Paz: superação das contradições

Uma visão panorâmica do cenário histórico-religioso

O mundo, globalizante e neoliberal, está se tornando uma verdadeira babilônia confusa, agressiva, covarde, insensível à dor humana. Poucos têm muito; muitos nada têm. O conflito do Oriente Médio é apenas um aspecto de toda uma guerra dos mais fortes contra os mais fracos, atingindo o mundo inteiro.

A leitura do Apocalipse de João, especialmente o capítulo 18, faz-nos pensar que o autor do livro estava diante das Torres do World Trade Center, em Nova York, A Nova Roma, a Nova Babilônia. A queda das Torres, na verdade, simboliza a queda de um poder que já não tem mais muita consistência. Os oprimidos começam a se organizar. Respondem com violência aos ataques dos poderosos. A destruição do destruidor é inevitável. Inocentes estão pagando pela ignorância dos adultos. Entretanto, o Príncipe da Paz, Jesus anunciou a paz em Jerusalém, que significa cidade da paz.

Não haverá paz sem justiça. Não haverá paz sem perdão. A religião não justifica a violência. O ideal bíblico é o que reza o Salmão 84,11: “justiça e paz se abraçarão”.

Abraão – (pai de muita gente) – ano 1850 a.C. caldeu, de Ur, tendo vivido entre pagãos politeístas (Gênesis 12ss) descobriu a fé num Único Senhor. Com Sara (princesa), Abraão partiu para a terra de Canaã, onde se iniciou à formação do povo escolhido por Deus.

Ismael (aquele que Deus ouve), nasceu da escrava Agar (egípcia – estrangeira), expulsa para a Arábia, da qual foi nascendo um povo, hoje identificado como árabe, islamita, palestino ou mulçumano.

Isaque (sig. riso) nasceu de Sara e foi considerado como filho legítimo da promessa. Casou-se com Rebeca (aquela que cativa), de quem nasce Esaú (cabeludo) e Jacó (enganador) , chamado também Israel (aquele que luta com Deus). De Esaú nasceram os edomitas (vermelho) inimigos terríveis de seus primos, os judeus.

Os judeus herdaram seu nome de Judá (louvor), quando filho de Jacó e Lia (vaca brava).

O povo judeu nasceu entre conflitos. Foi o único povo que, nas guerras, costumava fazer massacre total dos vencidos, dado que eles não admitiam outras raças como dignas de viver. Os outros povos, quando venciam em suas guerras, aproveitavam o que lhes pudesse servir como riqueza, mulheres bonitas e homens fortes para o trabalho.

Em Dt. 20, a ordem era propor a paz, significava que o inimigo deveria aceitar ser escravo submisso. Se não aceitasse a paz, o inimigo deveria ser dizimado, em nome de Deus. Em Dt. 2, vemos o massacre, extermínio e genocídio dos edomitas, moabitas e seonitas. Os judeus, pelas suas invasões de terras, eram acostumados com massacres, extermínios e matanças, em massa, de seus inimigos em nome de Deus. Os antigos moradores da terra de Canaã, os canaeus, os heteus, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus foram sempre perseguidos pelos judeus.

Quando os hebreus foram dominados pelos egípcios, assírios, babilônios, persas, gregos, selêucidas e romanos, puderam sempre manifestar sua fé e sua cultura. Nunca foram dizimados como costumavam fazer, quando venciam algum povo.

Jerusalém já existia havia cerca de mil anos quando Davi ali chegou e a invadiu. Entretanto, Jerusalém foi tomada e se tornou a capital dos judeus. Hoje a capital é Tel Aviv. Mas Jerusalém era o lugar sagrado, onde se encontrava o Templo construído por Salomão destruído pelos babilônios e pelos romanos no ano 70 dC. Conta-se que foi na área do Templo, Monte Moriá, que Abraão teria ido sacrificar o seu filho Isaque. Diferentemente, os mulçumanos acreditam que foi desse lugar que Maomé partiu para o seio de Alá. Por isso construíram, no lugar do templo sagrado e destruído, as mesquitas de Omar e El Aksa.

No ano 131, os romanos expulsaram os judeus de suas terras, fazendo acontecer o que nós conhecemos como diáspora.

Na Idade Média, os judeus eram perseguidos por pertencerem à raça que matou a Jesus.

No século XIX, os judeus foram perseguidos na Rússia. Refugiaram-se na Alemanha, polônia e Tchecoslováquia.

Em 1870, os judeus pediram ajuda financeira e militar à Inglaterra e a judeus milionários para retornarem para a Palestina – (nome originado de Filisteus, ou filistins, inimigos incircuncisos moradores do sudoeste da terra dos cananeus).

Depois da Primeira Guerra, a Palestina se transforma em um Protetorado Inglês, quando havia apenas 2% de judeus e 95% de mulçumanos. Os Judeus compraram, então, barato, muitas propriedades dos moradores autóctones palestinos.

A Palestina foi dividida depois da 2ª Guerra Mundial, ficando, pela resolução 181, 56% parar os palestinos e 44% para os judeus. Os judeus conseguiram 78% das terras  palestinas em 1948, restando apenas 22% para os palestinos.

Em 1967, com a guerra dos Sete Dias, os judeus ocuparam 100% das terras palestinas: Cisjordânia – Jerusalém, Sinai, Gaza, Golan. Praticamente, a autonomia palestina ficou anulada. Foi estabelecido um controle militar severo para todas as cidades e ruas onde morassem palestinos. Os judeus podem ter imprensa, controlar a mídia mundial, armas pesadas, tanques, fuzis, exército contra os palestinos que têm apenas pedras e alguns fuzis. A Organização da Nações Unidas (ONU), cujos líderes geralmente são judeus, é controlada pelos USA e Inglaterra e não querem demarcar as terras palestinas de um modo  racional, justo, dando a cada um o que lhe pertence.

Pás, shalon, Irene, peace, pace, paz: um desafio para a humanidade. A guerra não acontece somente no Oriente Médio (O.M.). a imposição injusta sobre os palestinos atinge também os Países em desenvolvimento da América Latina. Argentina, Brasil e o Caribe hoje têm milhões de filhos, mais do que no O.M., morrendo de fome por causa da política neoliberal imposta a nós pelos Bancos e FMI.

Está na hora de percebermos que o conflito do Oriente Médio é, na realidade, uma guerra que está provocando no mundo inteiro, mortes por bombas, tanques e, mais profusamente, por fome, desemprego, prostituição, servilismo, provocados pelo sistema econômico mundial escravizante. É uma guerra que ajuda a classe dominante em vendas de armas e até de remédios.

Entretanto, o dia onze de setembro de 2001 pode ser um símbolo inicial de algo novo em que Davi vence Golias e o Menino vence o Dragão. Está na hora de vivermos a Bem-Aventurança: “bem-aventurados os que promovem a paz” (Mt.5,9). “Si vis pacem para pacem”.

Pe. Geraldo Ildeo Franco

Vigário da Paróquia do Sagrado Coração de Ipatinga, MG

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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