A PALESTINA NO TEMPO DE JESUS

Cap.2.

1. A Palestina no Tempo de Jesus

É importante conhecer um pouco de história nesses tempos em que Roma era o grande reino, que dominava inclusive a Palestina. Serão elencados alguns reis e o tempo de reinado, porque vários desses reis são cita­dos  no Novo Testamento. Alguns ocuparam um espaço importante no cristianismo pelo fato de te­rem participado ativamente da perseguição aos cristãos. São responsáveis pelas torturas sofri­das pelos primeiros cristãos. Localiza-los no tempo é ter certeza de que existi­ram e também serve para localizar historicamente o próprio Jesus.

O Império  Romano tinha na agricultura a base econômica. Os principais produtos: ce­reais e legumes; vinha e oliveira nas regiões mediterrâneas; pecuária para o corte. Também usavam animais para o transporte.

Havia também o artesanato e a exploração mineral.

O meio mais rápido de locomoção era por via marítima. O tempo navegável era de 5 de março a 31 de novembro, quando o mar estava “aberto”.

Resumo cronológico dos imperadores romanos que reinaram antes de Cristo.

49: César entra na Itália com seus exércitos. Tem início as guerras civis. É im­plan­tada a ditadura de César.

48: Pompeu é vencido na batalha de Farsala.

44: Assassinato de César.

43: Triunvirato: Marco Antônio, Otávio e Lápido.

42: Os “Republicanos” são derrotados em Filipos.

31: Batalha de Actium – derrota de Marco Antônio e Cleópatra.

27: Otávio recebe o título de Augusto. Seu poder é confirmado pelo Senado e lhe é reconhecido o domínio proconsular sobre as províncias imperiais.

12: Augusto toma o título de Pontífice Máximo.

2: Augusto proclamado Pai da Pátria.

Resumo cronológico dos imperadores que reinaram no Império Romano depois de Cristo.

14: Morte de Augusto.

Dinastia dos Júlio-Cláudios

14-37: Tibério.               37-41: Calígula.

41-54: Cláudio.              54-68: Nero

68-69: Reinados efêmeros de Galga, Otão e Vitelio

Dinastia dos Flávios

69-79: Vespasiano.              79-81: Tito.                   81-96: Domiciano.

96-98: Nerva.                      98-117: Trajano.            117-138: Adriano.

Dinastia dos Antoninos        138-161: Antonino, o Pio.

161-180: Marco Aurélio.     180-192: Cômodo

2. ECONOMIA DA PALESTINA NO SÉCULO

Um dogma essencial da fé de Israel: “A terra pertence a Deus que lhe deu o país de Canaã”.

Tamanho da Palestina: 50 a 100 Km de base por 220 Km de altura.

Base da alimentação: trigo, produzido um pouco em toda a parte, principalmen­te na Galiléia, que produzia mais que suas necessidades, armazenando o excedente e suprindo outras cidades.

A Palestina só importava trigo nas grandes secas( 21aC e 49 d.C.).

Cevada: segunda cultura. Habitualmente era a farinha dos mais pobres. Servia para fa­zer ração.

As figueiras: essenciais para a alimentação. Normalmente exportava para Roma. Em 45 d.C importou do Chipre.

Oliveira: encontrada em toda a Palestina. Exportava o óleo. Mas não era de primei­ra qualidade.

Vinha: era de boa qualidade e produzida em toda a Judéia. Servia até para a expor­ta­ção. O vinho fazia parte dos hábitos alimentares do povo, tanto que na última ceia Jesus e seus discípulos tomaram vinho. O primeiro milagre de Jesus narrado nos evangelhos foi para transformar água em vinho. Parece que Jesus gostava de festejar. Caso contrário não teria feito um milagre desse.

Frutas e legumes: lentilhas, ervilhas, alface, chicória, agrião, romãs, tâmaras, ma­çãs e nozes.

Em Jerusalém havia roseiral de onde se extraia óleo ou essência de rosas para a venda. Produzia também um bálsamo muito apreciado.

pecuária era o setor mais deficitário. O Templo era o maior consumidor de carne. O povo mesmo só comia carne na Páscoa ou por ocasião dos sacrifícios de comunhão (Lv 3).

A Palestina possuía no séc. I a.C. uma população estimada em 600 mil habitan­tes concentrados em 20 mil Km2.

3. A INDÚSTRIA

a) A pesca: costa mediterrânea, Rio Jordão, e sobretudo no Lago de Tiberíades.

b) Construção: ampliação e embelezamento do Templo (20 a.C. – 64 d.C). No fim dos trabalhos no Templo: calçamento das ruas de Jerusalém, empregando 18 mil funcioná­rios. Em 20 d.C foi construída Tiberíades, por Herodes Antipas.

c) Fiação e tecelagem: grande mão-de-obra feminina, mas também homens traba­lhavam nesta profissão (tecelões). A Judéia trabalhava sobretudo com lã (tinha um enorme re­banho de carneiros). A Galiléia produzia seda e linho.

d) Indústria de couro: era alimentada principalmente pelas vítimas oferecidas no Templo.

e) Cerâmica: para vasilhame.

f) Betume: substância viscosa e colante, que numa determinada época bóia sobre as águas de um lago da Judéia.

g) Artesanato de luxo: feito em Jerusalém, para o Templo e para os peregrinos.

