SER FELIZ

A CIÊNCIA DA FELICIDADE

JOÃO LOCH

Psicólogo Clínico e Acupunturista

Mestre em Psicologia da Educação

Estas considerações foram preparadas tendo em vista um encontro com educadores de uma creche, com o objetivo de ajudá-los a se posicionarem de uma forma mas satisfatórias diante da vida e do próprio compromisso com as crianças que deles precisam, como contratados ou como voluntários. É baseado no artigo de Susan Andrews, publicado na Revista Mente&Cérebro, como indicado na bibliografia, com alguns acréscimos e considerações pessoais.

Algumas orientações que podem ajudar a nos posicionarmos perante a vida de uma forma que nos sintamos mais felizes.  Isto quer dizer que também se pode aprender a ser feliz.

No nosso compromisso educacional, como nos colocamos frente às várias situações, no contexto de relacionamento com a criança, com o aluno, estamos passando valores e sendo modelos.

A criança aprende com o que lhe falamos e, principalmente, com o como falamos e como agimos nas situações concretas.

Podemos ser firmes, ensinando as regras de convivência, o respeito ao outro, a colaboração….sem sermos agressivos ou destrutivos.

A forma como nos colocamos frente à criança, está relacionada com nossas próprias convicções, a maneira de como vemos a criança, como acreditamos na nossa ação educadora, como lidamos com nossas frustrações e como superamos os traumas que já tivemos na vida. Todos nós somos fruto de um contexto familiar, social, religioso, e temos nossas marcas, nossos desequilíbrios. E se não soubermos lidar com nossas próprias frustrações, perdas e sentimentos negativos, corremos o risco, e isto frequentemente acontece, de não sabermos lidar com situações similares que se manifestam no outro.

Quando as crianças vêm de uma situação de carência em quase todos os aspectos da vida, podemos ver nessas crianças a explicitação da nossa vida ou dos nossos medos e tratá-las como uma ameaça ao nosso frágil equilíbrio. Pensamos que estamos nervosos por causa da criança mas, na verdade, estamos mal por causa de nós mesmos. E podemos ser violentos com a criança/aluno, sem percebermos.

Como uma das grandes preocupações de quase todo mundo é SER FELIZ, vou apresentar , a seguir, algumas dicas baseadas em pesquisas, que podem nos ajudar a entender que podemos construir a felicidade mediante algumas posturas até relativamente simples, mas que precisam ser conscientizadas e treinadas, para que passem a fazer parte de nosso cotidiano. Sentindo-nos mais felizes, também trataremos melhor as pessoas que precisam e se aproximam de nós. As crianças precisam de nós. E nós precisamos delas, já que estamos em um contexto do qual elas fazem parte. Elas não podem ser vistas só como problemas, mas como seres em desenvolvimento no qual, por nossa atuação temos grande importância.

DOIS FATORES QUE TÊM SIDO REPETIDAMENTE APONTADOS COMO AQUELES QUE PROPORCIONAM FELICIDADE DURADOURA:

1º. FORTES LAÇOS AFETIVOS COM AMIGOS E FAMILIARES. Pessoas casadas (ou que mantêm um relacionamento afetivo estável), por exemplo, costumam ser mais felizes do que as solteiras; alguns especialistas chegam a dizer que o casamento acrescenta, em media, sete anos de vida ao homem e quatro à mulher.

2º. A SENSAÇÃO DE SIGNIFICADO NA VIDA. A crença em algo superior a si mesmo, derivada  de religião, da espiritualidade ou de uma filosofia pessoal de vida. Em outras palavras, um propósito fora de nós mesmos, a sensação de estar contribuindo para algo importante, maior que nós. Independente do salário recebido, pessoas que acreditam estar contribuindo para um bem maior, são mais satisfeitos com a vida.

O que se ganha, monetariamente, além de um certo patamar – quando as necessidades básicas relacionadas com alimento, moradia, segurança e emprego são atendidas -, mais riqueza não torna as pessoas mais felizes, conforme pesquisa feita por Richard Easterlin, da Univ. da Califórnia do Sul.

