Respeito à mulher

A primeira mulher que o homem aprende a respeitar é a própria mãe. E é a mãe que precisa ensiná-lo. Caso a mãe se comporte perante o filho como quem está sempre à sua disposição, para fazer tudo o que ele quiser na hora que quiser, ou que ele pode fazer tudo, tendo todos os direitos e nenhum dever; que pode usar e abusar da mãe sem ter consequência nenhuma, ele pode crescer assim, achando que mulher é para satisfazer suas vontades e que ele pode tratar de qualquer jeito. Ou melhor dizendo, maltratar, pois ele veio a esse mundo para ser servido e ai de quem lhe disser um não.
É importante que as mães sempre avaliem os valores que estão passando para os filhos, não só homens. Como se fazer respeitar e como respeitam os demais na convivência. Os modelos são muito importantes. E os primeiros modelos têm um papel fundamental no nosso desenvolvimento e na forma como nos vemos e vemos os demais no mundo.

Quem em casa já aprende a desrespeitar a mulher, pode achar que é normal agir assim ou que ela não merece outro tratamento. Que as mães, estejam atentas para não ajudarem a criar monstros, confundindo amor com proteção exagerada e justificação de todos os erros dos filhos. Para conseguir ensinar respeito a pessoa também precisa se fazer respeitar e orientar da melhor forma. E se o tratamento dado aos filhos também for só na base da “paulada”, não se pode esperar dele coisa muito diferente no trato que ele dará aos outros. Foi o que ele aprendeu.

 

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SEDE PASSANTES

Este tema da passagem é o tema da Páscoa.
Pessah em hebraico, quer dizer passagem.
A passagem, no rio, de uma margem à outra margem,
a passagem de um pensamento a outro pensamento,
a passagem de um estado de consciência
a outro estado de consciência.
A passagem de um modo de vida
a um outro modo de vida.
Somos passageiros.

A vida é uma ponte e, como diziam os antigos,
não se constrói sua casa sobre uma ponte.
Temos que manter, ao mesmo tempo,
as duas margens do rio, a matéria e o espírito,
o céu e a terra, o masculino e o feminino e
fazer a ponte entre estas nossas diferentes partes,
sabendo que estamos de passagem.
É importante lembrar-se do carácter passageiro de nossa existência,
da impermanência de todas as coisas,
pois o sofrimento geralmente é de querermos fazer durar
o que não foi feito para durar.

A grande páscoa é a passagem desta vida mortal para a vida eterna,
é a abertura do coração humano ao coração divino.
É a passagem da escravidão para a liberdade,
passagem que é simbolizada pela migração dos hebreus,
do Egito para a terra Prometida.
Mas não é preciso temer o Mar Vermelho.
O mar de nossas memórias, de nossos medos, de nossas reações.
Temos que atravessar todas estas ondas, todas estas tempestades,
para tocar a terra da liberdade,
o espaço da liberdade que existe dentro de nós.

Sede passantes.
Creio que esta palavra é verdadeiramente um convite
para continuarmos nosso caminho
a partir do lugar onde algumas vezes paramos.
Observemos o que pára a vida em nós,
o que impede o amor e o perdão,
onde se localiza o medo dentro de nós.
É por lá que é preciso passar, é lá o nosso Mar Vermelho.
Mas, ao mesmo tempo, não esqueçamos a luz,
não esqueçamos a liberdade, a terra que nos foi prometida.

(Jean Yves Leloup)

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Medo de Jonas

O que o medo de Jonas, o personagem bíblico, nos ensina?

Pode-se ter medo de fazer sucesso, de realizar o que os nossos pais não conseguiram. Isto é, efetivamente, algo que pode estagnar o nosso vir a ser, o desenvolvimento de nossas potencialidades. Por exemplo, ser feliz na vida afetiva quando nossos pais se divorciaram ou viviam constantemente um machucando o outro, ou algo muito difícil como vencer profissional e financeiramente podem se transformar numa fonte de inquietude.
Krishnamurti escreveu um belo livro no qual afirma que a liberdade do conhecido demanda muita coragem e maturidade. O medo de não ser como os outros desencadeia o medo de conhecer a si mesmo. Jonas tem medo de ser diferente porque essa diferença é o que ele realmente é. É isso que se tem de escutar.Quanto mais impessoal o conhecimento, mais seguro ele será; quanto mais pessoal ele se tornar, na escuta do próprio mundo interior, mais nos questionaremos a esse respeito. Dai o medo de conhecer-se melhor, de penetrar mais profundamente na essência do si próprio. Isto pode levar a agarrar-se a algumas percepções rígidas e intocáveis, para não correr riscos de ter uma consciência mais ampla que possa, inclusive, exigir um grande desacomodar-se.