2. O COMÉRCIO

O comércio era centrado no Templo. A corte e a classe abastada não faziam eco­nomia.

O comércio nas províncias era feito, principalmente, de trocas. O excedente era ex­portado principalmente para Jerusalém, cuja população pulava de 50 mil habitantes para 180 mil no tempo de festas.

Comércio externo: importação de produtos de luxo (cedro do Líbano, incenso da Arábia…; seda para o sumo sacerdote e a aristocracia, vinda diretamente da Babilônia.

Exportação: alimentos, frutas, óleo, vinho, peixe. Também exportavam alguns pro­dutos industriais: peles, tecidos e betume.

A Palestina, no tempo de Jesus, graças ao produto do solo e ao Templo, que empre­gava muita gente, deveria ser “a terra onde correm leite e mel”, no entanto, havia muita pobreza.

4.  AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS

Toda a existência judaica ( econômica, social e política) era marcada pelo elemento religioso.

1. O Templo: centro de Israel.

O primeiro Templo foi construído por Salomão que reinou por 40 anos no sec. X a.C. Foi destruído em 587 a.C. com a conquista de Jerusalém por Nabucodonosor.

O segundo Templo começou a ser construído após a volta do exílio, em 538 a.C., e inaugurado em 515. Era muito mais modesto que o primeiro. Foi reedificado por Herodes. Con­forme Flávio Josefo, o Templo era de um grande esplendor.

Na participação nos cultos religiosos, no Templo, havia uma divisão das pes­soas conforme a classe. Cada classe tinha o seu lugar estabelecido seguindo uma hierarquia: sumo-sacerdote, sacerdotes, homens, mulheres, pagãos.

O altar do Templo era mais parecido com um crematório, para os sacrifícios dos animais. Todos os dias eram oferecidos dois carneiros, para os sacrifícios. A pele das víti­mas dos sacrifícios sempre ficava para os sacerdotes.

As mulheres e os incircuncisos não penetravam no “coração” do Templo. Em volta ao Templo havia um verdadeiro comércio. O comércio da cidade, de certa forma, girava em torno do Templo que, em muitos aspectos, era um centro mais de interesses políticos e econômicos, defendendo os poderosos, que religioso. Por isso, certamente, Jesus teve aquela manifestação de revolta no Templo. Não conseguiu suportar toda aquela deturpação feita em nome de Deus.

2. A sinagoga: Tinha uma grande importância no cotidiano dos judeus. Cada aldeia tinha a sua si­nagoga. Na sinagoga eram realizadas as reuniões, que devem ter tido origem no ano de 587 a.C., no exílio babilônico. Tinha por objetivo fortalecer a fé do povo que se encontrava longe do Templo. As reuniões consistiam principalmente em leituras da Lei e dos profetas. A reu­nião sempre começava pela recitação do Shemá ( o credo do povo – Dt 6,4-9; 11,13-21; Nm 15,37-41). Algumas orações eram proclamadas pelo responsável, enquanto o povo participava com o “Amém”.

Nos prédios das sinagogas eram guardados os rolos da Lei. Naquele tempo não existia um livro organizado com todos os livros sagrados, como temos hoje. Eram rolos. Os rolos foram sendo organizados em seqüência de livros num tempo posterior. E a divisão da bíblia em capítulos e versículos é de um tempo bem mais recente ainda.

Em muitas comuni­da­des era nas sinagogas que funcionavam as escolas.

5.  AS FESTAS RELIGIOSAS

As principais festas eram: Páscoa, Pentecostes, Tabernáculos (Tendas). As fes­tas sempre estavam relacionadas a uma comemoração de um fato histórico ou de um ciclo da natu­reza.

1. Festa da Páscoa: A população da cidade de Jerusalém que era de 50 mil hab., durante esta festa salta­va para 180 mil hab. O pai de família levava um cordeiro que era imolado no altar e oferecido o sangue a Deus. Após a imolação o cordeiro era levado para casa, onde era assado e comido com ervas amargas e pão sem fermento. Durante a ceia eram cantados os salmos 113-118, entrecortados com a bênção dada ao vinho pelo pai de família. Eram também re­cordados os grandes feitos de Deus em favor de seu povo. Esse modo de lembrar a ação de Deus na história era uma maneira de manter os fatos na memória e continuar sendo fiel a Deus.

Para os cristãos a Páscoa ficou sendo a festa da Ressurreição de Jesus.

2. Pentecostes: Era celebrada 50 dias após a Páscoa (Dt 16,9). É lembrada em Ex 23,16 como festa da colheita; e em Ex 34,22 como festa das semanas. Foi adaptada à celebração da Ali­ança do Sinai. Desde o século I era também a festa da renovação da Aliança. A comunidade cristã adap­tou esta festa à vinda do Espírito Santo, celebrada  50 dias após a Páscoa.

