A ARTE DE VIVER

ARTE DE VIVER

Como afirmam Roberto Hirsch e Venina Lígia de Castro, a arte de “estar” na vida, é um processo de conscientização percepção constante de si. Tendo como premissa que cada um de nós vive no dia a dia um grande número de papéis, nos diversos palcos existenciais, é importante uma redefinição das prioridades pessoais, organização das atividades pessoais/profissionais, transformação dos desejos em realidade e as opções que existem para realizá-los.

Nossas possibilidades de transformações ocorrem através dos DESAFIOS que enfrentamos.

Os DESAFIOS, tanto particulares como profissionais, nos são apresentados a todo momento. Alguns DESAFIOS chegam-nos em conseqüência de comunicações ou pedidos de terceiros, outros somos nós mesmos que os descobrimos a partir de uma circunstância nova ou desconcertante.

É necessário que, para cada desafio se faça algumas perguntas de definição de IDENTIDADE, do tipo:

– Esse desafio é mesmo meu?

– É somente meu?

– Como seria se fosse de outra pessoa?

– É meu desejo enfrentá-lo?

Importante é estar alerta para a questão da identidade: NENHUM  DESAFIO É EXATAMENTE IGUAL PARA TODOS.

A percepção do desafio está muito ligada à leitura dos PALCOS EXISTENCIAIS e dos QUALIFICADORES SITUACIONAIS que conseqüentemente, determinam nossos PAPÉIS.

Podemos dizer, que O VIVER A VIDA é que nos possibilita enfrentar desafios, perceber contextos, transitar em palcos existenciais e desempenhar papéis.

Todos nós vivemos diversos papéis: Mãe (ou pai), Esposa (esposo, companheiro, etc.), namorado, gerente, estudante, empregado, amigo, educador, síndico, pastor, diretor de clube, ecologista, etc.

Todo papel tem seu complementar, ou seja, um outro papel que o complementa:

– o pai tem o filho

– o estudante tem o professor

– o artista tem o público, e assim por diante

Todo papel também ocorre em um palco existencial:

– pai – mãe – filho – esposa – etc. são papéis cujo palco é a FAMÍLIA.

– patrão – empregado – gerente – etc. é a EMPRESA.

– estudante – professor – diretor – etc. é a ESCOLA.

São os papéis e os palcos que dão consistência à nossa vida.

Existe uma hierarquia entre esses papéis em seu cotidiano real. É importante saber como nos sentimos vivendo cada papel; em uns nos sentimos melhor ou mais confortáveis que em outros. Alguns parece que nem são nossos, ou os vivemos como quem veste uma roupa que não lhe cabe bem.

É oportuno perguntar por que nos sentimos desconfortáveis em alguns? ou porque mantemos papéis que já não se adequam? ou vivemos papéis que não têm complementares? ou não nos satisfazem no nosso cotidiano? ou vivemos papéis em palcos existenciais diversos?, ao passo que deixamos de fora outros que possibilitariam ou mudariam nossa vida na direção que desejamos caminhar. É importante saber como nos sentimos em cada papel…

Surgem ai os QUALIFICADORES SITUACIONAIS que nos ajudam na análise de nossos DESAFIOS.

Esses qualificadores têm ligação direta com nossos papéis e palcos existenciais, e devem ser questionados e repensados.

Alguns deles: inadequações – excesso – insuficiências – rotinas – oportunidades – conflitos – má comunicação – desgastes – perdas – riscos – ansiedades – medo – situações trancadas (normalidade) – etc…

Como questioná-los?

– repensando(questionando) verbo SER, se não é verbo ESTAR.

papéis são passageiros, ora sou, ora estou (apego/desapego)

– questionar “normalidade” normal), (natural

– qualidade da complementariedade (toda relação corresponde a 50% – sempre há 2 pólos – direito/ esquerdo).

– olhar (o mundo é a forma de minha experiência dele).

– pensar é a técnica de como a inteligência interfere na experiência

Todo este contexto DESAFIOS, PAPÉIS, PALCOS EXISTENCIAIS, QUALIFICADORES SITUACIONAIS existem em uma dimensão que damos o nome de TEMPO.

O tempo é a dimensão que torna todos os SERES iguais, pois ele é IRREVERSÍVEL INELÁSTICO, INEGOCIÁVEL e principalmente IRRECUPERÁVEL.

Nosso tempo só pode ser construído para o futuro, o tempo passado é história.