ADAPTAÇÃO HEDÔNICA: coisas maravilhosas são sentidas assim a primeira vez que acontecem, mas usa fascinação se dissipa com a repetição. Nós nos acostumamos muito rapidamente a uma situação que nos deixou muito felizes, mas com a repetição, se não estivermos atentos, nem vemos ou ouvimos mais. Compare, por exemplo, a emoção que você sentiu a primeira vez que seu filho disse mamãe, com a última vez. Ou a emoção que você sentiu quando ouviu pela primeira vez a palavra “eu te amo” de uma pessoa e como foi se sentindo com o passar do tempo e a repetição da mesma palavra pela mesma pessoa.

Com o passar do tempo, uma experiência muito agradável, vai produzindo cada vez menos satisfação. Seres humanos habituam-se muito rapidamente à mudança. Quanto mais uma satisfação prazerosa for repetida ao longo do tempo, menos satisfação gerará.

De acordo com o psicólogo Edward Diener, da Univ. de Illinois, essa procura da felicidade por meio de objetos externos nos distrai de desfrutar o momento presente. Essa mesma busca pode diminuir nosso grau de satisfação. É como a dependência química, que garante prazer no início, mas ao longo do tempo, obriga a pessoa a obter mais daquela substância para que se sinta bem – ou para que não fique tão mal.

Uma outra coisa que pode atrapalhar é que os psicólogos chamam de “ANSIEDADE DE REFERÊNCIA – a tendência que temos de nos equiparar com outras pessoas do nosso circulo de convivência. A maior parte das pessoas julga sua vida e seus bens em relação ao que os outros são ou possuem. Uma pessoa se sente mais feliz se ganha dois salários e seus vizinhos ganham um salário, do que se ganha cinco salários e seus vizinhos ganham 10 salários.

Somos contaminados com a idéia de que quanto mais opções podemos ter, mais felizes nos sentimos. O problema é que ter muitas opções é que muitas vezes nos deixa paralisados.

Pessoas mais felizes são aquelas que saboreiam e valorizam mais suas conquistas. Quem está sempre a procura de coisas novas, pode nem saborear as coisas boas que estão lhe acontecendo.

FATOR BIIOLÓGICO E FELICIDADE – os genes afetam a nossa felicidade, conforme pesquisas mais recente de forma indireta, ao influenciar ao influenciar os tipos de experiências e ambientes que buscamos. Mas sabe-se hoje que  a satisfação com a vida tem um componente inato (algumas pessoas nascem felizes e permanecem assim), mas também podemos aprender a cultivar esse estado de felicidade.

FÓRMULA MÁGICA DA FELICIDADE:

Podemos aumentar o nosso nível de prazer com a própria existência. A influência dos genes corresponde a só 50%, conforme Joseph D. Lykken, da nossa atitude de vida. Quanto aos outros 50% os pesquisadores sugerem uma fórmula: FELICIDADE = G + C + AV onde FELICIDADE = GENES + CONDIÇÕES EXTERNAS+ ATIVIDADES VOLITIVAS.             “Ações intencionais, determinadas pela vontade, oferecem as melhores perspectivas para aumentar e sustentar a satisfação” (Sonja Lyubomirsky, ganhadora do prêmio INSTITUTO NACIONAL DE SAÚDE MENTAL DOS ESTADOS UNIDOS em 2008). Mas são necessários  esforço concentrado  e compromisso consistente; somente atividades intencionais podem gerar mudanças sustentáveis em relação ao bem-estar”. A partir de muitas pesquisas, chegou-se a algumas conclusões do que comprovadamente contribui para o “hábito” de ser feliz.