3. Tendas: Também era uma festa de origem rural. Celebrava-se o fim das colheitas frutífe­ras. Lv 23,43 relaciona esta festa com a história. Ficava-se em tendas para recordar o tempo em que Deus fez os filhos de Israel morarem em cabanas, quando saíram do Egito e peregri­naram pelo deserto. Cada família construía, nas cercanias de Jerusalém, uma cabana, onde morava por uma semana.

A dedicação do Templo de Salomão coincide com esta festa (1Rs 8,65-66) – o San­tuário fica sendo o lugar da presença e proteção de Deus. Podemos encontrar referências à festa também em Esdras (3,4), Neemias (8,13-18) e Levítico (23,40-43).

4. Outras festas

  • Yon Kipur: dia da expiação. Era celebrada alguns dias antes da festa das “Tendas”. Fazia-se o rito do bode Azazel, portador de todos os pecados. Era o bode que expiava os pecados de toda a comunidade. Lançava-se, num gesto simbólico, todos os pe­cados sobre um bode e deixava-se o mesmo abandonado no deserto. Até hoje usamos a ex­pressão “bode expia­tório” como sendo aquele sobre o qual os outros justificam a própria culpa, jogam os seus pro­blemas e ficam aliviados. Nas famílias, em muitos casos, há um bode expiatório da família – aquele filho e/ou irmão problema no qual todos jogam a culpa pelas próprias desgraças, descontentamentos e irrealizações. E o que faz o papel de bode acaba sendo o mais forte da família, pois assume o papel para que os outros possam continuar se equilibrando.
  • Hosh Hashana: festa do ano novo. Era celebrada 10 dias antes do Yon Kipur. Era uma festa para preparar a celebração do perdão.
  • Os Purin ou as sortes: comemorava a libertação do povo narrada em Ester.
  • O sábado. Guardar o sábado como um dia dedicado ao Senhor é de origem com­plexa. Foi codificado durante o exílio pelas legislações sacerdotais (Lv 23,3; Ex 31,12-17) que juntaram duas instituições doutrinais muito antigas: um dia de festa semanal e um dia de folga obrigatória (Ex 23,12; 34,21). Para o cristão, este dia de folga e de oração passou a ser  o do­mingo, considerado o dia da ressurreição de Jesus. Passou-se a guardar o primeiro dia da sema­na.
  • A oração cotidiana. Além das festas tradicionais, todos os homens adultos deviam rezar todos os dias, antes de qualquer atividade, voltados para o Templo de Jeru­salém.

6. A SOCIEDADE JUDAICA

“A terra pertence a Deus que a dá a seu povo, por isso todos são iguais diante dele…”  Apesar disso a desigualdade social também era grande.

Para tentar fazer um pouco de justiça e amenizar as desigualdades foi instituído o ano sabático e o ano jubilar, em que eram perdoadas as dívidas.

A lei civil e a religiosa eram uma coisa só. Não havia separação. A classe social mais importante era a dos sacerdotes.

1. O Clero

a) Sumo-Sacerdote.

Com a volta do exílio, em 538 a.C., não havendo mais rei, o sumo-sacerdote foi se tornando cada vez mais importante na sociedade judaica. Era responsável pela Lei, pelo Templo  e presidente do Sinédrio, por ofício.

Era o único que podia orar e expiar os pecados por todo o povo – entrar uma vez por ano no coração do Templo (Santo dos Santos), para a expiação. Sua morte era considerada ex­piatória – os assassinos eram agraciados. Possuía grande dignidade e situação financeira confortável. Toda tarde era o primeiro a escolher parte das oferendas feitas no Templo. Assim, ficava sempre com a melhor parte. Depois que ele escolhia é que se dividia o resto entre os de­mais  que também tinham direito.

O Templo era também uma grande fonte de renda. Todos os negócios giravam em torno do sumo-sacerdote que fazia tudo para aumentar suas economias. Usava até da violência para arrancar alguns bens. No tempo da dominação romana ainda tinham que fazer o jogo dos imperadores para permanecer no cargo.

De 200 a 36 a.C. houve 36 sumo-sacerdotes. De 36 a.C. a 67 d.C houve 26 sumo-sacerdotes. Foi o tempo da intervenção de Herodes Magno e, depois, dos procuradores romanos. Dos vinte e seis sumo-sacerdotes desse tempo, vinte e cinco são de quatro famíli­as. Constata-se aí as disputas para se obter este cargo.

O sumo-sacerdote era auxiliado por toda uma equipe de ajudantes – chefes dos sa­cerdotes. Eram de sua própria família ou amigos:

  • Comandante do Templo: responsável pelo culto e policiamento no Santuário. Quando necessário, substituía o sumo-sacerdote, em certas ocasiões;
  • Os chefes das vinte e quatro seções semanais;
  • Os sete vigilantes do Templo – manutenção.
  • Os três tesoureiros.

