O amor de Deus está acima das leis

nº 926

Homilia do 11º Domingo Comum (13.06.10)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Redentorista

“Porque muito amou”

 

Os pecados não sujam Deus

               Jesus proclamava as maravilhas de Deus através de palavras e gestos que anunciavam a novidade que veio nos oferecer. O ensinamento teológico dos fariseus relacionava a justiça de Deus com a observância dos preceitos. O perdão dos pecados e a salvação estariam condicionados pela observância legalista.  O fariseu Simão convidara Jesus para uma ceia. O fariseu se tinha por justo. Na cultura oriental, tomar refeição juntos, era sinal de profunda comunhão. Jesus, que não fazia acepção de pessoas, aceitara o convite de Simão. No correr da refeição entrou uma mulher que era tida como pecadora. Ela faz um ritual amoroso a Jesus lavando seus pés com lágrimas, enxugando com os cabelos e ungindo com um perfume precioso. Uma cena forte, pois as mulheres nem participavam destes momentos. Jesus aceitou fazendo comunhão com ela. O fariseu estranhou o fato e criticou no seu interior. Jesus então, ensinou que o perdão vem do amor manifestado pelo pecador e por Deus que manifesta o amor no acolhimento, sem distinção de pessoas. Deus age pelo acolhimento, não pela condenação. Perdão é a justiça de Deus. Justiça é santidade, participação de sua santidade. Deus quer comunhão com nossa fraqueza, mesmo com aquele que parece não merecer. A comunhão com Deus está no amor. A cena quer mostrar a novidade de Jesus diante da lei dos fariseus. Jesus não se sente sujo por deixar-se tocar pela pecadora. Outras mulheres seguiam Jesus. A mulher que no judaísmo e mais no Império Romano era considerada inferior. Um mestre não saía pela rua nem com sua esposa. Não era de bom tom. Davi, o escolhido de Deus comete um pecado que leva a cometer outro. O mal vai produzindo outros males. Nossos pecados não sujam Deus. Jesus não quer o pecado e não a morte do pecador (Ez 18,23).

Justificados pela fé

               Paulo, neste contexto, afirma que “ninguém é justificado por observar a lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo” (Gl 2,16). Crer não é só afirmar a fé, mas viver para Deus no amor que Jesus manifesta. Crer é participar da vida de Cristo. “Com Cristo, afirma Paulo, fui pregado na cruz. Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim, minha vida presente na carne, eu a vivo na fé crendo em Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,19-20). O perdão é sempre a renovada oportunidade que Deus nos dá de vivermos melhor a fé. Viver significa praticar o amor, como escreve João: “Sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos… não amemos de palavras nem de língua, mas por ações e em verdade” (1Jo 3,14.18).

Confessei meu pecado

               A Palavra de Deus é um estímulo ao reconhecimento concreto dos pecados, como fez Davi e como manifestou a pecadora, mesmo sem palavras. O pecador reconhece a fragilidade por isso é perdoado. Temos o sacramento do perdão, a confissão, mas são tantos os modos de buscar e encontrar o perdão. A própria liturgia eucarística é um momento de receber a remissão. Não dispensa a confissão. Contudo não pode ficar só nela. Na oração da missa rezamos: “Como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos o socorro de vossa graça”. Não conhecer nem reconhecer a própria fragilidade se torna um risco, pois, podemos como Davi, cair na cascata do pecado que atrai pecado.

Leituras: 2Samuel 12, 7-10.13; Salmo 31; Gálatas 2,16.19-21; Lucas 7,36 –8,3.

Ficha nº 926 – Homilia  do 11º Domingo Comum (13.06.10)

 

1. Jesus anunciava por palavras e gestos. Os fariseus ensinavam a justiça na prática da lei de Moisés (não os mandamentos). Era o legalismo. Jesus manifesta, diante da situação de pecado, o amor que cura. O momento foi de acolhimento da mulher que era discriminada, da pecadora que era condenada. Ela manifestou amor e por isso o recebeu. Deus, em Cristo, manifesta o acolhimento do Pai que não quer a morte do pecador.

 

2. Crer não é só afirmar a fé, mas vier para Deus no amor que Jesus manifesta. Crer é participar da vida de Cristo e ser pregado com Ele na cruz, como escreve Paulo. Perdão é sempre a renovada oportunidade que Deus nos dá de viver melhor a fé. Viver significa praticar o amor.

 

3.A palavra de Deus é um estímulo ao reconhecimento concreto dos pecados. O pecador reconhece a fragilidade. Por isso é perdoado. Temos tantos modos de receber a remissão. Não conhecer nem reconhecer a própria fragilidade se tornam um risco de cair na cascata do pecado que atrai pecado.

 

Jesus não tem tolerância zero

 

Na casa de um homem correto e piedoso, Simão, acontece uma cena constrangedora: Uma mulher, daquelas das quais as outras falam mal, entra, põe-se aos pés de Jesus que estava deitado nos divãs (eles não se alimentavam assentados, mas recostados). Então os pés ficavam à altura de alguém que se ajoelhasse. Ela lavava os pés dele com as lágrimas e beijos e enxugava com os cabelos. Cena forte. Escandalizou o velho mestre do povo que, com seus botões disse: “se esse homem fosse bom, saberia quem é esta mulher. É uma pecadora”. Simão era bom, mas conhecia bem as mulheres faladas. Bom, mas nem tanto.

Jesus, liso como sempre, coloca uma parábola sobre os dois devedores. Um que devia muito e outro pouco. Os dois foram perdoados. Volta-se para a mulher e mostra para Simão que o acolhera sem afeto e ela escolhera Jesus para mostrar o amor que pede perdão. Jesus diz: “aquele a quem se perdoa pouco mostrou pouco amor”.

O amor fundamental é ter em si a vida de Cristo, como escreve Paulo, e comunicá-la através das atitudes. Hoje estamos diante de tantos crimes e queremos tolerância zero, mesmo dentro da Igreja. Por que não procurar a recuperação das pessoas, como lemos na primeira leitura? Davi pecou, mas Deus lhe concede o perdão porque se arrependeu.

 

 

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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