Primavera no outono

Façamos Primavera no Outono

  • Façamos Primavera no Outono

Na “Campanha das Diretas” a imprensa mais rica chegou tarde. No “Fora Collor”, exceto a Veja e o Jô Soares, a imprensa mais rica foi arrastada para os eventos e demorou para aderir. Agora, após a polícia atacar jornalistas, a imprensa começa, novamente, a sair de seu costumeiro conservadorismo. Enquanto escrevo, os protestos continuam. E tudo indica que vão se espalhar por todas as capitais.

Não se trata mais de passe de ônibus, nem de fazer este ou aquele político ganhar votos, muito menos os protestos são contra a presidente Dilma por implicância ou oposição sistemática. Mas o certo é que a vaia que ela levou na abertura da Copa das Confederações não está tão desligada da Primavera Paulistana ou, agora, Primavera Brasileira.

As pessoas reconhecem que FHC barrou a inflação e reconhecem que Lula fez bom serviço no programa de transferência direta de renda. Mas todos nós sabemos bem que nesses dois casos, o investimento em infraestrutura não veio, porque no meio do caminho, o PSDB no passado e o PT-PMDB no presente, resolveram enriquecer seus caciques e apaniguados e largaram os projetos políticos de lado. FHC queria mais um mandato, e então tudo foi feito para tal. Lula-Dilma querem também mais mandatos, e para tal, agem como FHC agiu: cede a todos. A coisa parece maior agora, em termos de corrupção, porque a base desse governo de alianças é maior que a de FHC. Além disso, a fome dos políticalhos também é maior em um país de economia aquecida.

Desse modo, os protestos são contra quase tudo, mas há um alvo central: os serviços e produtos que todos os brasileiros precisam ter para uma vida pobre, mas normal, não existem: hospital, escola e transporte. Tudo é caro e tudo é ruim. Ao lado disso, o país gasta na Copa não o que todos os brasileiros gostariam que gastasse. Queríamos a Copa, mas paga uma vez só. Ela está sendo paga, sim, três vezes. Uma para os partidos, outra para indivíduos e grupos na corrupção aberta, outra para construir mesmo a Copa. É muito dinheiro.

Isso irrita todo mundo. Não é insatisfação de grupos ideológicos de esquerda e direita. Estes não sabem o que falam. Estão no passado que já morreu. A direita fica falando nas maravilhas de 1964 ou então, tentando ser moderninha, no regime de Thatcher, ou berrando aqui e ali contra o “politicamente correto”, “cotas” etc. Tudo isso já acabou. A esquerda não fica por menos. Fala em “fim do capitalismo”, em “luta contra o imperialismo” e, é claro, sempre tem um jovem que leva a sério a fábrica de camisetas do Tchê Guevara, etc. Bobagem. O grosso dos manifestantes que vaiaram Dilma e/ou que saíram às ruas quer outra coisa. Queremos viver bem na democracia. Essa democracia que temos precisa ser um pouco mais azeitada, de modo que mais gente seja ouvida. Não há canal legal para tal nomento, então, vamos às ruas. Da internet à rua, da rua à internet. Faz tempo já que isso é uma coisa só.

Façamos Primavera no Outono. Há filósofos que vão onde o povo está.

© 2013 Paulo Ghiraldelli, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

NÃO DEIXE DE VER O VÍDEO:  Recado sobre a Primavera

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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