Com esta pequena descrição já dá para perceber o poder que estes homens con­cen­travam em suas mãos. É compreensível que tenham ficado tão preocupados e revoltados com a atitude de Jesus, quando se sentiram ameaçados pelos seus ensinamentos e posicionamento contra o que eles estavam fazendo. É difícil para qualquer grupo que esteja se aproveitando de uma situação e, principalmente da ignorância do povo, aceitar ser desmascarado. A reação, quase sempre, é calar a voz que está fazendo a denúncia. Foi o que fizeram com Jesus naquele tempo e continua sendo feito através da história..

b) Os Sacerdotes

A função dos sacerdotes, um número aproximado de sete mil, era oferecer os sacri­fícios e conservar a parte central do Templo.

Eram divididos em 24 grupos, cada grupo prestando serviços uma semana. Toda manhã era tirada a sorte para ver quem teria uma função particular no culto (Lc 1,9). Nas três festas de peregrinação, todos prestavam serviços.

Era uma classe pobre. A renda constituía-se da parte retirada dos sacrifícios (cinco semanas por ano), e o dízimo. Mas o dízimo não era pago por todos os fiéis. Como eram em muitos e a parte principal ia para o sumo-sacerdote, os sacerdotes ficavam com quase nada.

Para complementar a renda todos tinham um ofício: carpinteiro, talhadores de pe­dra, comerciantes, açougueiros e, alguns se tornavam escribas.

Pelo salário que recebiam estavam bem próximos do povo humilde. Muitos ti­nham o mesmo nível de instrução e comungavam o mesmo ideal do povo pobre.

O sacerdócio era transmitido por hereditariedade. A esposa do sacerdote tinha que ser verdadeira judia e o filho tinha que ser normal física e mentalmente, para poder ser sacerdote.

c) Os levitas

Aproximadamente dez mil. Tinham o mesmo esquema de divisão dos sacerdo­tes, para a prestação de serviços no Templo. Só que não ganhavam nada. O dízimo lhes foi tirado em benefício dos sacerdotes (Nm 18,8-32). Eram divididos em dois grupos (músicos e porteiros), sendo que um não podia fazer a tarefa do outro. Em 64 d.C Agripa II deu uma pro­moção aos grupos – os músicos poderiam vestir as vestes distintas dos sacerdotes e os porteiros poderiam aprender os hinos.

Como os sacerdotes, os levitas também exerciam outras profissões.

c) O POVO

1. Os Anciãos: O grupo de anciãos formavam o Sinédrio de Jerusalém. Formavam a aristocracia leiga de Israel. Grupo pequeno mas poderoso, pelo poder aquisitivo e influência política.

Estavam ligados ao Templo e ao poder romano. Caso fizessem oposição ao po­der romano poderiam ter os bens confiscados e serem deportados ou mortos. Herodes ma­tou 45 an­ciãos por terem feito oposição ao seu governo.

O ressentimento dos anciãos era não poderem chegar ao ápice da nobreza e da honra, que era ser sumo-sacerdote.

2. A Classe Média: Era formada por comerciantes e artesãos. Giravam em torno do Templo do qual, em geral, dependiam. Conforme Dt 12,17-18, os judeus deveriam gastar, nas festas, o se­gundo dí­zimo, em gêneros que poderiam ser oferecidos em sacrifícios. Os peregrinos vi­nham da Pales­tina ou de fora e faziam questão de cumprir este preceito. Por causa disso as coisas eram muito mais caras em Jerusalém.

3. O Povo:

3.1. Pequenos proprietários agrícolas. Na Judéia e na Samaria existiam lavouras pequenas, tipo familiar. Geralmente o mais velho é que herdava a terra.

Na Galiléia as propriedades eram mais extensas. Por volta de 15 a.C. todos fugi­ram (1Mc 23,45). Os inimigos ficaram com estas terras, mas quando João Hircano recon­quistou a Galiléia, tiveram que se converter ao judaísmo ou abandona-las.

3.2. Os artesãos. Não eram agricultores. Trabalhavam por conta própria.

3.3. Curtidor. Não era uma profissão bem vista. Conforme fontes rabínicas anti­gas a esposa podia até se separar do marido curtidor, por causa do mau-cheiro.

3.4. Tecelão. Era tido como mentiroso. Em conseqüência dessa má fama não podia dar testemunho.

3.5. Pastor. Era considerado ladrão. Foi um símbolo bastante usado por Jesus, sem­pre acentuando a diferença entre o bom e o mau pastor. O mau pastor era aquele que saqueava, roubava as ovelhas que não eram suas.

3.6. Médico. Era praticada uma medicina de classe. O povo acabava ficando de­sassistido.

3.7. Operários e diaristas. Trabalhavam para um patrão, por um dia, ou de bra­çal, numa lavoura de grande ou médio porte; numa empresa de transporte; junto a um arte­são; junto a um nobre da corte; nos canteiros de obras. Os diaristas costumavam ficar numa praça, espe­rando que aparecesse alguém interessado nos seus serviços. Lembram um pouco o bóia-fria do nosso tempo.

