DEPENDÊNCIA E DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Não gostamos muito de falar sobre dependência, seja de que natureza for. Mas, de certa forma, todos nós temos alguma ou algumas dependências. Ninguém é totalmente autônomo, livre, podendo fazer o que quiser e como quiser. Para começar, vivemos em uma sociedade que por ser complexa, se organiza com uma série de normas, estatutos, constituições, que regem o comportamento em grupo para que todos possam viver. Pois se cada um fizer o que der na telha no momento a convivência vira um caos pela disparidade de interesses.

Nas interações sadias, o que é o ideal, há uma interdependência. Uma necessidade mútua. As duas ou várias partes se somam, uma colaborando com a outra. Há interdependência entre parceiros que se amam e se respeitam um não precisando dominar e se impor sobre o outro chegando ao ponto, muitas vezes, de anulá-lo. E uma pessoa razoavelmente equilibrada também não permite ser anulada.

Há graus distintos de dependência. A dependência de um filho, com relação aos pais ou tutores é total até uma determinada idade a partir da qual vai diminuindo gradativamente até o ponto de a pessoa poder assumir a sua vida e cuidar das suas coisas como adulto, respondendo pelos seus atos. Quando essa conquista demora muito ou não se concretiza depois de determinada idade, é sinal de imaturidade, de não crescimento. Na nossa sociedade tem cada vez maior o número de pessoas que ficam na adolescência até bem mais tarde, acomodados nas condições de vida mais confortáveis e nos benefícios dos trabalhos dos pais. Mas não é bom para ninguém prolongar por muitos anos essa situação. Nem para os pais, nem para os filhos. Apesar de alguns pais incentivarem isto como forma de manterem os filhos por perto e se sentirem tendo um certo poder. Poder de controle, poder de palpitar, poder de exigir ou, para não ficarem sozinhos. Se o filho se acomoda e aceita a condição está criado o ambiente para se ter um imaturo e, muitas vezes, um egoísta que tudo recebe e se acha com todo direito e nenhum dever. Pior que quanto mais o tempo passa, mas ele corre o risco de se sentir inseguro e incapaz de cuidar de si e da própria vida.

Nas relações patrão x empregado também há sempre uma relação de interdependência. Um precisa do outro, fazendo-se um acordo mediante o que cada um pode oferecer. Se uma das partes não cumpre o acordo, também não pode cobrar da outra. E qualquer empresa não funciona se não tiver os seus funcionários, colaboradores ou como se queira chamar. Por isso, o respeito deve ser mútuo, assim como a consideração. Se um funcionário for desrespeitado ou mal tratado, as consequências não são boas para a empresa porque ele não dará o seu melhor e nem se empenhará como poderia para o bem da empresa.

Quando a alguém acredita que não pode viver sem determinada pessoa, situação, objeto, ou comportamento, então podemos afirmar que há uma dependência. E se essa dependência for tão forte que a pessoa não pode se liberar, então há uma escravidão. Tornar-se escravo é perder a liberdade, autonomia para poder escolher outras coisas e situações…. Perde-se a alegria de viver porque se ficou escravo de algo ou alguém  E nisso passa-se a ser uma coisa e não mais uma pessoa com suas prerrogativas.  Há muita gente nessa situação. Alguns matam  por achar que não podem viver sem uma determinada pessoa ou se matam, ou ficam doentes e largam tudo na vida. Temos vários exemplos de situações assim.

Dentre as dependências, uma que tem maltratado muita gente é a dependência química. O que é um dependente químico? É alguém que perdeu a sua liberdade para agir, viver, decidir sem o uso de uma determinada droga lícita ou ilícita. A dependência que mais preocupa e que mais atrapalha a vida das pessoas é a de drogas ilícitas por uma série de fatores que influenciam de forma negativa a vida da pessoa. Tenho acompanhado, há algum tempo, muitas pessoas que entram nessa vida e percebido o estrago que as drogas fizeram nelas. E não são só jovens adolescentes. Também adultos estão sujeitos a entrarem nessa dependência, por um descuido, uma curiosidade um achar que podem ficar bem depois de alguma desilusão ou dificuldade com a qual não sabem lidar direito e não procuram a ajuda certa. E uma boa parte dessas pessoas, se a família não se posiciona, não interfere para que faça um tratamento, pode morrer no uso de forma prematura – por doença, debilidade física ou assassinato. E em muitas situações não sobra alternativa a não ser um tratamento intensivo com a pessoa internada em um local especializado e voltado para a recuperação. Parece uma violência interferir na vida da pessoa e interná-la. Mas é muito mais violência deixar que uma pessoa morra afogada pelo uso de drogas e não interferir para tentar ajuda-la. E a liberdade da pessoa em fazer suas escolhas? No uso abusivo de drogas ela não tem mais essa liberdade. Perde autonomia, o bom senso e a condição de cuidar de si mesma. Em função disso, algumas famílias demoram muito a interferir, permitindo que o estrago, às vezes, seja irreversível.

Qual o melhor lugar para internar uma pessoa nestas condições? Difícil saber porque além de muitas clínicas e comunidades terapêuticas que oferecem esses serviços, um tratamento que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra ou não ser o melhor. E daí? Se você está precisando cuidar de alguém dessa forma, procure se informar. Em quase todas as cidades existem grupos de apoio às famílias e ou usuários de drogas e álcool. Podemos citar o Amor Exigente e o A.A, entre outros. Nesses locais se pode ter orientação. Uma outra forma é conversar com pessoas que já estiveram internadas ou familiares que internaram seus dependentes. Tendo essas dicas, ir visitar algumas clínicas para ver o funcionamento, a filosofia da clínica, conhecer o corpo clínico. Tudo pode ajudar a tomar a decisão.

Como há 12 anos dou assistência em uma Clínica que acolhe dependentes químicos, tenho conhecimento de alguns lugares que se dizem especializados em dependência química, mas que são lugares de verdadeiro terror. Isso contado por pessoas que passaram por estes estabelecimentos. Esses locais abusam da confiança e do desespero dos familiares e maltratam seus filhos, pais ou maridos, fazendo com que se acredite que tudo o que ele disser aos familiares é mentira e que na realidade querem é voltar a usar drogas e por isso falam mal da instituição. É preciso estar muito atento a isto.

Um lugar perfeito não se vai encontrar, porque não existe este lugar. Também é muito difícil para alguém que é privado de sua “liberdade” para tratamento, elogiar o local onde fica internado. Mas aí entra o bom senso em avaliar as condições gerais e o acompanhamento do desenvolvimento do filho. A resistência, nos primeiros dias, normalmente é muito grande. Mas quando o local tem uma preocupação honesta com o tratamento e recuperação, oferecendo grupos de estudo, sentimentos, espiritualidade, acompanhamento psicológico e condições razoáveis de alimentação e alojamento, então tudo bem. Vai poder ajudar o usuário, se ele se permitir ser ajudado – o que acontece com muitos, como já pude constatar várias vezes neste tempo que presto serviço à Clínica Coração de Maria, como já expus acima.

Já conheci muitos que tiveram uma única internação e nunca mais usaram aquela droga que os aprisionava. Outros precisaram de mais internações. E alguns, infelizmente, não conseguiram sair mais da dependência. Mas cada um que chega deve receber o incentivo e entender que vale a pena se posicionar para recuperar uma vida mais sadia e equilibrada em todos os sentidos.

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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