CIÚME: SENTIMENTO QUE MACHUCA

Este é um sentimento meio confuso. Não é muito fácil a pessoa ciumenta aceitar ser ciumenta. E algumas, para demonstrar desprendimento, mesmo sentindo ciúmes, não demonstra claramente, mas por subterfúgios, com sutilezas bem arquitetadas.
Culturalmente o ciúme é tido, em muitas situações, como zelo, proteção, cuidado para que a outra parte não se machuque. E um “ciuminho” normalmente é tolerado sem maiores problemas.
Mas como a manifestação desse sentimento começa ser exagerada,o que acontece é sofrimento. Sofrimento tanto de quem tem o ciúme como de quem é alvo dele. É muito difícil suportar um controle que se mostra exagerado, um não permitir que se respire com tranquilidade sem que o outra parte queira saber o motivo, porque, quando…..E as mágoas começam a acontecer e a crescer correndo o risco de se matar o amor que se quer preservar ou guardar para si como uma posse.
Jean-Yves Leloup, no livro O Evangelho de Maria (Vozes), faz um comentário sobre o ciúme que achei muito pertinente.
“…O anel no dedo é o símbolo de uma aliança, nunca de uma dependência.
Ora, só pode haver aliança entre duas liberdades que, por sua vida comum, terão que se conduzir um e outro em direção à sua autonomia, maturidade e independência – o que supõe, evidentemente, estarem livres desse clima que envenena as relações humanas: o “ciúme mortal”.
Este ciúme é o contrário da confiança mútua. E onde entre dois seres não há confiança, não são somente o ciúme e a cólera que se instalam, é a morte (“pelo ciúme do diabo, a morte entra no mundo”, Sab 2,24).
O ciúme é “homicida” no sentido de que ele é incapaz de respeito e de reconhecimento pelo que há de Humano, de inalienável no outro.
O ciúme reduz o outro a ser apenas matéria e nos reduz a sermos somente esta matéria em erupção cujas lavas deixam atrás de si apenas tristezas e cinzas”.
Então, quando começamos a ficar tomados pelo ciúme, é bom não perguntar ao outro, mas a nós mesmos sobre o que está acontecendo conosco, com a nossa confiança em nós e na pessoa que fez a opção de ser nossa parceira. Por que essa baixa autoestima que nos traz tanta insegurança a ponto de querer controlar todos os passos e olhares do outro? Com o medo de perder, corre-se o risco de acabar por realmente provocar a perda, de cansar, de o outro querer se livrar desse peso que asfixia.
“O ciúme é o medo de não se ver mais refletido no olhar do outro”. Mas se isto acontecer, não estamos mais unidos e o outro não é minha posse. Nós não gostamos de perder, mas se já perdemos, até por consideração à outra pessoa e também pela nossa saúde e dela, temos que deixá-la ir, caso ela queira. Se ela não for, é porque se sente unida, apesar de nossas inseguranças e medos que são infundados. Querer demais segurar e controlar pode justamente empurrar para longe de nós quem queremos sempre perto.
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Sobre joaoloch

Psicólogo. Acupunturista. Quiropraxista, Terapeuta em Florais de Bach e Reiki, Mestre em Educação. Prof. Universitário. Clínica particular de Psicologia e Acupuntura End.: Rua Carlos Gomes, 697 - Vila Williams - Garça SP Fone (14) 34061605
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