Esse povo, “han há ares”, era desprezado pelos escribas e fariseus, esperava com paciência a intervenção libertadora de Deus.

d) Os  Miseráveis

1. Os mendigos. Viviam de preferência em Jerusalém. Havia um número muito grande de mendigos leprosos, considerados impuros que viviam isolados do convívio social, numa misé­ria total.

2. Ladrões. Procuravam roubar os viajantes imprudentes, seja em Jerusalém ou nas estradas. Para evitar esses assaltos, o povo costumava viajar em caravanas. Em 35 a.C. He­rodes desfechou uma verdadeira guerra contra esses grupos. Em 60 d.C eles aumenta­ram muito mais, porque aumentou a miséria na região.

3. Escravos. Havia uma distinção dada ao escravo judeu e ao pagão. Da família judia só se podia pegar para escravo o varão (chefe de família) e a filha de menos de 12 anos. A esposa e os filhos não podiam ser tomados como escravos. Aos 12 anos a menina adquiria a li­berdade e deixava de ser escrava. Casando-se com o senhor também deixava de ser escrava. A liber­dade também podia ser resgatada. No ano sabático todo escravo judeu era libertado.

O escravo pagão era considerado propriedade do patrão, que poderia tratá-lo como quisesse. Era considerado impuro. Deveria ser circuncidado.

e) Os Escribas

Tinham grandes estudos e conhecimento perfeito da Lei. Eram poucos mas ti­nham um considerável valor social. Eram provenientes de várias classes, superando a ori­gem pela sa­bedoria.

Eram especialistas da Lei que deviam atualizá-la. Esperava-se que cada escriba fosse um guia espiritual. Reconhecidos como filhos espirituais e sucessores dos antigos profetas. Eram indispensáveis nos conselhos e tribunais. Eram mais respeitados até que os sumo-sacerdotes. Prestavam os ensinamentos gratuitamente.

Os escribas fariseus estendiam o ideal de pureza ao povo, suscitando a espe­rança de que também podiam estar próximos de Deus. Após o ano 70 dC, com a destruição de Jerusalém, eles se tornaram os chefes do povo.

f) A Mulher

A mulher não ocupava um lugar de destaque no judaísmo. Era uma sociedade do­minada essencialmente por homens. Jesus deu uma atenção muito especial à mulher, considerando-se os costumes daquele tempo. No sec. II d.C. aumentou o anti-feminísmo, tanto no judaísmo como no cristianismo. Vejamos a seguinte afirmação, cuja data não é bem certa se do I ou II sec. dC: “Compra-se a mulher por dinheiro, contrato ou relações sexuais. Compra-se um escravo pagão por dinheiro, contrato e tomada de posse. Não há diferença na aquisição”.

Antes de a menina completar os doze anos e meio de idade o pai tinha que arranjar um noivo. Caso não conseguisse um pretendente para a filha esta era declarada emancipada e o pai não poderia receber o dote que tinha por direito. O dote que o noivo pagava correspondia ao status social que a família da noiva ocupava. Era um pagamento. Às vezes o noivo, por falta de dinheiro ou bens, ficava trabalhando para o sogro por um bom tempo, para pagar a esposa.  Por isso, o noivado já era um compromisso muito sério. Nem a noiva nem o noivo podiam romper sem uma grave acusação contra o outro.

O lugar da mulher era a casa e a sua função principal era a educação dos filhos. Quando saísse de casa deveria guardar completo anonimato, usando o véu que lhe cobria o rosto, além de deixar o cabelo comprido, para ajudar a esconder a face. Por causa disso, São Paulo ordena que as mulheres não cortem o cabelo. Deveria aceitar que o marido tivesse outras mulheres e mesmo concubinas. No entanto, o marido tinha que lhe dar o mínimo de dignidade. Contudo, em muitas circunstâncias, o amor matrimonial superava esses tipos de leis.

g) O Filho e a Educação

Para o judeu, ter filhos era sinal da bênção de Deus. Cada família tinha que ter o maior número possível de filhos. Assim que tinha condições de procriar a menina deveria se ca­sar, para que a prole pudesse ser numerosa. Todos deveriam colaborar para que o povo de Israel se tornasse numeroso, conforme promessa de Deus. Era um sinal de maldição a mulher não ter filhos.

Os partos aconteciam em casa, com a ajuda de uma parteira. Em casas pequenas da Palestina era normal a mulher se retirar para o estábulo para dar à luz – era um lugar cos­tumeiro para a mulher ficar tranqüila. Quando Jesus nasceu em um estábulo, o fato não foi tão estranho para eles como hoje é para nós.

O nome da criança era dado pela mãe ou pelo pai.

