Surpresas da convivência

Toda pessoa que conhecemos e, principalmente, toda pessoa com a qual convivemos é menos do que imaginamos e esperamos e também é mais. Assim como nós somos menos qualidades e defeitos do que as pessoas pensam sobre nós e mais, porque algumas qualidades elas nem imaginam, assim como alguns defeitos. Mas nós os temos. Fazer o quê?
É por isso que surpreendemos quem está perto de nós todos os dias. Às vezes boas surpresas, com manifestações e ações. E, às vezes, surpresas desagradáveis. E, assim, vamos sendo atualizados aos olhos dos demais e vamos atualizando nossas imagens e imaginação sobre quem nos cerca.
A dinâmica dos relacionamentos vai sendo tecida assim. É isso que sacode, tira do marasmo, desacomoda e faz com que todos os dias possamos ter novidades.
Não temos que ficar chateados por só descobrir algumas nuances de alguém depois de muito tempo conviendo. Não temos mesmo capacidade de conhecer tudo. Se não conhecemos nem a nós mesmos de modo perfeito, e olha que convivemos conosco desde quando fomos gerados, como vamos conhecer completamente uma outra pessoa?
Assim como a outra pessoa é capaz de às vezes apontar para nós coisas que não tínhamos percebido em nosso modo de ser, nós também podemos ajudá-la a ir se conhecendo melhor. Havendo uma abertura para essa ajuda, vamos até os fins de nossos dias nos descobrindo e descobrindo as pessoas que amamos. As surpresas vão nos enriquecendo e nos tornando melhores.

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SAUDADE

A saudade é um sinal de que nossa emoção está sadia e que não temos um coração de pedra. Mas se ficarmos só parados na saudade podemos estar fechando o coração para novas boas emoções e revitalização da nossa alma. Fazer moradia na saudade é só olhar para trás e se impedir de sentir o que continua acontecendo, com pessoas, fatos, coisas. Estagnar na saudade por muito tempo é renunciar a sentir o processo de renovação contínua que é a vida. É valorizar só aquilo que a vida já nos levou e deixar de receber o que ela continua nos oferecendo.
Sentir saudades, mas também sentir o presente.
Bom sentir saudades que nos recordam nossas histórias. Bom sentir o presente que nos mostra que continuamos vivendo. Bom imaginar o futuro, que nos motiva a vivermos bem agora para também vivermos bem amanhã.

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O totalmente certo e o totalmente errado. Será?

Esta é uma preocupação constante diante dos acontecimentos cotidianos, principalmente diante daqueles acontecimentos que nos atingem diretamente.
Temos um treinamento para ver o bom e o mau, ou o bem e o mal separados um do outro. Assim, o bem só pode estar de um lado. O bom só pode estar de um lado. E, normalmente, pela nossa avaliação, é do nosso lado. O mau ou o mal pertence ao outro, naqueles acontecimentos que nos atingem, já que é muito difícil percebermos que, apesar de sermos muito bem intencionados e cheios de razão, conforme nossa própria avaliação, também podemos errar, fazer o mal.
Quase sempre é complicado entendermos que também podemos errar e, mesmo não percebendo, causarmos prejuízos a nós mesmos e a quem convive conosco. Aceitarmos que mesmo por trás das melhores intenções podemos causar um estrago na vida dos outros. Até em nome de Deus e da justiça podemos cometar as maiores barbaridades e injustiças. Mas não só somos capazes de tudo isso como estamos constantemente nos perdendo nestas coisas. Temos muito medo de não sermos vistos como perfeitos, porque nós mesmos temos dificuldades em aceitar quem não consideramos perfeitos. Para nos livrarmos desse incômodo, podemos estar o tempo todo querendo provar que somos bons, somos limpos, não temos culpa….. Medo de não sermos aceitos caso achem que não estamos do lado certo.
É bom a gente considerar que o outro não precisa ser ruim para que eu seja considerado bom. Eu não preciso me esforçar o tempo todo para provar que sou o melhor ou para que o outro não veja nenhum defeito em mim para assim ser aceito. Tempo perdido. Quanto mais me esforço para mostrar que sou bom ou que só faço o bem, mais corro o risco de aparecerem minhas falhas que eu mesmo não quero ver. Se eu consigo aceitar a mim mesmo, apesar dos defeitos e dos passos que ainda preciso dar no meu aperfeiçoamento, que é contínuo, também me abro para aceitar o outro, mesmo com suas imperfeições, porque ele também tem coisas boas. Assim, a gente vai se liberando daquela imagem intocável que se quer mostrar, mas que na realidade só nos maltrata e impede de viver de forma mais alegre, mais descontraída, mais verdadeira.
Quem tem culpa, quem é mais limpo, quem é pior…? Ninguém e todos. Nós também.
Mais importante que apontar o dedo é procurar formas de nos libertarmos do que nos tira a vida. Vida tão preciosa e que quando menos notarmos já foi. E pode ter sido jogada fora por um monte de bobeiras.
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A PIPA E A FLOR

 

Essa é uma estória contada por Ruben Alves, que narrarei a seguir, não exatamente como ele escreveu, mas mantendo o espírito da narrativa.

