VEM ESPÍRITO SANTO

nº 1030

Homilia da Solenidade de Pentecostes (12.06.11)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Redentorista

“Santificais a vossa Igreja”

 Uma festa para hoje

               Pentecostes é um acontecimento atual, como rezamos: “Ó Deus que, pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja em todos os povos e nações” (Oração). Para tanto são apresentados os povos peregrinos presentes em Jerusalém (Atos 2,1-11). A santificação nos lembra que o Espírito foi derramado sobre cada pessoa. Continuamos pedindo: “Derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo”. Ninguém controla a ação do Espírito. O que pedimos é que Deus “realize agora, no coração dos fiéis, as maravilhas que foram operadas no início da pregação do Evangelho”. Esta maravilha é o anúncio do Evangelho. A Igreja deve acolher continuamente o dom do Espírito Santo no momento atual e torná-lo sempre presente por meio de sua atitude evangelizadora. Todos entendiam em sua própria língua as maravilhas de Deus. A grande riqueza da Igreja é a abertura a todos os povos e culturas. Grande pecado seria negar a uma cultura o ser apta para receber e testemunhar o Evangelho. Os apóstolos puderam ver que suas pregações eram acessíveis a todos os povos. À medida que o Evangelho foi sendo anunciado, era compreendido por todas as nações. É maravilhoso ver a diversidade existente dentro da Igreja. O Evangelho é para todos os tempos e não se fixa a uma época como sendo a melhor. Seria um pecado contra o Espírito negar esta graça. Por isso Pentecostes é cada vez mais compreendido.

“Corações ao alto!”

960.Espiritualidade da Ascensão

            Quando rezamos o prefácio da Missa dizemos: “Corações ao alto!”.  – “Já os temos no Senhor!” Respondemos. É sinal que estamos ligados a Deus em nossa oração. Há algo que nos inquieta: Quando se deu a Ascensão de Jesus ao Céu, os Anjos disseram aos apóstolos que olhavam para o alto para onde Jesus tinha subido: “Por que estais a olhar para ao alto?”. Temos duas dimensões da mesma realidade: Ter o coração no alto, onde está Cristo assentado à direita do Pai, e ter os olhos voltados para a terra, onde está a nossa missão. A espiritualidade da Ascensão mostra-nos a força da vida cristã: unida a Deus e a serviço dos homens, tanto nas coisas espirituais, como nas materiais. Continuamos a missão que foi dada ao homem no Paraíso Terrestre: “Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra e dominai-a” (Gn 1,22). O verbo dominar  tem o sentido de encaminhar para sua plena realização, como diz S. Paulo: Ser libertada do mal que o homem lhe fez sofrer com o pecado. O pecado não faz bem. Quando nos deixamos levar pelas tentações que o mal nos apresenta, prejudicamos a nós mesmos e ao mundo. Quando somos tomados pela graça de Deus, podemos viver nossa dimensão completa e ao mesmo tempo elevar o mundo. Deus não atrapalha a vida do mundo. Com a Ascensão, os cristãos passaram pela tentação de sentir a ausência de Jesus e pensar que então nada ia dar certo. Por isso recebemos a certeza: Ele iria voltar, não só no fim do mundo, mas, estará sempre conosco como escreve Mateus: estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos. É uma presença ausente fisicamente, mas plenamente viva na realidade. Ele continua agindo conosco e através de nós. “Vós fareis obras maiores que eu fiz”. A espiritualidade da Ascensão abarca o universo.

961.Rezando com Cristo

            A espiritualidade da ascensão ensina o mistério do culto cristão. Cristo foi ao Pai, não para afastar-se de nós, mas para exercer sua missão fundamental: Ele presta o culto perfeito ao Pai na adoração, na oferta e na ação de Graças. Está sempre a interceder por nós, pois o culto tem uma dimensão de caridade que é levar os irmãos a Deus. Na definição da liturgia está claro que Cristo faz a perfeita glorificação de Deus. O que Cristo faz diante do Pai, nós o fazemos na terra através dos sinais sensíveis dos sacramentos. A celebração da liturgia nos coloca em união, como Corpo de Cristo (cabeça e membros), que presta o culto público integral. Portanto, qualquer celebração litúrgica é obra de Cristo sacerdote e de seu Corpo que é a Igreja (SC 7). Por isso, nós nos unimos a Cristo, continuamos seu sacerdócio como povo de Deus sacerdotal, conduzidos pelos ministros ordenados.