Quatro dias após o nascimento era feita a circuncisão – tinha um valor cultural de manutenção da identidade do povo. Este costume adquiriu importância no tempo do exílio na Babilônia. Como o filho primogênito pertencia ao Senhor (Ex 13,12), devia ser resgatado (Ex 13,13). Esse resgate era feito mediante um pagamento (Nm 18,15-16). Maria e José também fo­ram ao Templo, resgatar o seu filho. Como eram pobres, certamente ofereceram uma pombinha em troca do filho, que era a oferta do pobre.

Purificação da mãe: 40 dias após o nascimento, se fosse menino e, 80 dias se fosse menina, a mãe deveria ser purificada. Era uma purificação mais no sentido de “dessacralização”.

A educação do filho era rígida. Até os 4 anos a educação era toda por conta da mãe. Só os meninos freqüentavam as escolas. A menina podia ser vendida como escrava após os seis anos. As meninas, quanto menos aprendessem melhor. Mesmo em nossa sociedade, até hoje, uma grande parte de nossas famílias continua deixando a educação dos filhos por conta da mãe – o pai vai se ocupar com o sustento e por isso acha que não tem tempo para orientar os filhos.

h) O Ensino Superior

Bem antes de Cristo, os mestres já se preocupavam em formar discípulos e futu­ros escribas para continuar a tradição. Este costume de formar discípulos era comum nos povos an­tigos. Os sábios tinham os seus discípulos. Portanto, Jesus não era o único mestre com discípulos.

Antes da ruína do segundo Templo (70 dC) não se tem informações claras quanto à educação. Mas a preocupação com a leitura e homilias na Sinagoga era constante. O judeu en­sinava ensinando a Lei. A educação era voltada para as coisas práticas da vida.

Havia uma organização das famílias para orientar os filhos.

Havia uma espécie de escola secundária num lugar mais central. Não eram todos que freqüentavam a escola. Para quem morava em aldeias menores e afastadas, ou na roça, ha­via a dificuldade de freqüentar as aulas o dia todo e ainda ter que pagar a pensão. O mes­tre era considerado mais importante que os pais, na educação dos filhos.

i) O Matrimônio, Noivado, Divórcio…

1. A Emancipação – Até os  doze anos a pessoa era considerada de menor idade. Quando completava os doze anos:

a) O menino passava a ser considerado maior. Era obrigado a observar a Lei, que ele já podia ler na sinagoga. Devia se dedicar ao trabalho: “construir uma casa, depois plan­tar uma vinha e, por fim, casar-se”. A idade para o casamento, para os homens, era entre os dezesseis e vinte e dois anos, sendo que dezoito anos era considerada a idade ideal.

b) Entre os doze e doze anos e meio o pai deveria entregar a menina para um noivo. Antes dos doze anos não podia ser entregue a um noivo, porque ao completar os doze ela se liberta­ria e poderia não aceitar a proposta; depois dos doze anos e meio ela também adquiria a emancipação completa e não seria mais obrigada a aceitar a proposta do pai. Ela mesma procuraria o seu noivo e o mesmo não teria nenhuma obrigação de pagar um dote ao sogro.

j) O Noivado

Juridicamente era o ato que ligava efetivamente os noivos e sua famílias, graças ao contrato do matrimônio. Nos termos do contrato eram determinados, entre outras coi­sas, o dote a ser pago pela noiva e as despesas do casamento.

Os dotes, dados pelo pai, à filha que casava, dependiam muito das condições das famílias e do amor do pai pela filha. Era a herança que ela levava. Se o pai falecesse antes de dar este dote, os irmãos tinham o dever de trabalhar para dar um dote à irmã.

O noivado durava mais ou menos um ano. Era o tempo para que a mulher ti­vesse condições de procriar – ser considerada adulta e pronta para ser mãe, colaborando com a pro­messa de Deus de tornar o povo judeu um povo numeroso. Durante este tempo de espera, ape­sar de já serem considerados comprometidos, cada um continuava morando na sua casa e as relações sexuais não eram bem vistas. Por aí podemos perceber a angústia de Maria, mãe de Jesus,  e de José, seu noivo, quando descobriram que ela estava grávida enquanto os dois ainda eram apenas noivos. Precisou a intervenção do anjo de Deus para que José não abando­nasse Maria.

2) O Matrimônio

Era uma festa para as famílias e para os vizinhos. O noivo conduzia a noiva para a sua casa ou a casa de seu pai. À partir desse dia ela não podia mais ficar com a ca­beça descoberta.

A cerimônia religiosa consistia apenas numa bênção pronunciada pelo pai da noiva. A verdadeira bênção mesmo viria com os filhos. Consideravam que Deus é que realizava todos os casamentos. A esposa não deveria se esquecer das prescrições para a noite de núpcias (Dt 22,13-21). Neste dia ela passava da tutela do pai para a tutela do marido.

A mulher só poderia administrar seus bens se ficasse viúva. Se não tivesse bens para administrar podia escolher: casar novamente, cair na miséria ou na  prostituição.

