CALATONIA


“A Origem da Calatonia” 
– Rosa Maria Farah

Na época da segunda grande guerra mundial Sándor trabalhou no atendimento de feridos e refugiados em deslocamento pela Europa. Naquele período, dadas as precárias condições geradas pela guerra, com freqüência via-se diante de situações onde os recursos médicos, além de escassos, eram de pouca ajuda no atendimento de seus pacientes. Nesse contexto, Dr. Sándor foi designado para o cuidado de pacientes com os mais variados traumatismos, conforme ele mesmo relatou ao falar sobre o surgimento de seu método:

“Idealizou-se este método durante a segunda guerra mundial, com base nas observações feitas em casos de readaptação de feridos e congelados, no período posterior à grande retirada da Rússia. Num hospital da Cruz Vermelha foram atendidas as mais diferentes queixas na fase pós operatória, desde membros fantasma e abalamento nervoso, até depressões e reações compulsivas”.

Era praticamente impossível estabelecer um limite entre o traumatismo físico e o sofrimento psicológico que atingia estes pacientes. Mas Sándor já estava atento às estreitas relações existentes entre os processos corporais e o funcionamento psico-emocional. Foi, portanto, nestas condições dramáticas de trabalho que ele tentou utilizar os ‘métodos de relaxamento’ usuais na época, como por exemplo o método de Schultz. Mas não obteve sucesso, pois a gravidade da condição destes pacientes não lhes permitia a concentração necessária e eles não se sentiam motivados a colaborar com a aplicação desse método. Foi quando Sándor observou o seguinte:

“Percebeu-se então, que além da medicação costumeira e dos cuidados de rotina, o contato bipessoal, juntamente com a manipulação suave nas extremidades e na nuca, com certas modificações leves quanto à posição das partes manipuladas, produzia descontração muscular, comutações vasomotoras e recondicionamento do ânimo dos operados, numa escala pouco esperada.”

As duas citações acima foram extraídas de um texto dirigido à profissionais. Mas traduzindo esta última citação em linguagem coloquial, podemos dizer que Sándor está nos contando que orientado por seu conhecimento médico e por sua intuição, aplicava toques nesses pacientes de modo ainda não estruturado em uma técnica específica. Ao observar as reações positivas a estes toques notou como a atuação terapêutica propiciada pelo contato suave, atento e cuidadoso ajudava na recuperação dos pacientes, tanto na melhora física como também psicológica.

Aqueles que conhecem um pouco da história pessoal do Dr. Sándor sabem o quanto ele mesmo, bem como sua família, foi duramente atingido pelos horrores da guerra. No entanto, percebemos nas entrelinhas de sua descrição a atitude compassiva e amorosa que assumia diante do sofrimento de seus pacientes…!

Sándor trabalhou na Alemanha por mais três anos, cuidando de pacientes com queixas psicológicas ou neuropsiquiátricas. Neste período já começava a sistematizar e fundamentar sua técnica – a primeira seqüência de toques sutis da Calatonia – com base nos conhecimentos da Psicologia e da Neurologia. Em 1949 emigrou para o Brasil, onde prosseguiu seu trabalho, atuando principalmente na área da Psicologia.

Vivendo já em São Paulo, como terapeuta e professor, começou a aplicar e ensinar a Calatonia, que passou a ser conhecida por seus alunos, como um “método de relaxamento”. E, como tal, passou a ser utilizada no atendimento psicoterapêutico.

Ao longo de mais de quarenta anos de trabalho, o Prof. Sándor acrescentou inúmeros outros procedimentos àquela seqüência inicial conhecida como Calatonia. Sempre mantendo as mesmas características básicas de aplicação (ou seja, estímulos táteis realizados de forma suave), idealizou várias seqüências voas de toques que passaram a ser conhecidas, juntamente com a Calatonia, como Toques Sutis. Além disso, realizou e transmitiu aos seus alunos farta pesquisa sobre os processos anátomo/fisiológicos envolvidos na aplicação destes toques.

O Prof. Sándor faleceu a 28 de Janeiro de 1992, em plena atividade criativa. Seu trabalho no entanto continua através das atividades de vários grupos de estudos, conduzidos por seus ex-alunos. Prosseguem também, no Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo, as atividades do curso de “Cinesiologia Psícológica”, ao qual Sándor vinha se dedicando com especial empenho nos últimos anos, promovendo a formação de novos terapeutas. 

http://www.calatonia.net/textos_22.htm

Na minha experiência clínica tenho percebido, sempre que aplico, os resultados positivos da calatonia, trazendo um bem estar imediato, fazendo com que a pessoa comece a se estrutura emocionalmente e também fisicamente. Tenho obtido bons resultados para relaxamento, alívio da ansiedade e mesmo melhora em estados depressivos. A pessoa na qual é aplicada a calatonia pode não entender bem o que aconteceu, mas sente que ficou melhor.

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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