Vou continuar caindo naquele buraco?

Em seu livro “A passagem do meio”, (São Paulo: Paulus, 1995. pp. 133-4), James Hollis, em um dos trechos que discorre sobre a individuação, conforme Jung, apresenta de forma simples e fácil de entender o alcance desse conceito e ilustra com um trecho de autor anônimo um fato que pode ser corriqueiro, mas que pode ajudar a cada um de nós a revisarmos nossa forma de agir. Este texto ilustrativo, fala sobre a pessoa caminhando pela rua e encontrando e caindo em um buraco sucessivas vezes, até mudar a postura. Para ter mais sentido, para você, pode trocar a palavra rua e buraco por uma experiência própria que lhe faz mal, você sabe o que vai acontecer e continuamente fica caindo na mesma situação e agindo da mesma forma. Pode ser que você goste de ler, se estiver interessado em lidar melhor com alguma situação.
“…podemos aderir a um conjunto de crenças e práticas que estão de acordo com os valores coletivos, como a busca da riqueza ou a aceitação das normas do grupo, mas o preço dessa acomodação é a neurose. Ou então podemos estar vivendo um falso mito como: “preciso ser sempre a criança boazinha, evitando a raiva e servindo aos outros”. Essa imago orientadora pode estar tão profundamente inconsciente a ponto de termos sempre reagido dessa maneira e dificilmente podermos conceber outra. Nem o conformismo exterior nem a aquiescência interior apoia a totalidade. Com efeito, repetidamente nos é dito para servirmos o Exterior, e quando acontecer a colisão, para continuarmos servindo às expectativas programadas. Mais uma vez a estabilidade da sociedade é satisfeita, mas à custa do indivíduo. Em seu discurso à “Guild for Pastoral Psychology”, em Londres, em 1939, Jung comentou que somos forçados a escolher entre ideologias externas ou neuroses particulares. Somente o caminho da individuação poderia servir como alternativa viável. Isso ainda é verdadeiro.

O conceito de individuação representa o mito de Jung para a nossa época no sentido de conjunto de imagens que guiam as energias da alma. Simplesmente descrita, a individuação é a imposição evolutiva de cada um de nós de nos tornarmos a nós mesmos o mais completamente que formos capazes, dentro dos limites que nos são impostos pela nossa sina. Mais uma vez, a não ser que enfrentemos conscientemente nossa sina, ficaremos presos a ela. (negrito meu)

Precisamos separar quem somos daquilo que adquirimos, nosso senso do eu de facto porém falso. “Eu não sou o que me aconteceu; eu sou o que escolhi tornar-me”.(destaque meu). Precisamos dizer conscientemente essa frase todos os dias para que possamos nos tornar mais do que prisioneiros da nossa sina. Esse dilema, e a necessidade de sermos conscientes, foi expresso um tanto jocosamente na “Autobiography in Five Short Chapters”, de autor anônimo:

I
Caminho pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio dentro dele.

Estou perdido … Estou indefeso
Não é minha culpa.
É preciso a eternidade para conseguir sair.

II

Caminho pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Finjo que não o vejo.
Caio dentro dele de novo.
Não consigo acreditar que estou neste mesmo lugar.
Mas não é minha culpa.
Ainda é preciso um longo tempo para conseguir sair.

III

Caminho pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu vejo que ele está lá.
Ainda caio dentro dele … é um hábito … mas,
meus olhos estão abertos.
Eu sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

IV

Caminho pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta ao redor dele.

v

Caminho por outra rua”.

É bom sabermos e aceitarmos que existem outras ruas, outros caminhos, e que posso arriscar caminhar por eles ou perceber alternativas mais agradáveis, mais sadias.

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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