Com o matrimônio a mulher passava a ter o usufruto da casa do marido por toda a vida. Se fosse repudiada ficava com esta propriedade e também os dotes que levara no casamento.

3) O Divórcio

Só o marido podia repudiar a mulher – pedir o divórcio (Dt 24,1; Mc 10,12). Os motivos para o repúdio poderiam ser os mais fúteis.

k) OS GRUPOS POLÍTICO RELIGIOSOS

Após a queda de Jerusalém, em 70 dC, é o grupo dos fariseus que vai estruturar a Lei Judaica até nossos dias. Após 70 dC as coisas se modificaram um pouco de como eram no tempo de Cristo. Conforme Flávio Josefo, além dos fariseus havia o grupo dos saduceus, es­sênios e zelotas. Mas além dessa divisão havia também outros grupos.

Esses grupos tiveram origem após o ano 152 a.C., quando Jônatas, chefe da re­sis­tência armada, encabeçada pelos macabeus, se fez nomear sumo-sacerdote. Por ser da classe sacerdotal se achava com direito de ocupar esse cargo. Mas como era da descen­dência de Sadoc foi considerado ilegítimo por alguns grupos, que preferiram se separar dos macabeus. Os gru­pos divergiam quanto ao que significava fidelidade à Lei, quanto a um fixísmo absoluto ou à uma evolução.

1)  Os Saduceus

Consideravam-se os detentores do sacerdócio legítimo na linha de Sadoc (Ex 40,46); direito também reivindicado pelos “filhos de Sadoc” de Qurnrã.

Apareceram como grupo organizado no tempo de João Hircano (135-104 a.C.). Ti­nham poder sobre o Templo, portanto, sobre o culto e o Sinédrio, até 76 a.C. Com a entrada de alguns escribas fariseus no Sinédrio, rapidamente estes vão controlando também o poder religi­oso, ficando os fariseus sem o prestígio que detinham.

Eram apegados ao Pentatêuco. Pregavam a doutrina da retribuição, achando que Deus os abençoava por terem riqueza.  As regras de pureza só valiam no recinto do Tem­plo. Daí a liberdade para terem contatos com pagãos. Ao povo não exigiam as regras de santidade, podendo-se fizessem qualquer coisa, mesmo que fosse considerada impura.

Desde Pompeu, no sec. I a.C., Roma já lhes havia tirado o poder político e parte do poder religioso (o sumo-sacerdote era escolhido pelo imperador romano e os fariseus é que de­terminavam as regras do culto).

Tinham atenção para com o povo porque seus negócios dependiam do povo para prosperar. Com a destruição do Templo, em 70 dC, o grupo também perdeu sua razão de ser, deixando de existir.

2) Os Zelotas

O termo é de origem grega e significa zeloso por. Finéias, zeloso por Deus, re­monta ao Êxodo (Nm 25,6-13). À partir dos macabeus, sempre há referência aos zelotas como rigoristas violentos que julgavam sem piedade aqueles que consideravam infiéis à Lei de Moi­sés.

Os romanos e seus colaboradores eram considerados inimigos. No início o ini­migo era considerado o judeu apóstata, por trair a Lei em favor do inimigo.

Para eles “Deus não tolera transgressão nenhuma nesta terra que Ele deu ao povo”. Para as transgressões eles reclamavam a pena de morte. Costumavam andar com uma faca e atacar os inimigos. Alguns discípulos de Jesus provavelmente eram originários desse grupo (Judas e Simão).

Os zelotas eram originários da Galiléia, onde podiam se esconder nas grutas. Ge­ralmente eram muito pobres, ao contrário dos saduceus, que eram ricos.

Tinham confiança absoluta em Deus e nas suas instituições: Templo e Lei. Sen­tiam que podiam apressar a vinda do Reino de Deus, do seu Messias, através de suas ações.

3) Os Fariseus

Os fariseus se opuseram ao rei Alexandre Janeu (103-76 a.C.), provocando uma guerra civil de 6 anos, que custou a crucifixão de milhares de judeus. Mas saíram vitoriosos.

São relacionados com os hassidim e com Esdras e Neemias. Eram pessoas pie­do­sas, que se colocavam a favor de um aprofundamento espiritual e de uma profunda vi­vência da Lei – os hassidim podem ser os criadores e transmissores de vários salmos. Para a eles a salva­ção virá pelo cumprimento da Lei. São Paulo era do grupo dos fariseus.

Conheciam bem a escritura e se esforçavam por vivê-la e transmiti-la ao povo. Pre­ocupavam-se com a educação das massas. Vindos do povo, eram um partido do povo, mas pro­curavam ser separados do povo por acha-los demais impuros por causa da ignorância. Esse grupo conseguiu resistir à catástrofe de 70 d.C.

4) Os Essênios

A origem desse grupo parece estar ligada à perseguição no tempo dos macabeus. Alguns descendentes da tribo de Sadoc se refugiaram e formaram, com outro grupo de re­fugia­dos, uma organização fechada, procurando viver o mais rigorosamente possível a Lei de Deus. Tinham uma organização própria e toda uma exigência para aceitar novos mem­bros.

