SOB O SIGNO DE FRANCISO

A empreitada do Pa pa é abrir a Igreja para que ela perceba
os problemas da humanidade, e os assuma de maneira solidária

Sob o signo de Francisco

 D. Demétrio Valentini Bispo de Jales-SP

Foi muito movimentada no Vaticano a primeira semana de outubro. Os oito cardeais, membros do agora “conselho permanente” do Papa, se reuniram com
ele durante três dias. Em seguida, o Papa Francisco se sentiu na obrigação de visitar Assis, a terra do primeiro Francisco. E precedendo a estes episódios todos, saiu a nova entrevista, desta vez concedida a um ateu professo, diretor do jornal
italiano La Repubblica.
Diante deste contexto, parece clara a advertência do Evangelho sobre os “sinais dos tempos”. Se somos capazes de pressentir a chuva, como não perceber que em Roma está se armando um tempo, sujeito a relâmpagos e trovoadas, prometendo bem mais que uma chuva passageira. Pelos sinais emitidos, aos poucos o Papa Francisco, com firmeza e convicção, vai direcionando suas
propostas de mudanças, que prometem ser urgentes e amplas.
A começar pela decisão de dar perenidade ao “conselho de consultores”.
Antes de sua primeira reunião, este “Conselho” foi elevado à categoria de órgão permanente, com a finalidade de assessorar o Papa no governo da Igreja.
Para entender o alcance desta medida, é bom relacioná-la com o tempo de Paulo VI, logo após o Concílio. Eram insistentes as recomendações, no sentido de que o Papa criasse um “conselho de cardeais”, para ajudá-lo a implementar as orientações do Concílio. Mas Paulo VI, por sua natural timidez, não criou este
“conselho”. Agora o Papa Francisco, por clara decisão tomada e publicada
nestes dias, criou esta nova instância do governo eclesial, dando-lhe caráter
definitivo, com possibilidade de agregar outras incumbências, e com o número dos seus componentes podendo ser adaptado de acordo com as circunstâncias.
Com isto, o Papa Francisco tem agora o instrumento para acionar as iniciativas que ele julgar oportunas. Algumas delas, de certa maneira, já foram confidenciadas. Entre elas, sua disposição de abrir o diálogo com a modernidade. Era a grande intenção do Concílio Vaticano II. Cinquenta anos depois, esta disposição parece tomar forma concreta. Assim se expressa o Papa, de maneira clara e incisiva, diante de um interlocutor ateu: “Os padres conciliares sabiam
que se abrir à cultura moderna significava ecumenismo religioso e diálogo com os não-crentes. Desde então foi feito muito pouco nesta direção. Tenho a humildade e a ambição de querer fazê-lo”. Portanto, ele decidiu levar em frente o Concílio, que permanece referência indiscutível para a Igreja em nosso tempo.
Outra grande empreitada do Papa é abrir a Igreja para que ela perceba os problemas da humanidade, e os assuma de maneira solidária. Depois de comentar a situação em que vivem hoje os jovens, sem trabalho e sem futuro,
e o abandono em que se encontram as pessoas idosas, ele afirma claramente que este problema precisa ser assumido pela Igreja: “Isto é o problema mais
urgente que a Igreja tem pela frente.” Portanto, o Papa quer uma Igreja
aberta aos problemas que hojea humanidade enfrenta. Esta decisão do Papa leva à outra, agora definida claramente. Diz respeito à Cúria Romana. Reconhecendo seus muitos valores, aponta o problema principal de que ela padece. No
dizer do Papa, a Cúria Romana é muito “vaticano-cêntrica”… “vê e cuida dos interesses do Vaticano…e descuida do mundo que nos circunda”.
É uma análise pesada que o Papa faz da Cúria Romana. Diante disto, assume uma posição corajosa e firme, dizendo textualmente: “Não compartilho com esta visão, e farei tudo para mudá-la”.
Assim, vão ficando claros os propósitos renovadores do Papa Francisco. Ele se mostra muito disposto a levá-los em frente, conforme revelou para o jornalista Eugênio Scalfari: “farei o que for possível para cumprir o mandato que me foi confiado”.

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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