Tempo, em síntese, é vida. Desperdiçar o tempo é desperdiçar a vida. Dominar o tempo é dominar a vida, tirar o melhor proveito dela, dando-lhe sentido e direção, obtendo os resultados desejados, gratificando-se com eles e obtendo a auto-realização. Coloco mais uma pergunta: será que é possível desperdiçar o tempo? É possível que o desperdício não o seja, pois pode ser só uma forma diferente de viver o tempo.

Para refletirmos um pouco sobre estas questões incluímos a seguir, trechos do livro O DIA DO CURINGA, de Jostein Gaarder.

Na praia, uma criança“. . .  constrói um castelo de areia, por um momento, contempla admirada a sua obra. Depois destrói tudo e constrói um outro castelo. Da mesma forma, o tempo permite que o globo terrestre realize seus experimentos. Aqui nesta praça se escreveu a história do mundo; aqui os acontecimentos foram gravados na memória das pessoas, e depois novamente apagados. Na Terra, a vida pulsa de forma desordenada, até que um belo dia nós somos modelados . . . com o mesmo e frágil material de nossos antepassados. O sopro do tempo nos perpassa, nos carrega e se incorpora a nós. Depois se desprende de nós e nos deixa cair. Somos arrebatados como num passe de mágica e depois novamente abandonados. Sempre há alguma coisa fermentando, à espera de tomar nosso lugar. Isso porque não temos um solo firme sob os nossos pés. Não temos sequer areia sob os pés. Nós somos areia.

. . . Não há um lugar onde possamos nos esconder para escapar do tempo. Podemos escapar de reis e imperadores, e talvez até de Deus. Mas não  podemos escapar do tempo. O tempo nos enxerga em toda a parte, pois tudo à nossa volta está mergulhado nesse elemento infatigável.

Nós passamos e são os nossos relógios que fazem tique-taque. O tempo vai devorando tudo através da história, silenciosa e inexoravelmente, como o sol se levanta no Leste e se põe no Oeste. Ele destrói civilizações, corrói antigos monumentos e engole gerações. Por isso é que falamos dos “dentes de engrenagem do tempo”: o tempo mastiga, mastiga . . . e somos nós que estamos no meio dos seus dentes.

Estamos vivos. Podemos dizer, de braços abertos, que existimos. Mas logo somos colocados de lado e enfiados no saco das trevas da história. Pois somos criaturas sem retorno. Somos parte de um eterno baile de máscaras, em que os mascarados vêm e se vão. Só acho que mereceríamos coisa melhor, como afirma Hans-Thomas. Você e eu mereceríamos ter nossos nomes gravados em alguma coisa eterna, que não fosse apagada como o mar que destrói o castelo de areia.  Talvez não sejamos apagados. Enquanto eu estiver consciente e no pensamento de alguém, sou eterno e quem estiver no meu pensamento, sentimento de saudade, de carinho, de presença, de sonhos, também é eterno. Se enquanto eu existir eu sou eterno, assim como você, então o tempo não pode nos destruir. E quando ultrapassarmos o tempo cronológico, entraremos no tempo cósmico, o tempo de Deus, o tempo em que tudo é presente. Aí, passado e futuro já não farão mais sentido. E poderíamos parar de escrever por aqui. Mas, dentro da linha de reflexão, que é cronológica, ainda se pode escrever mais algumas coisas que podem até parecer estar em contradição.

Você acredita que haja alguma coisa que não possa ser levada como a areia do castelo que a água do mar destrói?  disse ele, e apontou para sua cabeça.  “Aqui dentro tem alguma coisa que não pode ser levada. O pensamento não pode ser levado.  Os Filósofos em Atenas achavam que também há uma coisa que não passa. Platão chamava isso de o mundo das idéias. Pois não é o castelo de areia a coisa mais importante na brincadeira da criança. O mais importante é a imagem de um castelo de areia que a criança tem na cabeça antes de começar a construir o castelo. Por que outra razão você acha que ela destrói com as mãos o castelo que acabou de construir?”. . .

Assim como a criança destrói com as mãos o castelo que acabou de construir, porque o tem construído na imaginação, temos também a possibilidade de construirmos nossa vida, esse presente valioso que ganhamos ao nascer. E a nossa imaginação já construiu várias vidas. E todas valem, porque todas são concretas enquanto pensamos nelas.

Dependendo da forma de encararmos nossos desafios, usarmos os qualificadores situacionais, assumirmos nossos papéis nos devidos palcos existenciais e usarmos o tempo adequadamente, faremos desse presente uma ameaça ou uma oportunidade.

Cabe a cada um saber escolher. É uma simples questão de livre arbítrio. Ou quase livre arbítrio.

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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