Nossas 4 dimensões

Viver só uma parte de si mesmo é estar doente.
Para Jung, a integração entre as quatro dimensões (razão, intuição, sentimento e sensação), é sinal de saúde. É da conexão, da integração entre estas quatro propriedades que podemos encontrar o nosso centro, que podemos descobrir o nosso Self, o nosso Self verdadeiro. Este Self é a integração dos opostos, a Chama de Pentecostes, o coração inteligente ou a inteligência do coração. Porque a doença consiste em viver em apenas uma parte de si mesmo, viver apenas sua cabeça, viver somente suas sensações, viver somente sua afetividade, viver somente da sua inspiração ou das suas revelações interiores.
Podemos viver de belas revelações interiores, de belas mensagens, mas se elas não estiverem encarnadas na matéria, no corpo, teremos somente lindas explicações do mundo. E se nos falta o coração, se não pudermos realmente encontrar os outros, para que elas nos servirão? Por isso o importante, sempre, é a integração. (Jean-Yves Leloup, in O ESPÍRITO NA SAÚDE. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 18-19).

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Nossas facetas

Algumas pessoas despertam (ou ativam) em nós a sensibilidade mais fina, o gosto pelo belo, pelo justo, pela arte mais refinada, a espiritualidade mais delicada.
Outras despertam o nosso lado mais instintivo, descontrolado, grosseiro…
Algumas não despertam nada.
E outras despertam nossa integridade, nossa inteireza, nossa completude, nosso lado divino e humano.

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FANATISMO/ARROGÂNCIA

“Na raiz da arrogância do fanatismo está a convicção de que a vida e o universo estão resumidos a uma simples fórmula – a sua fórmula” (escreve o filósofo Eric Hoffer, em seu livro, The True Believer”).
Uma vez que as pessoas se convencem de que estão absolutamente corretas, suas mentes tornam-se fechadas às vozes dos outros que discordam de seus pensamentos. Daí vem a intolerância, o fanatismo e até as manifestações radicais que levam às tentativas de destruir todos que pensam de outra forma ou defendem outros princípios.
Todos corremos o risco de nos tornarmos pessoas assim, se nos fecharmos em uma visão exclusivista de mundo e nos alimentarmos sempre das mesmas fontes e só dermos ouvidos aos que reforçam a nossa visão. Por este aspecto, uma pessoa ou um grupo bem intencionado pode se tornar muito perigoso e cruel, praticando os maiores males em “nome do bem” . (in SENGE, Peter. “A dança das mudanças: os desafios de manter o crescimento e o sucesso em organizações que aprendem. Rio de Janeiro: Campus, 1999, p. 386)
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O ARQUÉTIPO DO INVÁLIDO

O arquétipo do inválido e os limites da cura
Adolf Guggenbühl-Craig
Junguiana: Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica. Vol. 01. São Paulo: 1983, p. 97-106 (Trechos selecionados)