Vamos aos itens:

1. UMA LISTA DE GRATIDÃO.  É de um extraordinário valor psicológico. A gratidão é um antídoto contra emoções negativas, depressão, ansiedade, solidão e excesso de crítica. Também evita a adaptação hedônica, um dos inimigos da felicidade, e assim podemos continuar a extrair satisfação das coisas boas da vida. Não é preciso agradecer por grandes acontecimentos; boa saúde, saborear seu prato predileto, ouvir as palavras “eu te amo” e também falar ou, finalmente, pegar um objeto que deixou para o conserto…

2. IOGA. Uma única aula tem o efeito de baixar os níveis de cortisol – hormônio do estresse.

3. MASSAGEM. Algumas poucas semanas de massagem reduzem o nível de cortisol em 30%. Além disso, constata-se o aumento dos neurotransmissores do bem-estar (serotonina –  até 28%) e do prazer (dopamina – mais de 30%). A prática também melhora o funcionamento mental. Crianças hiperativas que receberam 15 min de massagem regularmente saíram-se melhor em testes de desempenho cognitivo e mostraram um aumento na atenção. A diminuição do cortisol favorece o desempenho mental. VALE A AUTOMASSAGEM, DANDO ATENÇÃO ESPECIAL AO ROSTO, AO PESCOÇO, ÀS VIRILHAS E AOS JOELHOS, REGIÃO ONDE SE LOCALIZAM MUITOS NINFONODOS, BENEFICIANDO, ASSIM, O CORPO INTEIRO.

4. RESPIRAÇÃO.

A pressa, a cobrança exagerada de desempenho, a falta de tempo….gera um grande estresse, alterando o funcionamento normal do organismo.

Um dos melhores modos de desacelerar é praticar alguns minutos de relaxamento profundo, acompanhado de respiração diafragmática ao menos uma vez por dia. Quando inspiramos profundamente, estimulamos o sistema nervoso parassimpático, que relaxa todo o organismo.  Ao distender para baixo, na respiração, empurramos os órgãos internos para a frente, massageando as áreas digestivas e melhorando  seu funcionamento.

5. MEDITAÇÃO.

Pessoas que não tinham o costume de meditar e o fizeram por apenas seis semanas, vivenciaram uma significativa diminuição do nível de cortisol, conforme pesquisas desenvolvidas no Departamento de Medicina da Univ. Chulalongkorn, em Bangoc, na Tailândia. Outra pesquisa conduzida pelo ex-presidente do Conselho Americano de Medicina Antienvelhecimento, Vincent Giampapa, revelou que a prática meditativa regular pode diminuir os níveis excessivos de cortisol em até 47%. Estudantes chineses da Univ. de Tecnologia de Daliam, que fizeram a prática pela primeira vez por apenas 20 minutos, durante cinco dias, experimentaram redução também de ansiedade, de confusão, raiva e até depressão.

6. FAZER O BEM.

Gente feliz é mais propensa a agir de modo altruísta, mas até recentemente ninguém havia provado que fazer o bem de fato torna as pessoas mais felizes. Pesquisa desenvolvida pela psicóloga Sonja Lyubomirsky, da Universidade Stanford, Estados Unidos, quem conduziu um experimento no qual foi pedido aos participantes que fizessem cinco atos de caridade por semana, no decorrer de seis semanas. As ações poderiam ser grandes ou pequenas e a pessoa que recebesse a ajuda poderia estar consciente de que estava sendo ajudada. Resultado: a prática regular da benevolência tornava os voluntários mais felizes – e não só no momento, mas por um longo período, especialmente se a pessoa não contava a ninguém e não esperava nada em troca.

Um estudo com mais de 1700 pessoas feito pelo Instituto para o Avanço da Saúde, nos Estados Unidos, concluiu que comportamentos e emoções altruístas produzem uma espécie de “barato d quem ajuda”, que alivia estresse, enxaqueca e até dores associadas a transtornos sérios, como lúpus e esclerose múltipla.

