PROJEÇÃO

PROJEÇÃO
A projeção é um mecanismo fundamental da psique, uma estratégia originária do fato de que aquilo que é inconsciente (que eu não tenho consciência, não tomo conhecimento consciente de que aquilo está ou faz parte de mim) é projetada. Jung escreveu que “a razão psicológica genérica da projeção é sempre um inconsciente ativado que busca expressão”. Afirma também que “a projeção nunca é formada; ela acontece, está simplesmente presente. Na escuridão de qualquer coisa exterior a mim, eu encontro, sem reconhecê-la como tal, uma vida interior ou psíquica que me pertence”. (Psicologia e Alquimia, OC XII).
Entre as muitas projeções possíveis, as mais comuns ocorrem sobre as instituições do casamento, da paternidade, da maternidade, e da carreira. Talvez nenhuma instituição social esteja mais submetida a uma tão grande bagagem inconsciente como o casamento. Poucos, ao subirem ao altar, tenham consciência da enormidade das suas expectativas projetadas sobre o parceiro ou parceira. .
Segundo James Hollis, ninguém ousaria proclamar em voz alta as imensas esperanças colocadas sobre o outro: “Conto com você para conferir significado à minha vida”. “Conto com você para estar sempre ao meu lado quando eu precisar”.
“Conto com você para ler minha mente e antever todas as minhas necessidades”. “Conto com você para curar minhas feridas e preencher as deficiências da minha vida”. “Conto com você para me completar, para me tornar uma pessoa completa, para curar minha alma ferida”.A programação oculta não pode ser dita no altar. Ficaríamos ficar por demais embasbacados se tomássemos conhecimento dessas expectativas, pela sua própria impossibilidade. A maioria dos casamentos que chegam ao fim são rompidos pelo peso dessas expectativas, e aqueles que persistem são com frequência intensamente marcados. O romance se alimenta do que é distante, imaginado, projetado; o casamento sorve o mingau comum da proximidade, da ubiquidade e da mediocridade. O Poeta Rumi, conforme citação de Hollis, afirma:
“No momento em que em que ouvi minha primeira história de amor
comecei a procurar você, sem saber o quão cego eu estava.
Os amantes não acabam finalmente encontrando-se em algum
lugar. Eles estão um no outro o tempo todo”.

Ainda conforme Hollis, viver diariamente com outra pessoa desgasta automaticamente as projeções. E aí começam as frustrações, as tristezas, as raivas, por perceber que o outro não é aquilo que eu pensava, esperava, como eu também não consigo corresponder a todas as cobranças e críticas da outra parte. Muitas vezes até se faz a pergunta: o que eu fiz da minha vida; como pude me enganar tanto…? A pessoa a quem entregamos a nossa alma, a quem abrimos a nossa intimidade, acaba demonstrando ser apenas mero mortal como nós, temerosa, necessitada e que também projeta intensas expectativas. Os relacionamento íntimos de qualquer tipo carregam grande peso porque são os que têm maior probabilidade de repetir o Outro Íntimo que outrora foi o pai ou a mãe. Nós queremos pensar no nosso parceiro como pai ou mãe. Afinal, gastamos muita energia para nos afastarmos deles…. Quando os povos bíblicos declararam que o casamento exigia que se deixasse a mãe e o pai, não imaginava que isso fosse tão difícil. Assim, a retirada das projeções de proteção, poder e cura que lançamos sobre o Outro Íntimo só pode ser parcialmente concretizada. A discrepância entre a esperança silenciosa e a realidade cotidiana provoca uma dor considerável, no estágio de vida em que a pessoa começa a questionar as escolhas feitas até então.
Assim que der eu colocarei a reflexão que Hollis faz, dando continuidade, sobre as projeções sobre a paternidade e a maternidade.

Fonte: HOLLIS, James. A passagem do meio: da miséria ao significado da meia-idade. Trad. São Paulo: Paulos, 1995, p. 38-40

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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