962. Arquitetura da ascensão

Celebramos o culto em espírito e verdade, mas também nos reunimos nas igrejas. Elas devem conduzir a Deus, a partir da comunidade. É importante o edifício. Mais importante são aqueles que o habitam. Por isso a arquitetura deve conduzir a comunidade para Deus. Ao construirmos uma igreja, temos que ver a planta do Céu e nela espelhar a nossa. Sem isso fazemos garagens. Disse Deus a Moisés: “Faça tudo como te mostrei lá no monte, em seu encontro com Deus” (Ex 25,40). As pedras rezam conosco, quando fazemos um edifício litúrgico. Somos conduzidos a Deus pela simbologia que temos na Igreja. Como um ícone oriental só se faz depois da oração e do jejum, assim as igrejas deviam nascer da oração da comunidade. É uma obra criada pelo povo sacerdotal para servir a Deus.

Vinde, Pai dos pobres!

               A oração da Seqüência (Hino) chama o Espírito de Pai dos Pobres. Certo é que não tem a intenção de nos dar mais um Pai nos Céus, mas mostrar sua missão com a bondade de um pai generoso que se preocupa com os necessitados. Vemos exaltado, deste modo, o amor do Espírito que dá a vida, é consolo, é presença querida no coração, é descanso, é alívio. Ele lava, purifica, rega, cura, guia e aquece. O Mistério da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, um Espírito inefável, um vento que ninguém controla, tem do Pai o coração, do Filho a solicitude. Ele não é privilégio de escolhidos, mas presente em todos como vida. “O Pai vos dará outro Consolador que estará sempre convosco” (Jo 14,16). Jesus encarnou-se em nossa natureza humana com todos os traços humanos. O Espírito descendo sobre nós, continua presente em nossa humanidade, carente, mas feliz, uma presença paterna e com solicitude materna. É isso que vemos em nossas celebrações: Ele nos faz corpo de Cristo unido pelo Espírito.

 Recebei o Espírito Santo

               Naquela tarde de domingo, os discípulos, estando fechados em uma sala, Jesus se põe no meio deles. Soprando sobre eles envia-os para a remissão e reconciliação (Jo 20,19). Paulo pede que o pecado não domine mais sobre nós (Rm 6,14). Nosso relacionamento com Deus se faz pelo Espírito, não porque queiramos, mas porque é o único modo, pois a Palavra de Deus nos ensina: “Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo” (1Cor 12,3). A ação do Espírito nos põe em relacionamento com Deus e com os irmãos. Ele distribui dons para o bem comum. Esses dons se atualizam no corpo de Cristo do qual somos membros e com eles estamos em contínuo relacionamento. Não existe minha religião, minha oração. É todo o Corpo que age como um todo. Não há cristianismo vivido individualmente, mas sim, do individual para o comunitário e do comunitário para o pessoal em vista de todo o Corpo. A salvação eterna se dá dentro da comunidade.

Leituras: Atos, 2,1-11;Salmo 103; 1Coríntios 12,3b-7.12-13;João 20,19-23.

Ficha nº 1030 – Homilia da Solenidade de Pentecostes (12.06.11)

1.Pentecostes acontece hoje, pois é para todos os povos e nações. Realiza-se agora o mesmo mistério do dom de Jesus. O Espírito é sempre atual. Toda cultura pode acolher o evangelho e anunciá-lo. É bela a diversidade da Igreja, partindo da unidade.

2.A Sequencia chama o Espírito de Pai dos pobres. Tem a missão de mostrar a bondade para com os necessitados. Tem o coração do Pai e a solicitude do Filho. É uma presença paterna com solicitude materna. 

3.Os discípulos receberam o Espírito para continuar a missão de reconciliação de Jesus. Nós nos relacionamos com Deus pelo Espírito. Ele nos dá os dons para o serviço do Corpo de Cristo. Não há individualismo em nossa fé.

Pegando fogo dentro d’água.

             Jesus passou tantos anos dando o testemunho da Palavra de Deus. Pela sua vida, morte e ressurreição Ele nos abriu as portas do Céu. Estamos salvos. Para que essa beleza penetre nossa vida, dá-nos o Espírito Santo que é a alma do Corpo de Cristo que é a Igreja. Sem o Espírito Santo, não alcançamos a salvação, pois é Ele quem abre os corações à graça.

Todo relacionamento com Deus pela fé, é realizado através do Espírito Santo. Ninguém professa a fé em Jesus a não ser pelo Espírito Santo (1Cor 12,3) É Ele quem faz a união de todos os membros de Cristo que somos nós e realiza a comunhão

Distribui os dons para o bem da Igreja. Esses dons se manifestam através dos serviços.

Jesus nos deu o Espírito para realizar a reconciliação de todo o mundo com Deus e das pessoas entre si. O perdão é o dom da reconciliação.

O Espírito reza em nós, une nossas frágeis orações e as entrega a Deus.

O fogo do Espírito acendeu-se nas águas do Batismo.

Anúncios

Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
Esse post foi publicado em Teologia - reflexão. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s