7. EXPRESSAR VIRTUDES.

O psicólogo Martin Seligman, um dos fundadores da psicologia positiva e professor de psicologia da Universidade da Pensilvânia, e sua equipe de pesquisadores, pesquisaram os ensinamentos de Aristóteles, Platão, São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, Buda, Confúcio, Lao-Tsé, Benjamim Franklin, além dos textos do Talmud, da Bíblia, do Código Samurai e do Corão. Descobriram que ao longo de 3 mil anos, praticamente todos endossavam as mesmas virtudes: sabedoria e conhecimento; coragem; amor e humanidade; justiça; temperança (autocontrole); espiritualidade; e transcendência.  A pessoa fica mais feliz, por exemplo, se devolve ao caixa um troco que veio a mais do que se ficar com o dinheiro para si. Ser honesta nos faz sentir um grande bem estar.

Em geral, ajuda a escolher cerca de 2 ou 3 características entre as virtudes fundamentais e ficar atento para praticá-las. Quando realmente nos empenhamos na expressão das nossas competências-chava podemos experienciar o que o psicólogo húngaro Mihali Csikszentmihaly chama de “estado de fluxo”, que favorece a concentração no aqui e no agora, qualquer que seja a tarefa realizada.

8. UMA META MAIOR.

O poder de fluxo tem a ver também com espiritualidade, já que nos ajuda a lembrar de um dos mais fortes e sutis caminhos para o bem-estar: a sensação de se dedicar a algo maior que si próprio. “Quem viveu em campos de concentração, lembra de prisioneiros que andavam pelos alojamentos consolando os demais, doando seu último pedaço de pão”, diz o psicólogo austríaco Viktor Frankl, preso pelos nazistas em Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial. Ele afirma que “tudo pode ser tirado dos seres humanos, exceto uma, a última das liberdades: a de escolher suas atitudes naquelas circunstâncias, a de escolher seu próprio caminho”. Para Frankl, “o sofrimento não é um obstáculo à satisfação, mas pode ser um meio para obtê-la. Para a logoterapia é importante sempre perguntar: “o que a vida exige de mim neste momento”. A felicidade vem a reboque.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Estão sendo testadas várias drogas que regulam o cortisol, mas elas têm efeitos colaterais que variam de náusea a danos ao fígado. Cientistas também têm investigado abordagens alternativas que se propõem favorecer a bioquímica humana sem drogas. “O mais importante é criarmos o hábito de instigar a felicidade sistematicamente, num exercício diário”, afirma a doutora em psicologia social Sonja lyubomirsky. Como fazer isto?

. Valorize o que há de bom, o que está funcionando na sua vida, o que lhe faz bem e lhe acontece, o bem que você pode e faz.

. Perdoe – ao perdoar nós estamos nos libertando daquilo que o outro nos fez e está nos fazendo mal; assim nos liberamos para continuar dinamizando a nossa vida, não ficando como estátua, petrificada, imobilizada.

. Medite. Existem várias técnicas de meditação. Procure aprender uma com a qual se identifique.

. Exercite-se. Crie uma rotina de exercícios. Pode ser uma caminhada, alongamento, um esporte.

. Relaxe. Aprenda a relaxar, soltar as tensões físicas e emocionais, sem precisar descarregar em alguém e nem sobre si mesmo.

. Sirva aos outros. Talvez esta proposta tão acentuada por Jesus e na sua própria vida, ainda não tenha sido entendida na sua profundidade.

. Dedique-se a uma meta significativa, a um propósito além de você mesmo. E persista. Essas não são só orientações milenares de santos e sábios, mas sim conclusões de renomados neurocientistas, geneticistas, médicos e psicólogos, para quem acha que só o que vem da ciência tem valor.  Ninguém precisa ficar à mercê de herança genética, de pensamentos pessimistas ou de circunstâncias adversas – é possível buscar a alegria dentro de nós.

Bibliografia

ANDREWS, Susan. A CIÊNCIA DA FELICIDADE. In MENTE & CÉREBRO, ano 18, n. 223, p. 26-35

A própria Susan indica dois livros seus, publicados pela Editora Ágora:  A CIÊNCIA DE SER FELIZ:  conheça os caminhos práticos que trazem bem-estar e alegria, 2011.

STRESS A SEU FAVOR: como gerenciar sua vida em tempos de crise, 2003.

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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