“A maternidade, ou o arquétipo da mãe, pode aparecer na vida de uma mulher sem que jamais ela tenha tido filhos. O arquétipo da mãe poderia permear tudo que ela faz sem que haja filhos na realidade. Esta independência do arquétipo da realidade externa se aplica ao arquétipo do inválido também, não necessitando da invalidez real para ser ativado. Um inválido real, alguém que tenha perdido uma perna ou um olho pode atuar o arquétipo do inválido ou não – ou nem grau muito menor que o esperado, em vista da sua incapacidade física real. A vida pode ser vivenciada sob a estrela da saúde ou sob a estrela da invalidez, independentemente do real estado de saúde. Nesta altura poderíamos perguntar: Onde aparece o arquétipo do inválido na mitologia? E este é um problema real. Nós esperamos que todos os arquétipos apareçam de alguma forma na Mitologia, assim onde estaria a figura arquetípica do inválido? Onde a imagem coletiva?
Os deuses gregos podem ter momentos de enfermidade, mas nunca parecem ser inválidos crônicos, exceto Hefesto que claudica. Os outros deuses gregos eram extremamente saudáveis. Talvez a Mitologia Grega, tendo chegado a nós principalmente através dos Românticos, tenha sido adocicada de tal forma que podemos aí encontrar poucos sinais deste arquétipo. […]
A iconografia cristã nos mostra muitas imagens de invalidez. As catedrais estão cheias de imagens grotescas, de seres humanos inválidos. Estas esculturas, bem como os devotos nos altares dos Santos que promovem a cura, poderiam muito bem ser inspirados pelo arquétipo do inválido.
Mas, é nas artes que vamos encontrar este arquétipo, por exemplo, nas pinturas de Velasquez que pintou suas figuras de forma distorcida. E alguns diretores de cinema que procuram representar seus personagens como inválidos. Nos filmes de Fellini aparecem personagens que são ou muito magros, ou muito gordos, com vozes bizarras, etc. O inválido como figura da imaginação aparece, além disso, em estórias clássicas de aventuras. Na Ilha do Tesouro, de Stevenson, Long John Silver tem uma perna de pau; o Capitão Gancho, no Peter Pan, tinha um gancho ao invés de uma mão. Um pirata usualmente não tem uma perna ou um braço, ou usa um tapa-olho. Outra imagem familiar do inválido é o corcunda Quasimodo, o corcunda de Notre-Dame. […]
Diagnóstico Diferencial do Inválido: Primeiro ele não tem nada a ver com o arquétipo da criança. A criança como o inválido é frágil, mas cresce, torna-se um adulto, “mata o pai”, tem um futuro. A criança é somente temporariamente fraca.
Segundo, o arquétipo da doença é também algo a mais, pois doença leva à morte, à saúde ou à invalidez. A doença é usualmente limitada a um curto período; é uma ameaça passageira, uma catástrofe, um evento agudo, dinâmico. A invalidez usualmente não leva à morte nem à saúde, é uma deficiência do corpo, do cérebro ou da mente.
Em terceiro lugar, embora a invalidez possa ser crônica, pode ser distinguida do arquétipo do Senex, ou Saturno, pois pode não ser acompanhada pela miséria, solidão e depressão.
Pessoas que vivem plenamente sob o arquétipo do inválido parecem ser muito irritantes, maçantes, chatas. Mas o arquétipo da saúde também pode ser muito irritante! Se alguém não para de falar do que pode ou não pode fazer por causa de suas dores nas costas, se torna muito maçante. Mas, é certamente muito mais maçante aquele que não para de falar de suas corridas, e de como seu coração depois de dez quilômetros ainda bate devagar, e de como ele faz exercícios todas as manhãs e vai para o trabalho tão bem como se tivesse nascido naquele dia.
Os arquétipos não são nem bons nem maus, nem interessantes nem desagradáveis. De certa forma são “neutros”. Podem, contudo, ser vivenciados positiva ou negativamente. Nosso trabalho e nosso dever como analistas é o de estudar e refletir sobre esses arquétipos, sobre suas qualidades, de tal forma que possamos lidar com eles na prática. O arquétipo pode ser vivenciado negativa ou muito positivamente pelo meio ou pelas pessoas que estejam sob seu domínio. […]
(O arquétipo do inválido pode ter um efeito positivo para as pessoas que estão em contato com o inválido) faz-nos sentir prestativos e úteis. Pode-se fazer algo por ele, dar-lhe uma cadeira confortável, uma cama firme, e ele percebe nossos esforços. Não é ameaçador, é fraco, desamparado e não competitivo. Evoca bondade, descontração. O arquétipo do inválido, quando vivido, inspira reflexão e discussão. […]