Todos sabemos que para subir, a pipa precisa de um apoio na terra. Foi assim que uma pipa ganhou as alturas do céu, segurada por um menino. Lá de cima ela admirava as coisas e se sentira feliz pela oportunidade. Até que um dia, lá do alto a pipa avistou uma bela flor e se encantou por ela. Deu um jeito de se desvencilhar das mãos do menino e se enroscou na flor e as duas se enamoraram.
Todos os dias a pipa, tendo a segurança da flor que a segurava, subia e admirava as paisagens com todas as novidades que aconteciam. Depois descia e compartilhava com a flor todas as suas alegrias.
Por um tempo isto funcionou bem.Mas a flor começou a ficar com inveja da pipa com ciúmes. Começou a não suportar mais que a pipa pudesse ver coisas que ela não via. E,pior ainda, alegrar-se com isso.” Diante disso o que a flor começou a fazer? Cada dia ela começou a encurtar mais a linha e a pipa ia tendo que voar mais baixo, ao ponto de um dia a pipa mal podia sair do chão, ficando ali em volta da flor, não podendo ver mais nada além dela. Não via mais nada e até os assuntos alegres, o compartilhar as coisas, o falar de fatos e belezas que a flor não podia ver mas a pipa sim e por isso trazia alegria para as duas…. Tudo foi ficando muito sem graça. A vivacidade da pipa, a beleza das suas histórias, a alegria de todos os dias sair para sua jornada foram como que murchando. A pipa foi entrando em depressão. E a flor, fechada em seu egoísmo segurava a pipa só para si, achando que isso era amor.
Neste ponto pode-se vislumbrar três saídas para essa convivência:
1. A pipa se resigna a deixar de viver conforme sua natureza e se contenta em ficar o resto da vida em volta da flor, mesmo que não sinta mais nenhuma satisfação em viver e nem vontade de conversar com a flor tenham mais. Até porque não tem mais nada para compartilhar. As duas terminam seus dias assim, nessa vida sem nenhuma graça;
2. A flor solta novamente a linha para a pipa voltar a ter alegria com a vida e ser novamente aquela companhia tão agradável;
3. A pipa dá um jeito de se desenrolar dessa flor e, pelo amor que tem a si mesma e pelo gosto de viver, acha um outro apoio para si e recupera sua vivacidade.

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Relacionamentos e Desilusões

É muito comum ouvirmos a afirmação “fui enganado”, referindo-se a outra pessoa, com a qual houve um envolvimento.
No fundo não se foi engando pela outra pessoa. O engano foi criado pelas próprias expectativas sobre o outro e seu comportamento.
O outro, percebendo nossas expectativas, por um certo período, para não nos perder, ou nos conquistar, procura se moldar ao que lhe parece nos agradar. E nós, também fazemos a mesma coisa. Mas como é algo que não faz parte da pessoa, com o passar do tempo há um descuido em alimentar aquilo que parecia ser normal. Isto dos dois lados. Um percebe o que frustra no outro, mas não percebe o que causa frustração. Com isso começam as cobranças, críticas, manifestações de descontentamento…. Queremos transformar o outro para se adequar às nossas necessidades ao mesmo tempo que resistimos a nos deixar domesticar. Claro que vão surgir atritos, e palavras duras que magoam.
Ao sairmos da ilusão de como seria a convivência com a outra pessoa que por sua vez também nos mostra muitos de nossos defeitos que não queremos ver, temos a opção de juntos, com a boa vontade das duas partes, irmos acertando as arestas, aceitando que somos diferentes e que não precisamos ser iguais para convivermos e nos ajudarmos. E nem sermos donos das decisões da outra pessoa. Aprendendo a olhar para nós mesmos e aceitando que temos fraquezas, erramos, somos chatos em muitas situações, temos manias….podemos começar a sermos mais complacentes com os defeitos do outro que convive conosco. E aí, mesmo não sendo um paraíso, podemos viver felizes, porque nos aceitamos mutuamente, não precisando ser outra pessoa e crescemos juntos.
Não havendo essa disposição, ou capacidade para aceitar e respeitar as diferenças, sem quer, talvez não sobre outra alternativa a não ser reconhecer que há imaturidade ou incapacidade para a convivência e cada um tomar o seu rumo, antes de tornar a vida um do outro um inferno.
Normalmente, na convivência, não foi o outro que nos enganou. Fomos nós que nos enganamos não querendo ver o que estava à mostra mas que não era agradável. Pensávamos que aquilo não atrapalharia. Superestimamos nossa capacidade de aceitação do diferente….