João Batista, aquele que batizou Jesus, provavelmente tenha sido um essênio. E o próprio Jesus pode ter tido contato com esse grupo.

Desapareceram na guerra de 66-70 d.C.

5) Os Herodianos

Eram partidários de Herodes e tinham o objetivo de protegê-lo, e depois ficaram en­carregados de proteger Antipas. Estavam sempre muito atentos a qualquer movimento que pu­desse ameaçar a segurança do rei.

6) Os Movimentos Batistas

Desenvolveram-se no séc. I d.C., entre o povo simples. Tinham a proposta da sal­vação para todos (Lc 3,7-14). Faziam o batismo por imersão, tendo em vista a purifica­ção dos pecados. Formou-se um grupo em torno de João Batista (At 18,25; 19,1-5). O grupo de Jesus também batizava (Jo 3,22; 4,1-2).

Esse movimento rejeitava o Templo e os sacrifícios sangrentos que nele eram ofe­recidos.

7) Os Samaritanos

Formavam uma comunidade próxima e oposta ao judaísmo. Discordavam dos ju­deus quanto à centralização religiosa em Jerusalém. Acreditavam ser os continuadores das tri­bos do Norte, fiéis a Moisés. Esperavam a volta “daquele que vem de novo”- espécie de novo Moisés que iria colocar tudo em ordem, no fim dos tempos.

Celebravam a Páscoa no Garizim, conforme Ex 12. O Garizim também era o lu­gar da bênção: Dt 11,29; 27,12.

Quando Jesus conversa com a samaritana ela coloca para Jesus estas questões, de­monstrando que realmente era uma preocupação para eles (Jo 4,1-42). Jesus tinha uma simpatia por eles, mostrando que apesar de serem considerados impuros, em certas situa­ções eles davam um melhor testemunho de compreensão da vontade de Deus que os pró­prios chefes religiosos dos judeus (Lc 10,33).

Podem ter tido origem após a tomada da Samaria, em 721 a.C. (2Rs 17), pelos as­sírios. Os judeus os consideravam impuros e infiéis, por terem se misturado com o con­quistador. Samaria era a capital do reino do Norte, que antes de ser tomada pelos assírios havia se separado do reino do Sul, por rixas políticas.

Apesar das relações tensas entre judeus e samaritanos, eles tinham influências mú­tuas.

A oposição ao Templo de Jerusalém pode tê-los aproximado dos essênios e também de certas correntes do cristianismo.

 
l) A RESISTÊNCIA JUDAICA

Os romanos respeitavam a religiosidade dos judeus, não os obrigando a prestar culto ao imperador, costume que teve início em 27 a.C., com a homenagem a Augusto. Mesmo assim os romanos desgostavam muitos judeus ortodoxos e fariseus, com seus cos­tumes – alguns costumes feriam profundamente o sentimento religioso judeu. A resistência aos valores roma­nos ia crescendo como forma de manter a identidade e a esperança da liber­tação com a volta a uma teocracia.

1) As Insurreições Esporádicas

No domínio romano os judeus gozavam de paz relativa, pois freqüente­mente havia manifestação contra a dominação. No NT temos algumas citações que aludem a estes levantes: Lc 13,1; At 5,36-37; 21,37.

Segundo Flávio Josefo e Fílon (historiadores dessa época), houve uma revolta na Alexandria, no reinado de Calígula, aclamado por Cláudio em 41 d.C. Na Palestina houve um  começo de revolta por Calígula querer instalar, no Templo de Jerusalém, uma estátua de Zeus. Isto era uma afronta direta ao sentimento religioso dos judeus.

2) Revolta de 66-70 d.C.

Essa revolta irrompeu no fim do reinado de Nero. Teve início com uma atitude anti­pática de Floro (procurador romano), que retirou do Templo 17 talentos do Tesouro. Alguns ju­deus reagiram, sendo presos e executados, a mando de Floro. Em conseqüência o movimento em oposição a Roma começou a crescer, não sendo mais controlado pelos sa­cerdotes e anciãos.

Na primavera de 67 d.C., Vespasiano armou um plano de guerra e progressiva­men­te foi tomando as cidades. O avanço das tropas romanas foi facilitado por rixas internas e desa­cordos entre os chefes da revolta, que levou a um  enfraquecimento do movimento.

Na primavera de 70 d.C., Tito, depois de um assédio cercando toda a cidade, tomou o Templo e o destruiu totalmente. À partir daí a estrutura sacerdotal  foi enfraque­cendo, os sa­duceus deixaram de existir; enquanto que as sinagogas foram tendo importância exclusiva para a reunião do povo e leitura da Lei, sob a direção dos mestres da Lei – os fari­seus.

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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Uma resposta para A PALESTINA NO TEMPO DE JESUS

  1. Vera Regina de Almeida Braga disse:

    Excelente estudo. Mto obrigada.

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