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O encontro de uma boca e um ouvido

“A palavra é o encontro de uma boca e de um ouvido. O ouvido que escuta pode ser mais sutil que a boca que fala, ele pode escutar coisas mais inteligentes do que aquelas que são ditas.
Deus pode mesmo abrir a escuta de alguém a palavras que não foram pronunciadas! Eis aí um dos mistérios da pregação e que deve conservar o pregador humilde.
O Espírito Santo está tanto – e algumas vezes até mais – no ouvido daquele que escuta do que na boca daquele que fala”. (Jean-Yves Leloup)
Por isso, percebemos e entendemos coisas, a partir do que nos é falado, que quem falou nem imagina. Às vezes até nos perguntamos: como a pessoa chegou a esta conclusão a partir do que falei?
Muitas vezes achamos que foi o outro que falou alguma coisa, mas na realidade, nem ouvimos o que o outro falou. Ouvimos a nós mesmos e nem percebemos que pensamos estar elogiando ou criticando o outro, mas estamos sendo um eco de nosso próprio pensamento. É necessário perspicácia e atenção para realmente ouvir o que está sendo dito e ir além do que se ouviu. E também se permitir a entender coisas novas e até mais significativas do que as só ouvimos.
A palavra que nos é dita pode ser só a chance de uma inspiração para a nossa vida, um trampolim.
A humildade para quem fala é aceitar que a sua palavra não fecha o entendimento e nem pode conter o desencadear de raciocínios…. Acho isto extraordinário!“A palavra é o encontro de uma boca e de um ouvido. O ouvido que escuta pode ser mais sutil que a boca que fala, ele pode escutar coisas mais inteligentes do que aquelas que são ditas.
Deus pode mesmo abrir a escuta de alguém a palavras que não foram pronunciadas! Eis aí um dos mistérios da pregação e que deve conservar o pregador humilde.
O Espírito Santo está tanto – e algumas vezes até mais – no ouvido daquele que escuta do que na boca daquele que fala”. (Jean-Yves Leloup)
Por isso, percebemos e entendemos coisas, a partir do que nos é falado, que quem falou nem imagina. Às vezes até nos perguntamos: como a pessoa chegou a esta conclusão a partir do que falei?
Muitas vezes achamos que foi o outro que falou alguma coisa, mas na realidade, nem ouvimos o que o outro falou. Ouvimos a nós mesmos e nem percebemos que pensamos estar elogiando ou criticando o outro, mas estamos sendo um eco de nosso próprio pensamento. É necessário perspicácia e atenção para realmente ouvir o que está sendo dito e ir além do que se ouviu. E também se permitir a entender coisas novas e até mais significativas do que as que ouvimos.
A palavra que nos é dita pode ser só a chance de uma inspiração para a nossa vida, um trampolim.
A humildade para quem fala é aceitar que a sua palavra não fecha o entendimento e nem pode conter o desencadear de raciocínios…. Acho isto extraordinário!

