CRESCIMENTO E RELACIONAMENTO

Algumas dinâmicas fazem parte de todos os relacionamentos, atrapalhando ou ajudando. Crescimento, conforme denominado no título, tem o senitido de individuação, numa perspectiva junguiana. Meu objetivo com a reflexão a seguir é oferecer algum subsídio para ajudar numa reflexão pessoal, numa tentativa de crescimento contínuo para que as relações interpessoais sejam mais sadias.   

Coforme James Hollis (“RASTREANDO OS DEUSES: o lugar do mito na vida”, Paulos: 1998, p. 196-207), existem quatro princípios em todas as relações, íntimas ou não. São estes quatro princípios expostos por ele que estarei apresentando a seguir. 

1. “Não é possível alcançar um nível mais elevado de relacionamento com o outro do que aquele que a pessoa já conseguiu em relação a si mesma. Os relacionamentos sempre são, implicitamente, consituídos no nível de evolução psicológica de cada uma das partes. Por esses motivos, os vínculos interpessoais são tantas vezes castigados por dores afetivas e conflitos cegos, quando um dos envolvidos supera o nível anterior do contrato relacional ou fica bloqueado na sua tentativa de evoluir”. Normalmente quando uma relação não dá certo pode-se achar, como normalmente acontece, que a culpa, ou responsabilidade foi só da outra parte. Na realidade há uma participação mútua.

No processo de desenvolvimento, uma das partes amadurecendo, crescendo, evoluindo e a outra não saindo do lugar ou ficando estagnada, costuma causar sérios problemas no relacionamento. Um só consegue ver o outro conforme seus próprios parâmetros e se iste se distancia muito, um quase que não vê mais o outro.

2. “O que não sabemos ou não consequimos encarar sobre nós, por exemplo, os mitologemas (complexos) que nos governam e dirigem, será  projetado nos outros. Uma imensa coleção de expectativas subliminares que decantou da infância é tipicamente projetada no relacionamento. Os pareceiros inevitavelmente sofrem com a crescente discrepância entre as expectativas incoscientes e a realidade do outro, com o que ambos tornam-se tristes, confusos e zangados”. Daí advém as manifestações de raiva, acusações, chantagens, crises de descontrole emocional. O jogar na cara que esperava outra coisa do parceiro (a), que ele ou ela era uma farsa, que só se decepciona por que esperava algo bem melhor. Esperava-se um príncipe ou princesa encantados que nunca trouxessem dissabores, mas só coisas boas, que entendessem todas as carências e sempre estivesse pronto para suprí-las, etc. Põe-se no outro a responsabilidade de se tornar feliz. E o outro não pode fazer isto. Foge da capacidade de qualquer pessoa tornar outra pessoa feliz. Este estado de espírito só pode ser desencadeado pela própria pessoa. O outro só pode dar uma mãozinha para facilitar ou atrapalhar. É sempre mais fácil projetar os problemas no outro do que vê-los em nós, porque isso força um desacomodar-se, um crescer. E pode ser mais fácil ficar parado querendo que o mundo, num passe de mágica se transforme a nosso favor.

3. “O poder insinua-se em todos os relacionamentos. Em si mesmo o poder é neutro, é a troca de energias entre duas partes. Mas quando a consciência está ausente, o nível da pulsão de poder torna-se uma função dos complexos em ação, e o poder ocupa o lugar do amor. Um conflito de poderes é sintoma daquilo que está agindo no plano inconsciente naquela relação”.

4. “A individuação não tem complacência consigo e, na realidade, melhora a qualidade do ser que propomos para o outro. Amamos o outro quando lhe retiramos o encargo de nos curar e tornar significativa a nossa existência. Libertamos o outro na mesma medida e proporção em que nos libertamos intimamente. Certamente é isso que Jesus queria dizer quando nos recomendou que amássemos o outro como a nós mesmos. Não é possível amar o sememlhante sem a capacidade de sentir amor por si. Dessa forma, o paradoxo do mito pessoal é que frequentemente o impomos ao outro, mesmo que inconscientemente, e os relacionamentos são deturpados e fracassam. Só um maior conhecimento do próprio mito pessoal pode favorecer a qualidade do relacionamento”. Quando não conseguimos nos amar, pensamos que estamos amando o outro, quando na realidade podemos estar odiando, só que invertemos e assim sentimos que o outro que nos odeia. Aí jogamos a responsabilidade da melhora na relação só no outro, como se da nossa parte tudo estivesse perfeito.

“Os relacionamentos sempre envolvem nossos hitóricos pessoais. Contudo, a história de cada um de nós é uma ficção, não como aconteceu, mas como a construímos. A ficção não é algo inverídico, da mesma forma como o nito não o é.  É algo feito (do latim facere, fazer). Nossa mitologia pessoal, nosso histórico pessoal, é uma coisa feita, uma narrtiva carregada de emoções, com blocos de energia que então se relaciona de modo autônomo com a vida em vigília e os sonhos. Nossa realidade não é a realidade objetiva, seja lá o que isso for, mas nossa itologia com todas as suas variações, das quais todas são verdadeiras. Ao mesmo tempo somos órfão maltratado, o amigo sem valor, o viajante heoróico, a criança de nossa era e mais coisas, todas fora do eixo temporal; e, mais fundamentalmente também somos o sujeito, o propósito e o portador de um drama arquetípico. Nunca saberemos quem somos, da mesma maneira como Newton jamais poderia apreender o oceano de verdades rugindo à sua volta e em seu íntimo. Apesar disso, não conseguimos abandonar a tentativa de alcançar um relacionamento mais profundo com o nosso  próprio mito.