O arquétipo da inválido pode ter um efeito positivo para a pessoa que o vivencia. Ele se opõe à soberba e promove a modéstia. A fraqueza humana é compreendida em sua plenitude por essas pessoas e assim torna-se possível um tipo de espiritualização. Elas vivem continuamente com um tipo de memento mori; estão sempre se confrontando com a decadência de seu próprio corpo – não se vê aquela ambição centrada em si mesmo, baseada no corpo. É um arquétipo que constela em outras pessoas bondade e paciência. Por ser tão humano pode o arquétipo ser muito humanizador. Saúde, portanto, é própria dos Deuses – e aí está o perigo. O complexo de Deus ligado ao arquétipo da saúde transparece no fanatismo com o qual a saúde é cultivada. Ela é perseguida com convicção religiosa e dogmatismo: “chá de ginseng é bom para você, não se importe com o sabor”. Inválidos, por outro lado, raramente tentam converter você.
O arquétipo do inválido é importante para a relação. Hoje em dia está em voga uma fata morgana psicológica, a fantasia da pessoa independente. Todos somos dependentes, da mulher, do marido, do pai ou da mãe, dos vizinhos, das crianças, dos amigos. Viver o arquétipo da invalidez significa compreender sua própria dependência eterna de algo ou de alguém. Uma epssoa com o sentimento de vida inválido será sempre dependente de uma pessoa com um sentimento de vida forte e saudável. Dependência unilateral e mútua tem sua razão de ser no arquétipo da invalidez. Ele contrabalança a imagem arquetípica do herói independente ou do viajante, sempre livre, não ligado a alguém.
O arquétipo da invalidez desempenha um papel importante na transferência. A dependência na transferência é principalmente vista como o padrão de pais/filhos ou regressão. Mas a teoria pais/filhos com freqüência se revela insatisfatória na transferência. Frequentemente um analisando é dependente do analista como inválido e não como criança e este tipo de dependência do inválido deve ser aceito como qualquer outro arquétipo. O aparecimento do inválido na análise é algo bastante enigmático e ardiloso. Às vezes percebemos que ao analisandos se tornam dependentes de nós por anos a fio. A criança parece que nunca cresce, contudo não há criança. Haverá invalidez e dependência para sempre. Os resultados disso para o analista são usualmente difíceis de suportar. Ele pergunta a si mesmo se a análise se transformou numa pensão para velhos. Talvez o próprio analista tenha se tornado uma muleta, a muleta psicológica de um inválido emocional. Mas não há nada de alarmante nisso; é algo legítimo. O que nos deveríamos fazer é tentar encorajá-lo a transferir esta dependência para outras pessoas, eventualmente, e não deixá-la com o analista. A dependência em si provavelmente deve existir.
Devo repetir que os perigos do arquétipo do inválido nunca devam ser subestimados. Nós nos tornamos inconscientes dele, da mesma forma que encontramos tão poucas imagens míticas em que ele aparece. É um arquétipo muito problemático, difícil de lidar, por isso nós o reprimimos. Ele pode criar uma disposição do tipo “o inválido nos acompanhará para sempre”, um tipo de atitude fatalística, passiva. Nada pode ser feito. Pode criar uma atitude como a expressa em dísticos que podiam ser lidos em alguns hospitais “de doenças incuráveis”. Esta predisposição se insinua ao lidarmos com a invalidez mental, psicológica e social. Esta compreensão negativa do arquétipo poderia nos fazer desistir de trabalhar pela saúde e seu restabelecimento. Todo o tremendo progresso da medicina ocorreu parcialmente por causa do arquétipo do inválido ter sido rejeitado, reprimido, negado. Nós analistas vivemos parcialmente de pessoas que esperam crescer e se curar, não vivemos de inválidos. Assim, olhar todo nosso trabalho terapêutico desta perspectiva da invalidez falsifica nossa tarefa multifacetada. Somos dominados por muitos arquétipos. Somos dominados por muitos arquétipos. Muitos nos tem em seu poder. O arquétipo do inválido é somente um padrão de comportamento. Mas, aqui neste artigo, estou desempenhando o papel de advogado do inválido e eu quero defender esta figura arquetípica. Quero atacar seus inimigos, pois são fortes e coletivamente bem aceitos. Quero, portanto, atacar novamente a fantasia da saúde, apontando o perigo desta fascinação pela saúde.

