SEM MEDO DA NOVIDADE

JOSÉ ANTONIO PAGOLA
Papa Francisco na Missa do Lava-pés – Quinta-feira Santa (2013)

SEM MEDO DA NOVIDADE

O Papa Francisco está chamando a Igreja para sair de si mesma, esquecendo medos e interesses próprios, para por-se em contato com a vida real das pessoas e tornar presente o Evangelho ali onde os homens e mulheres de hoje sofrem e se alegram, lutam e trabalham.

Com sua linguagem inconfundível e suas palavras vivas e concretas, está abrindo nossos olhos para advertir-nos sobre o risco de uma Igreja que se asfixia numa atitude autodefensiva: “quando a Igreja se fecha, ela adoece“, “prefiro, mil vezes, uma Igreja acidentada a uma que esteja doente por fechar-se em si mesma“.

A instrução de Francisco é clara: “A Igreja deve sair de si mesma para a periferia, a dar testemunho do Evangelho e encontrar-se com os demais”. Não está pensando em exposições teóricas, mas em passos concretos: “Saiamos de nós mesmos para irmos ao encontro da pobreza”.

O Papa sabe o que está dizendo. Quer arrastar a Igreja atual para uma renovação evangélica profunda. Não é fácil. “A novidade nos dá, sempre, um pouco de medo, porque nos sentimos mais seguros, se temos tudo sob controle, se somos nós que construímos, programamos e planejamos nossa vida segundo nossos esquemas, seguranças e gostos”.

Porém, Francisco não tem medo da “novidade de Deus”. Na festa de Pentecostes, formulou para toda a Igreja uma pergunta decisiva que teremos de ir respondendo nos próximos anos: “Estamos decididos a percorrer caminhos novos, que a novidade de Deus nos apresenta ou nos entrincheiramos em estruturas caducas que perderam a capacidade de resposta?”.

Não quero ocultar minha alegria em ver que o Papa Francisco nos chama a reavivar na Igreja o alento evangelizador que Jesus quis que animasse sempre aos seus seguidores. O evangelista Lucas nos recorda suas instruções. “Colocai-vos a caminho”. Não se deve esperar nada. Não devemos segurar Jesus dentro de nossas paróquias. Temos de dá-lo a conhecer na vida.

“Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias”. Deve-se sair para a vida de maneira simples e humilde. Sem privilégios nem estruturas de poder. O Evangelho não se impõe à força. É difundido a partir da fé em Jesus e a confiança no Pai. 

Quando entrardes numa casa, dizei: “Paz a esta casa”. Esta é a primeira coisa. Deixai de lado as condenações, curai os enfermos, aliviai os sofrimentos que há no mundo. Dizei a todos que Deus está próximo e nos quer ver trabalhando por uma vida mais humana. Esta é a grande notícia do reino de Deus.

A PAZ DE DEUS

De poucas palavras se abusou tanto como da palavra “paz”. Todos falamos de “paz”, porém o significado deste termo foi mudando profundamente, distanciando-se, cada vez mais, de seu sentido bíblico. Seu uso interesseiro fez da paz um termo ambíguo e problemático. Hoje, em geral, as mensagens de paz se tornaram bastante suspeitas e não obtêm muita credibilidade.

Quando, nas primeiras comunidades cristãs, se fala de paz, não pensam em primeiro lugar numa vida mais tranquila e menos problemática, que decorre com certa ordem por caminhos de maior progresso e bem-estar. Antes que isso e na origem de toda paz individual ou social está a convicção de que todos somos aceitos por Deus apesar de nossos erros e contradições, todos podemos viver reconciliados e em amizade com ele. Isto é o principal e decisivo: “Estamos em paz com Deus” (Rm 5,1).

Esta paz não é somente ausência de conflitos, mas vida mais plena que nasce da confiança total em Deus e afeta o próprio centro da pessoa. Esta paz não depende, só, de circunstâncias externas. É uma paz que brota do coração, vai conquistando gradualmente toda a pessoa e, a partir dela, se estende aos demais.

Esta paz é presente de Deus, porém é também fruto de um trabalho não pequeno que pode prolongar-se durante toda a vida. Acolher a paz de Deus, guardá-la fielmente no coração, mantê-la em meio aos conflitos e difundi-la aos outros exige o esforço apaixonantemas não fácil, de unificar e enraizar a vida em Deus!

Esta paz não é uma compensação psicológica diante da falta de paz na sociedade; não é uma evasão pragmática que distancia dos problemas e conflitos; não se trata de um refúgio cômodo para pessoas desenganadas e céticas perante uma paz social quase “impossível”. Se é a verdadeira paz de Deus, esta se converte no melhor estímulo para viver trabalhando para a coexistência pacífica entre todos e para o bem de todos.

Jesus pede a seus discípulos que, ao anunciar o Reino de Deus, sua primeira mensagem seja para oferecer paz a todos: “Dizei primeiro: paz a esta casa. Se a paz é acolhida, irá se estendendo pelas aldeias da Galileia. Do contrário, “voltará” de novo para eles, porém jamais ficará destruída em seu coração, pois a paz é um presente de Deus.

Tradução do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 1º de julho de 2013 – 11h12 – Internet: http://www.musicaliturgica.com/0000009a2106d5d04.php

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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