(………..)

A visão junguiana da psique é que ela é policêntrica, que é só aflição do ego ele tentar a soberania em relação à alma. O diálogo adqueado que favorece a individuação ocorre entre o ego, o complexo central da consciência, e os inúmeros outros complexos, reunidos à mesa da alma para uma mesma refeição.

No entanto, o ego e seus capatazes, todos fundamentalistas de carteirinha e carentes de segurança diante da complexidade da verdade, ficam apavorados com esse vertiginoso dilema. Quando vamos em busca de assistência filosófica vemos que a metafísica está morta há tempos, e o estruturalismo , o pós-estruturalismo e o descontrutivismo foram-se como modismos de momentos, depois de haverem enfraquecido a noção de que possa haver algo como verdade, ou um ponto arquimédico no qual posicionar-se, ou a partir do qual fazer o levantamento do terreno. Sabemos que a principal loucura contida na neurose é a ilusão de que o ego está no comando, mesmo que sua autoridade sofra perda de poder por força dos conteúdos cindidos. E a loucura da psicose é abandonar a precária posição do ego e entregar-se ao comando dos deuses escuros. Paradoxalmente, a razão pela qual prestamos atenção nos sonhos, por exemplo, é para  desconstruir a falsa noção de realidade possível a uma vida consciente limitada, e ampliar sua perspectiva, para enxergar o mundo como aquele construto fictício, o Si-mesmo, o vê.    

O que nos resta neste nosso mundo junguiano, pós-kafkiano, é empregar o nosso constructo com tanta consciência quanto possível. Somos impelidos a tornar mais conscientes nossos componentes míticos, mas com o conhecimento adicional de que todas as variações têm sua verdade, em termos, e que estamos empunlhando os malabares da ficção quando falamos “ego”, Si-mesmo e até mesmo “eu” para expressar esses pensamentos (……)

Para  podermos cartografar noso próprio mito, com todas as suas variações, somo obrigados a estremecer muitas vezes, a brincar com todos os incontáveis disfarces do Si-mesmo, caso contrário cairemos na idolatria do literalismo, a psicose do fundamentalismo.

(……….)

Se é verdade que nossa relaão com o outro nunca pode ser mais consciente do que a conosco mesmos, e se é verdade que não chegaremos jamais a nos conhecer por inteiro, então todos os relacionamentos  estão fadados a ser incompletos. Como afirmou Jung, certa vez, a coisa mais desastrosa sobre o inconsciente é que ele é inconsciente.

Lamentavelmente, a maioria dos relacionamentos é comprometida, e alguns até em grau sério, sejam os vínculos entre pais e filhos, etre grupos, colegas ou dimensões intrapsíquicas. Mas um nínimo de honestidade nos obrigará a admitir que somos nossos piores inimigos. Por exemplo, uma técnica muito útil no aconselhamento de casais consite em pedir a cada um dos cônjuges que identifique os padrões de dor crônica de sua própria história de vida e que repetidamente conturbam o relacionamento. Ao identificar aquelas imagens interiores que pertuban o mundo externo, a pessoa dá um passo heróico no sentido de aliviar o relacionamento com foco de tribulações.

(…..)

Apesar de todas as dificulddes e problemas de relacionamentos ainda podemos constatar com a de novelas de televisão, Sandra Bernhard, quando escreve: ‘O amor é o único ato escandaloso que restou na face da terra’. E ela ainda afirma: ‘No silêncio absoluto da noite, entre sussurros de ternura e confiança que penetram os órgãos dos sentidos, o controle, o poder e a raiva são jogados de lado e tornamo-nos testemuhas  do único instante válido no universo: o amor’.

O amor é um milagroso sobrevivente das guerras civís, tanto íntimas como externas. Nos ermos de savanas  da alma, o coração exaurido e maltratado surge mais uma vez e responde ao apelo de convocação de vida. Todos nós temos perguntas para fazer e responder, de maneiras muito particulares. Toda questão serve para remexer o sedimento decantado. Nesse sentido que análise quer dizer, justamente, mexer, afrouxar, etmológicamente. Toda indagação serve para trazer até a superfície elementos  da verdade pessoal, os valores implícitos que modam a vida diária de cada um.

Algumas perguntas que podem ajudar você a se conhecer um pouco mais, ou a relembrar coisas importantes: Qual a vocação de sua vida, o seu ‘chamado (por oposição à sua fonte de sustento? Quando foi que você saiu de casa? Quando foi que sua infãncia terminou? Você já saiu de casa? Como se manifestam suas dependências? Como você repetidamente se fere, ou se desvaloriza? Onde é que está empacado/a em sua jornada pela vida? Ainda está carregando Mamãe/Papai? Quais temores bloqueiam-no/a? Que espécie de vida n-ao vivida permanece no seu encalço?No plano invisível, o que dá sustento à sua vida no plano visível?  Estas questões são ‘pesadas’, mas inescapáveis, imperativas para uma vida consciente e responsável. Se não for trabalhada conscientemente, a vida diária carrega um fardo de tristezas pesado demais. Esse peso decorre das atribulações da alma. Ou assim intuimos. É desse modo que nos encurrralamos: obrigados a viver com mais consciência senão  nos saliamos com os padecimentos que o dwstino já nos ofereceu, aumentamos sua carga e, ao mesmo tempo, desconhecemos o terreno em que ficar a bandeira do ego, e continuamos despojados das ricas ìndias Ocidentais da Alma que reivindicaríamos para a soberania do Velho Mundo.

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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