ORAÇÃO DA COVARDIA

DEUS,

Há anos ouvi sobre uma criança que tivera sua mão amputada, quando apanhou tanto do pai, porque, com uma pedra, riscara o carro como se estivesse lavando-o, imitando os gestos do pai com a esponja.

Eu vi uma criança com roxas marcas de agressão… fiquei triste, não fiz nada.

Ouvi sobre o menino de sete anos, espancado frequentemente, assassinado pela mãe e pelo padrasto, colocado no freezer…no freezer…como carne de porco…

Num caminhão, quatro crianças libanesas, junto às suas mães e mais cinquenta e nove pessoas, tentavam atravessar rumo à Alemanha, e o motorista os trancou, deixando-os, propositadamente, morrer sufocados. Só descobriram depois que líquidos de putrefação foram vistos pingar no asfalto. Fiquei assustada, desliguei a televisão e dormi.

Antes de chegar à adolescência, o menino foi torturado, constrangido, maltratado, assassinado pela madrasta e jogado num buraco supostamente feito pelo tio…abusado e morto por quem deveria lhe proteger…nada, nada eu fiz, como se o pecado da omissão fosse menor.

Somente os sapatos de crianças africanas refugiadas chegaram à margem do Mediterrâneo, os botes afundaram levando sonhos e familiares…sucumbiram também minha reação, minha humanidade.

Eu me emocionei com a foto de uma criança de cinco anos abraçada à sua irmãzinha de dois, depois do terremoto no Nepal…. Todos os familiares morreram…ele a protegia…ele não tinha proteção. Sabe o que eu fiz? Salvei a foto … somente.

Um fotógrafo chegou com a câmara perto de uma menininha, de não mais de três anos, no oriente médio, e ela levantou as pequenas mãozinhas inocentes achando que a máquina fotográfica fosse uma arma. Eu e outros milhares colocamos sua foto como capa do perfil… não fiz nada…

Ouço diariamente que poderosos traficam seres em formação, em todo o país, para o hediondo e macabro prazer da pedofilia …

Vou começar o dia, ouvir o noticiário e ver que milhares crianças Nardonis continuam sendo jogadas pelas janelas, sacrificadas, fustigadas, queimadas, sequestradas, violentadas…o único alívio que lhes dão, para aplacar suas dores, são a analgesia eutanásia da morte.

Depois, com um nó na garganta, vou tomar café, continuar meus afazeres e continuar a fazer, por elas, nada, um sonoro, gritante e angustiante NADA.

Moema Leite

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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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