AS 3 FALAS DO PAPA

AS 3 FALAS DO PAPA

( Jornal do Brasil – 18/02/2013 )
O Pontífice Bento XVI, em três momentos diferentes, exortou os
cristãos a viverem o cristianismo com intensidade e valores. No dia
11, ao renunciar ao Papado, demonstrando, com humildade, o
desapego a quaisquer gloriolas humanas e abrindo espaço para um
sucessor com mais forças físicas do que ele assumir; mostrou no
dia 13, na cerimônia da quarta-feira de cinzas, que o seguidor de
Cristo não deve se dividir em variadas posições doutrinárias, ou
seja, deve ser um ser humano “de uma peça só”. Por fim, no dia 14
de fevereiro, com muito bom humor, falou com os sacerdotes sobre
a missão da Igreja no mundo e a necessidade, sem perda de
valores, de estar sempre atualizada.
A esmagadora maioria dos que examinaram as três falas do Papa,
na mídia, por acostumados a tratar com o poder humano,
interpretaram-nas como se fossem manifestação de um político
cuidando do poder temporal e, por isto, por não perceberam a
transcendência das falas papais. Não perceberam também a
dimensão real da mensagem de Bento XVI e, portanto, sua análise
para dizer, o mínimo, foi equivocada, quando não preconceituosa.
Nós, os católicos, vimos, todavia, tais manifestações, no patamar
em que foram feitas e, portanto, vislumbramos humildade e
desapego, na primeira, exortação à unidade da Igreja, na segunda e
a certeza de que o Espírito Santo inspirará o novo Papa, que, como
todos os Papas, introduzirá o seu toque de modernidade próprio da
época em que viver.
Quem pretendeu ver, na renúncia, apenas uma luta humana pelo
Poder, engana-se profundamente. Quem tiver visto o poder de 2
2
Deus, outorgado a seu vice-rei na terra, compreendeu o gesto
papal, na medida em que governa uma Igreja para 1 bilhão e 200
milhões de almas espalhadas por todo o mundo e tal governo exige
um vigor que os problemas de saúde já não lhe permitem, inclusive
a artrite e os problemas de quadris, joelhos, tornozelos, que tornam
todas as inúmeras cerimônias que é obrigado a presidir, a
autênticos calvários. Como sofro, com 8 anos menos, de idênticos
problemas de saúde, sei quão dolorosa é a missão papal e quão
difícil é permanecer em pé por muito tempo.
Os católicos devem, portanto, agradecer pelo fantástico legado de
Bento XVI e ter confiança de que o Espírito Santo inspirará a
eleição do novo Papa. Ele será recebido pela comunidade cristã,
com o mesmo carinho que sempre devotou a todos os pontífices.
Esta é a única verdade. O resto é especulação sobre poderes
temporais, que se aplicam a todos aqueles que querem o poder
humano (veja “Minha breve teoria do poder”, Ed. Revista dos
Tribunais), mas não se aplicam à Santa Sé.

 Prof. Ives Gandra Martins

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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