Invalidez, saúde, totalidade
Primeiramente, precisamos reconhecer que tanto a saúde como a invalidez são fantasias arquetípicas e em segundo, que a totalidade foi identificada unilateralmente com saúde. A saúde foi até absorvida pela totalidade, a totalidade como sinônimo de não comprometimento da função e plena desempenho de seus poderes mentais e físicos, não deixou lugar para a fantasia da invalidez. Nossa fantasia de totalidade é unilateralmente “saudável” e nossa fantasia de saúde se tornou tão total que deixou de ser verdadeiramente saudável. De acordo com a fantasia de saúde contemporânea, devemos nos tornar sãos; qualquer defeito, mau funcionamento deve ser superado. Em outros tempos, as pessoas prosseguiam através da vida com um temperamento melancólico; hoje as mesmas pessoas têm que engolir fortes medicamentos até que se tornem descontraídas e estupidamente felizes. Por sabermos que no fundo somos todos parcialmente inválidos para sempre, tentamos rejeitar este conhecimento e negar este arquétipo. Trabalhamos ininterrupta e inutilmente para manter a saúde a qualquer preço. […]
Os seguidores da saúde, os discípulos de mens sana in corpore sano adoram e ritualizam suas próprias saúdes. Eles começam a correr três meses após um enfarte, vão a safáris, apesar de sofrerem de diabetes, insistem em estar em pelna forma depois de uma operação comem alimentação vegetariana e consultam um conselheiro matrimonial para curar seus casamentos. Estão normalmente, é claro, bronzeados. Querem aparentar saúde até morrer. “Nunca esteve um só dia doente, ele ainda faz alpinismo aos oitenta”.
A ideia predominante de que saúde é estar são de corpo e alma, um idealizado deus grego, não leva em consideração o arquétipo do inválido dentro de nós mesmos, e nos torna incapazes de lidar com o inválido quando ele surge dentro de nós. Nossa fantasia de saúde também nos faz projetar nossa invalidez em crianças com paralisia cerebral, nos velhos nos asilos, nos paraplégicos, preocupando-nos com eles e nos esquecendo ao mesmo tempo que ela aparece nas menores queixas do cotidiano. Não vemos que somos defeituosos incuráveis. Dissociamos saúde de invalidez, reprimindo que temos pernas curtas, pés chatos, músculos fracos e que nossos corações disparam; ou que sofremos de pequenos comprometimentos cerebrais, que somos exaltados, indolentes, compulsivos e psicossomaticamente perturbados.
A consequência mais desagradável da falta de se cultivar o arquétipo do inválido aparece no moralismo da saúde e da totalidade. Isto provoca resultados desastrosos para os que sofrem de neuroses e doenças psicossomáticas. Ao discutir casos, surpreendo-me com o tom moral que nós psicoterapeutas tão frequentemente usamos com relação aos doentes. São – é essa nossa atitude – simplesmente pessoas inferiores; eles não querem – principalmente quando são psicologicamente inválidos – serem curados. Não querem crescer, mudar e por isso mantêm-se atrás de suas defesas; embora você veja através delas que simplesmente não querem colaborar. Não podemos deixar de desprezá-los. Somente os aceitamos quando participam de nossas fantasias de crescimento, sanidade e totalidade. Somente quando concordam em serem curados e tratados despertam algum interesse em nós. Alguns de nossos pacientes são realmente doentes e podem ser tratados até certo ponto; mas muitos, pelo menos na prática psicoterápica, são dominados pelo arquétipo do inválido. Não podem ser curados, pelo menos no sentido de se tornarem sãos. Está mais do que na hora de refletirmos sobre o arquétipo do inválido. Este arquétipo tem sido extremamente deselegante – como a sexualidade há oitenta anos atrás. E, como naquela época, a relutância para ver um arquétipo provoca infelicidade em nossos pacientes. Pois, quanto mais queremos curar a todos que estejam crônica, neurótica ou psicossomaticamente doentes, tanto mais essas pessoas, vivendo sob o arquétipo do inválido, devem se defender desesperadamente, sem saber o que está acontecendo com eles. Tornam-se mais tirânicos e mais exigentes e solicitam mais remédios, mais cuidados, mais pensões e menos trabalho. Toda uma sociedade que solicita mais cuidados médicos, apoio, segurança e bem estar. Por negar um arquétipo podemos sofrer uma terrível e cruel vingança. Milhos de pessoas são levadas por seus inconscientes a esperar aquele momento em que possam entrar abertamente para servir o arquétipo do inválido. Um pequeno acidente, uma pequena perda de alguma capacidade física ou mental e eles param imediatamente de trabalhar. Exigem compensações, pensões e seguros de invalidez, etc. Fazem com que todos à sua volta se sintam culpados e parecem dizer: “Agora sou um inválido, minha invalidez inata foi finalmente reconhecida e agora posso dizer minhas exigências, me tornar dependente”.
Não podemos ajudar esses pacientes a se livrarem do arquétipo do inválido, apenas podemos mostrar-lhes como viver com ele, como lidar com ele e, talvez, estimular um outro arquétipo. Podemos auxiliá-los a vivenciá-lo de uma forma menos negativa. Como já disse, pessoas que estão vivendo o arquétipo do inválido, como qualquer outro padrão arquetípico, poderão fazê-lo de forma agradável ou desagradável, criativa ou não criativa, com amor ou sem amor. O lado negativo do padrão pode ser mais pronunciado tal como: tirania, egoísmo, prepotência, culpa, fuga da realidade; ou os lados positivos como a modéstia, acomodação, reflexão, habilidade de aceitar a dependência, religião, etc. Se a vivência agradável, ou não, do arquétipo não depende do arquétipo em si, de que então ela depende? […]
Num inválido com Eros observamos: as pessoas à sua volta tornam-se prestativas e gentis e o portador do arquétipo mostra-se modesto. Sua invalidez estimula uma atitude não-heróica que leva à contemplação filosófica e religiosa, não se prendendo à competição, mas compreendendo as limitações de seu corpo e de sua psique humana. Como resultado, os valores espirituais tornam-se mais importantes.
O inválido sem Eros é mau, tirânico, parasita, mau-humorado, compensando, desesperadamente, a invalidez através de artimanhas astutas ou se deixando obcecar por bens materiais. É invejoso, pessimista, desesperançado, cheio de ódio e melancolia.
Eros não nos dá paz e tranquilidade e nossas ações guiadas por Eros nos trarão frequentemente dificuldades, desespero e tragédias. Pelo menos Eros produz um envolvimento cheio de significado aos padrões arquetípicos que vivemos. São, com Eros, não apenas forças não-humanas que atuam sobre nós, porém, também maneiras de nossas psiques agirem e de nosso espírito se iluminar.
Tentei mostrar algumas limitações de nossos esforços de cura, relacionando estas limitações ao arquétipo do inválido. Tentei lembrar que desde que surgiu o ser humano fomos e ainda somos seres mais ou menos imperfeitos. Nossa natureza física jamais funciona de maneira completa e perfeita. Somos imperfeitos desde que nascemos e à medida que atingimos a maturidade e a velhice mais limitações vão se acrescentando. Arquetipicamente nosso corpo, através do qual nossa psique se manifesta, é um organismo defeituoso, impreciso, sempre vivenciado como parcialmente funcionando e não funcionando. A medicina atual realmente consegue maravilhas, os defeitos mecânicos podem ser em parte corrigidos, mas, não completamente eliminados. Por isso sofremos continuamente de uma permanente imperfeição limitadora. É este o estado real de totalidade. É uma verdade de nossa condição existencial que somos parcialmente defeituosos sem reparo. Esta é uma vivência básica da vida e é esta que deve definir nossa ideia de saúde. Um bom analista pode ser visto como um sacerdote do arquétipo do inválido cuja atitude frente a invalidez é orientada por Eros”.