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Nossas dores não curadas

Todos nós temos alguns pontos sensíveis (tendão de Aquiles), pontos frágeis e doloridos que ao serem tocados nos “tiram do sério”. Refletem alguma experiência ou trauma emocional que nos marcaram e que ainda não resolvemos de forma razoável para não nos fazerem sofrer mais. Se não enfrentarmos, em nós mesmos, estes pontos, podemos desenvolver alguns comportamentos para que estas dores não venham à tona. Só que esta proteção não consegue nos proteger de vez ou outra, não por intenção de outras pessoas, mas por consequências dos relacionamentos, que são dinâmicos, estes pontos serem colocados à nossa frente. Aí, nos sentimos expostos e podemos nos revoltar, porque parece que o outro é responsável e nos cutuca de propósito, para nos fazer sofrer ou nos diminuir….Se temos uma reação exagerada, depois de algum tempo ficamos chateados, porque sentimos que não era para tanto. Mas aí já foi.
Quando percebemos que algo mexe demais conosco, o melhor que fazemos, para o nosso crescimento, é procurar entender o motivo de tanta comoção, de uma reação tão exagerada, se tivermos a intenção de crescermos, de nos tornarmos melhores para nós mesmos e para os outros e nos libertarmos de algo que está nos dominando sem percebermos e nos desgastando demais. É possível que sozinhos não consigamos ir muito longe, porque somos limitados pelas nossas próprias defesas, mas com a ajuda de alguém que confiamos, um profissional, um diretor espiritual com maturidade e sabedoria, consigamos, sim, nos entender melhor e crescermos, tornando-nos mais livres de nossos próprios condicionamentos e vivendo com uma alegria mais genuína. Se nos libertarmos da obrigação de parecermos perfeitos para os outros, já é um grande passo porque, assim podemos investir no nosso crescimento, aceitando que sempre teremos algumas ou muitas limitações, mas isto não nos faz menos importantes e amados, porque somos muito mais que uma série de padrões e/ou expectativas, não dos outros, mas que nós mesmos podemos ter criado,achando que se não formos assim não seremos respeitados ou amados,conforme a carência de cada um.
Não tem como sermos perfeitos. Só podemos nos tornarmos mais humanos. Ser perfeito como o pai do céu é perfeito é uma busca sem fim. Sejamos pacientes e alegres nesse aperfeiçoamento que acontece a cada dia. Quem por primeiro precisa aceitar as nossas limitações somos nós mesmos porém, para isso, precisamos conseguir vê-las.

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ACHAR O CULPADO…

Quando acontece um acidente, desastre, mais importante que achar o culpado é entender o processo que levou a tal desfecho. Só assim se pode trabalhar no sentido de se evitar outros desastres semelhantes, mudando-se toda a dinâmica de trabalho preventivo e instrumentos que evitem a continuidade de ocorrências que venham a provocar, novamente, sofrimentos que poderiam ser evitados. Só saber quem é o culpado, apesar de também ser importante, não protege ninguém de novas ocorrências.

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Humildade

Dando continuidade ao comentário sobre a Divina Comédia, de Dante, após tratar sobre o orgulho, Karin Jironet discorre sobre a humildade de uma forma bela e profunda. A seguir vou expor tal reflexão, conforme sua leitura.

“Que venha a nós, que venha a nós a paz do Vosso Reino;
Se ela não vier, não temos nenhum poder nosso
Para ir a ela, apesar de todas as nossas sutilezas”.

As pessoas orgulhosas são redimidas ao reconhecer que a paz interior não pode ser alcançada meramente por meio de sua própria iniciativa e força de vontade. Elas admitem que não podem controlar seus diferentes estados ou o alcance da influência deles, e que precisam depender de algo maior do que elas mesmas. Esse reconhecimento promove uma forma de humildade que é vivenciada como alívio: ser humano não encerra nenhuma humilhação.
A humildade, ao contrário do orgulho, é a capacidade de perceber e sentir que o outro é tão importante, valioso e belo quanto você. É reconhecer o valor de outra raça ou das realizações de outra pessoa, sejam elas completamente diferentes das suas ou estejam concorrendo com as suas.
A humildade é mais do que a mera percepção da justiça de opinião ou da igualdade. Dorothy L. Sayers constata que, para que possamos compreender essa cintilante qualidade especial de humildade tão negligenciada na sociedade atual, é importante observar o efeito de Beatriz em Dante. Beatriz, que foi a menina por quem Dante se encantou, quando tinha por volta de 9 anos, aparece agora como apoio em sua jornada na travessia pelo purgatório. Beatriz induz Dante a submissão voluntária, porque ele confia nela…. Ele enxerga em seu ser luminoso um guia para a autorrealização de sua alma. A HUMILDADE É A QUALIDADE DA CAPITULAÇÃO GRACIOSA. Ela é paz, doçura, suavidade, encanto, pausa do coração, serenidade. Quando passou na prova final do orgulho, Dante perguntou a Virgílio:
“Mestre, que fardo pesado foi
Retirado de mim, já que ando com facilidade,
E mal sinto fadiga no caminho?”

A partir do momento em que superamos o orgulho, nossos passos ficam mais leves e subimos a montanha sem esforço.Com o orgulho perdoado, é mais fácil conquistar o resto. Dante enfatiza a liberdade e a leveza que sente quando o P do Pecado do orgulho é apagado. A intuição e a imaginação de Dante podem ser confirmados pela psicologia, que por sua vez examina mais profundamente as suas origens e causas, e sugere métodos para aliviar a pessoa desse fardo, tornando a existência mais leve.
(Karin Jironet. Liderança feminina. Paulus, 2012. pp 53-54).

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