa que tornou a falar com o Delegado, que o menino  melhorou, mas tivera uma recaída. Saiu ao encalço do garoto e desta vez deu-lhe surra dose dupla.

         Agora sim, houve a cura definitiva do garoto e da irmã.

         Nota triste foi o falecimento, pouco depois, do irmão quieto do casal, mas sobrou um casal de filhos totalmente recuperado das drogas.

 

O triste    

         Em um restaurante em Belo Horizonte, encontrei-me com toda a família do amigo dos meninos e que entrava, na época, no mundo das drogas e sobre a qual ninguém teve coragem de falar para os pais. Cumprimentei-a e os pais falaram-me que vieram visitar o filho em um hospital da capital. Ele passava bem mal, devido a superdosagens de drogas. Estava em estado de coma.

         Alguns dias se passaram e o menino faleceu.

         Coragem da pessoa que telefonou para o delegado!… Covardia nossa?…  

                   Benedito Franco 

PS. Atrevo-me a fazer um pequeno comentário sobre o assunto apresentado hoje por Benedito. Trabalho com recuperação de dependentes químicos ou adictos, em uma clínica. Não é um trabalho fácil no sentido de se perceber resultados positivos. Mas é um trabalho útil no sentido de se acolher pessoas que estão se acabando no mundo das drogas e, se a família não fizer uma intervenção vão acabar morrendo muito cedo ou em uma cadeia. Nem todos que passam por um tratamento param. Alguns conseguem, a muito custo. Outros ficam indo e voltando. De tempos em tempos temos notícias de alguns que continuam bem, outros que foram presos, outros que morreram….

Há controvérsias quanto à internação forçada. Muita gente se posiciona contra porque, segundo pontos de vista, é uma intromissão na vida e na liberdade da pessoa. Por outro lado, a pessoa sob efeito crônico do uso de drogas fica com a capacidade de decisão afetada, alguns passam a ter alucinações e colocar em risco a própria vida e dos familiares que perdem a paz. Diante disso, considero que a família tem o direito sim, de intervir e internar, mesmo à revelia da pessoa. Porque se esperar a pessoa querer parar, no estado que ela fica, ela não consegue ter esse querer. Sendo afastado das drogas, das companhias, do clima tenso de relacionamento familiar, ela tem oportunidade de começar novamente a raciocinar de forma mais sadia, com o organismo limpo. O pensamento e análise sobre a propria situação melhora e, o que tenho visto, é que muitos realmente se propõem a mudar de vida. Graças a Deus, para muitos há tempo. Outros quando chegam para o tratamento já estão tão "arrebentados" que dá até um desânimo. 

A família precisa estar atenta e, quando perceber que o filho muda de comportamento, começa a deixar seus compromissos, fica agressivo de forma fora do comum, troca o dia pela noite….Vai averiguar que algumas coisas devem estar muito erradas. Não adianta querer ignorar e tapar o sol com a peneira. Ou falar que é coisa de adolescentes e tal…..Quando mais tempo demarar para intervir, mais complicado, mais difícil.

Não vou incentivar os pais a ficarem dando surras nos filhos, ou a contratar um detetive, como no caso da crônica escrita acima, para inibir o comportamento errado do filho. Mas afirmo que, se não houver consequências, o filho não vai mudar o comportamento. Os pais precisam se posicionar e serem firmes. O filho tem que sentir que não vale a pena. Que ele só está perdendo. E cuidado. O dependente químico, de modo geral, fica muito mentiroso. Inventa muitas histórias e gosta de dar uma de vítima, de coitadinho, de incompreendido. Tudo para manipular os familiares e não mudar nada do seu comportamento.

O AMOR EXIGENTE orienta para que os pais deem aos filhos o que eles merecem. Não o que eles precisam. Então, tem que fazer por merecer. Caso contrário os pais ficarm sendo burros de carga ou camelos que carregam os filhos nas costas e são chicoteados por isso. Amar é também saber dizer não. E quanto antes se aprende isto, melhor.

João Loch  

         

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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