A JANELA – Crônica do Benedito

034 – A Janela

 Tenho duas filhas – nunca levei alguma a médico.

         A segunda nasceu com 2,90 kg, mas com membrana hialina – um problema no pulmão – nasceram em São Paulo. Com catorze dias no CTI, foi para casa com 2,20 kg. Pegando sapinha, fungo, emagreceu mais ainda, chegou a 1,75 kg.

Procurava saber, quando ia a Fabriciano, tudo sobre criança, com minha mãe, doze filhos, e Dona Rosa, a sogra, catorze filhos – sendo três na fazenda, sem uma pessoa sequer para lhe dar alguma assistência. Dois monumentos em pediatria!

Tatiana, com uns seis meses – que saudade! Aliás, criança tem este defeito: cresce! – a mãe grávida e eu, fomos ao Hospital das Clínicas para a Tati tomar vacina, a tríplice.

No caminho, perto do Pacaembu, na subida atrás do estádio, avistando o Hospital, fomos parados, o trânsito barrado. Caça a um terrorista – escondeu-se numa das mansões do bairro. Estávamos na ditadura.

Tiro pra cá, tiro pra lá… saímos ilesos – uma irresponsabilidade dos brucutus contra a população ordeira… enfim… deixemos terroristas para o Obama!…           

Conseguimos chegar ao hospital.

Achei interessante receber a Carteira de Vacinação para controle das vacinas –  inexistia ou não estava a par da existência.

Formou-se pequena fila e, a nosso lado, uma senhora com um menino lindo, de pouco mais de um ano, com queimadura feia e grande em um dos bracinhos.

A mãe contou-nos que a empregada, moça de ótima aparência, e como se mostrara de confiança e carinhosa com o menino, ela, a mãe, resolveu até mesmo voltar a trabalhar no antigo emprego, meio expediente.

Recebeu telefonema da empregada para que fosse urgente para casa. O menino havia caído em cima do ferro de passar roupa, enquanto ela olhava uma panela no fogão.

A mãe correu, pegou o menino e o levou para o Pronto Socorro.

Bem socorrido por médicos e enfermeiros e, por ser um menino interessante e a queimadura grande para uma pessoinha tão linda, o caso despertou a curiosidade dos funcionários presentes. Feito o curativo, paparicado e admirado, a mãe com o filho foi para a rua dar um jeito de voltar para casa – ela iria pegar um táxi. Esqueceu-se do dinheiro e o taxista que a trouxera até perdoara a dívida da corrida, condoído com o sofrimento do pequerrucho.

Esperando o táxi veio correndo um funcionário do Pronto Socorro pedindo para ela voltar, pois os médicos que a atenderam desejavam falar-lhe. E em lá chegando, um médico esperava-a na porta. Entraram. O médico:

– Minha senhora, confabulávamos, os colegas e eu, sobre a queimadura no bracinho do menino. Chegamos à conclusão de a queimadura não ser acidental… foi proposital – alguém colocou o ferro de passar roupa em cima do bracinho do menino e, pelas características, até o segurou por instantes. Será feito um B.O. – Boletim de Ocorrência. A polícia está a par e a Senhora terá de comparecer ao Distrito Policial aqui perto, com o menino e a empregada, para esclarecimentos.

Assinou os papéis do B.O., feito pelo Policial presente no Pronto Socorro, e correu para casa.

Morava no oitavo andar. Em lá chegando, de sopetão, avançou na empregada, dando-lhe uma verdadeira surra – seu físico não era dos mais privilegiados – e não sabia onde arrumou tanta força e coragem. No quarto da empregada, pegou a mala e pertences, encaminhou-se para a sala e jogou tudo pela janela que dava para a rua.  

Expulsando e empurrando a empregada escada a baixo, gritou:

– Dê graças a Deus meu marido não estar aqui, pois, se estivesse, jogaria a mala e os pertences na escada e você seria atirada na rua pela janela!

     Os tiros, o caso drástico e dramático deixaram-me nervoso. Chegou a enfermeira, pegou a Tatiana, tirou-lhe a fralda e lhe aplicou injeção na bundinha. Tatiana, não era de chorar, fez  carinha feia e chorou e chorou.

Se houvesse uma janela por ali… a enfermeira… o B.O….

Pai de primeira viagem.

Porque não inventam mais vacinas de gotinha? 

                        Benedito Franco

 

        Emblema da Copa de 2014 tem o número escrito em vermelho!!! Vai ganhar um doce quem explicar o pq!!!!  ??????

        E PQ não é o azul, a cor de nossa bandeira???????

        Ah!!!… nossos dirigentes não gostam de nossa bandeira….

 

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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