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Sonhos que ajudam a construir a vida

Sonhar, imaginar coisas boas para os filhos, para os alunos; perceber neles habilidades que podem ser desenvolvidas; ajudá-los a perceber que podem ter um bom futuro e que são importantes; ajudá-los a perceber que se espera coisas boas deles, pode fazer uma grande diferença, pois estas imagens positivas podem ativar nessas crianças a percepção das próprias potencialidades e levá-las a investir para desenvolvê-las.
Uma criança que vai se desenvolvendo sem que ninguém espere nada dela ou espere o pior, pode ter muita dificuldade para ser alguma coisa boa e perceber que tem qualidades que podem ser desenvolvidas.
O professor que olha para uma criança e vislumbra um bom futuro para ela a está ajudando mais, talvez, que simplesmente ensiná-la a reconhecer as letras e formar palavras.
Um pai, uma mãe que olha para o filho com admiração e vislumbra nele uma pessoa importante, está fazendo um bem enorme a esse filho.
Não deixe de sonhar sonhos bons para os seus. Eles podem não ser exatamente aquilo que você sonha, mas isto pode ajudá-los a sentirem que têm condições de desenvolverem os seus talentos e serem felizes.

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CIÚME: SENTIMENTO QUE MACHUCA

Este é um sentimento meio confuso. Não é muito fácil a pessoa ciumenta aceitar ser ciumenta. E algumas, para demonstrar desprendimento, mesmo sentindo ciúmes, não demonstra claramente, mas por subterfúgios, com sutilezas bem arquitetadas.
Culturalmente o ciúme é tido, em muitas situações, como zelo, proteção, cuidado para que a outra parte não se machuque. E um “ciuminho” normalmente é tolerado sem maiores problemas.
Mas como a manifestação desse sentimento começa ser exagerada,o que acontece é sofrimento. Sofrimento tanto de quem tem o ciúme como de quem é alvo dele. É muito difícil suportar um controle que se mostra exagerado, um não permitir que se respire com tranquilidade sem que o outra parte queira saber o motivo, porque, quando…..E as mágoas começam a acontecer e a crescer correndo o risco de se matar o amor que se quer preservar ou guardar para si como uma posse.
Jean-Yves Leloup, no livro O Evangelho de Maria (Vozes), faz um comentário sobre o ciúme que achei muito pertinente.
“…O anel no dedo é o símbolo de uma aliança, nunca de uma dependência.
Ora, só pode haver aliança entre duas liberdades que, por sua vida comum, terão que se conduzir um e outro em direção à sua autonomia, maturidade e independência – o que supõe, evidentemente, estarem livres desse clima que envenena as relações humanas: o “ciúme mortal”.
Este ciúme é o contrário da confiança mútua. E onde entre dois seres não há confiança, não são somente o ciúme e a cólera que se instalam, é a morte (“pelo ciúme do diabo, a morte entra no mundo”, Sab 2,24).
O ciúme é “homicida” no sentido de que ele é incapaz de respeito e de reconhecimento pelo que há de Humano, de inalienável no outro.
O ciúme reduz o outro a ser apenas matéria e nos reduz a sermos somente esta matéria em erupção cujas lavas deixam atrás de si apenas tristezas e cinzas”.
Então, quando começamos a ficar tomados pelo ciúme, é bom não perguntar ao outro, mas a nós mesmos sobre o que está acontecendo conosco, com a nossa confiança em nós e na pessoa que fez a opção de ser nossa parceira. Por que essa baixa autoestima que nos traz tanta insegurança a ponto de querer controlar todos os passos e olhares do outro? Com o medo de perder, corre-se o risco de acabar por realmente provocar a perda, de cansar, de o outro querer se livrar desse peso que asfixia.
“O ciúme é o medo de não se ver mais refletido no olhar do outro”. Mas se isto acontecer, não estamos mais unidos e o outro não é minha posse. Nós não gostamos de perder, mas se já perdemos, até por consideração à outra pessoa e também pela nossa saúde e dela, temos que deixá-la ir, caso ela queira. Se ela não for, é porque se sente unida, apesar de nossas inseguranças e medos que são infundados. Querer demais segurar e controlar pode justamente empurrar para longe de nós quem queremos sempre perto.
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