Transcrito por Silvio Lopes Peres, em seu face, no dia 16 de Maio de 2017

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Reforma da previdência

Muito interessante a lógica do governo para melhorar a situação do INSS que, segundo o mesmo governo, está na UTI e precisa de uma reforma urgente: PERDOAR OS SEUS DEVEDORES. Só dos Estados e Municípios, aproximadamente se perdoa uma dívida de R$ 100 bilhões. Dá para acreditar numa coisa dessas?
Pior é que envolve nessa falácia, alguns governadores e prefeitos que ainda têm um pouco de bom senso e condiciona verbas ao apoio à referida “reforma salvadora”.
Será que esse mandatário melhora a sua situação econômica falando aos seus devedores que não precisam lhe pagar? Desse jeito é difícil dar apoio a este grupo. É um sofisma muito mal arquitetado que escancara as mentiras que estão nos empurrando como verdades absolutas. A quem serve mesmo esta reforma da previdência?
Deus nos salve dessas maldades…

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Fanatismo e parcialidade

O fanatismo nos impede de ver as coisas de forma menos parcial e nos torna presas fáceis e manipuladas por interesses escusos que não nos são apresentados pelos líderes que adotamos como nossos salvadores, ou representantes de nossos ideais. Ficamos tão cegos que não enxergamos aquilo que vai contra as convicções que formamos, porque teríamos que rever uma série de posturas e admitir nossa ingenuidade ou ignorância. Agimos como o pai que confia plenamente na palavra da filha e, por ela ter lhe falado que ainda é virgem e que ele pode confiar nela, mesmo que ela já esteja às vésperas de dar à luz o pai é capaz de mover o mundo para provar que a filha é virgem, porque ela não mentiria para ele.

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O canto da sereia

Cair no canto da sereia é entrar em um estado de encantamento irresistível e, em função disso, caminhar para o aniquilamento, a perda do controle, a morte.
Na mitologia grega as sereias eram mulheres lindas, sendo metade peixe. O canto da sereia era irresistível aos marinheiros. Lançavam-se ao mar para encontrá-las, sendo atraídos para a morte. Elas encantavam os marinheiros e este encanto era a perdição deles.

Todos corremos o risco de sucumbirmos a algum “canto da sereia”. Às vezes é necessário que sejamos amarrados a um mastro, como Ulysses, ou tenhamos os ouvidos totalmente vedados, para não sermos iludidos com as promessas que parecem de vida e que atraem para a desgraça total.

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