Olhar para o passado

Olhar para o passado é bom enquanto ajudar a compreendermos melhor nossa realidade atual e ampliar o discernimento para as decisões que respondem às nossas necessidades do presente e afetarão nosso futuro. Olhar para o passado só para ficar estagnado nele é paralisar nossa vida e perder o sabor da sua dinâmica.

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Os vícios: cavalgando a roda de Íxion

Íxion faz parte da mitologia grega. Atreveu-se a tentar seduzir Hera e teve como castigo de Zeus ficar preso a uma roda que girava sem parar, no Hades. Só a música de Orfeu era capaz de parar a roda, mas só por uns instantes.
A situação de Íxion é familiar. Um pensamento obsessivo seguido de um ato compulsivo nos faz ficar presos girando no que é velho. Que fumante não se recrimina após repetidos fracassos ao tentar parar de fumar? Qual a pessoa que bebe que não bebe para mitigar a culpa do drinque anterior? Qual a pessoa que come compulsivamente que não estremece diante da gordura que cada vez mais se acumula? Quem não se sente encurralado na roda de ferro dos pensamentos e comportamentos autoderrotistas, mesmo os mais adeptos do autocontrole ou da realização social?
Em vez de ver o alcoólatra como um perdedor, como uma pessoa sem força, de vontade, muitos o viram como extremamente envolvido com a necessidade de controlar o senso do eu. Gregory Bateson sugeriu que a pessoa que bebe compulsivamente acredita ser capaz de invocar os espíritos e controlá-los. Enquanto não se dobrar e aceitar que impotente diante do álcool,e que sempre será vencido; enquanto não tiver uma humildade sincera de que é impotente e quiser testar de novo, não vai sair dessa roda. Querer controlar o incontrolável é abrir caminho para o próprio nocaute. Querer testar é sucumbir.
Jung salientou para os fundadores do A.A. que “o anseio pelo álcool (é) equivalente, em um nível mais baixo, da sede espiritual que o nosso ser sente da totalidade”, Uma tentativa implícita de se conectar a um poder superior. A psicologia de qualquer droga, inclusive o álcool, que altere a disposição de ânimo, oferece uma breve promessa dessa conexão e depois a leva embora, sobrando a prostração, a tristeza, o vazio…Aí a pessoa precisa continuar para anestesiar essa nova dor, e assim o processo continua.
Somente através da submissão da fantasia do controle, ou sofrendo desse modo não apenas a perda da dominação do ego, como também a dor da dor, podemos nos libertar da roda de Íxion. Isso se assemelha à experiência de submeter nossa vontade aos poderes divinos – “não a minha vontade, e sim a Tua”.
Na sequência, Hollis cita Marion Woodman num trecho que trata sobre esse assunto: “Atrás das máscaras dessas vidas bem-sucedidas, assoma a desilusão e o terror. Um fator comum aparece repetidamente. Conscientemente, os indivíduos estão sendo levados a ter um desempenho cada vez melhor dentro da rígida estrutura que criaram para si mesmos; inconscientemente, eles não conseguem controlar seu comportamento. Existem inúmeras razões individuais e coletivas para a explosão do caos tão logo a rotina diária é concluída. A força de vontade só pode durar esse período de tempo. Se essa força de vontade tiver sido mantida à custa de tudo o mais na personalidade, então o nada é óbvio. Quando à noite é chegada a hora de voltar para si mesmo, a máscara e o Ser interior não se comunicam…As compulsões estreitam a vida até que esta deixa de existir – existência, talvez, mas não vida.
…….
…nossos padrões de vício são defesas contra a angústia quer o saibamos ou não. Todos os vícios são, na verdade, técnicas de administrar a ansiedade. Quando o material psíquico ao qual tal afeto está apegado é ativado, nossa psique inicia sua defesa.
Á medida que a angústia aumenta, nós nos entregamos a algum comportamento repetitivo que nos permite “nos conectarmos”, fazendo com que a ansiedade recue temporariamente, para em seguida exigir a repetição….e a roda não para, a pessoa voltando sempre onde começou…
…………….
Não existem Infernos mais infernais do que os vícios, pois nada parece mais conclusivamente nossa culpa. …..Mas o que nos escraviza é uma ideia, ….ancorada no passado, sombria e não assimilada. Precisamos nos lembrar de que, quando essa ideia nos encurrala no passado, ela também nos constringe às limitação da infância. Essas ideias estreitam nossa vida; elas possuem uma origem e uma consequência reducionista, defesas contra a angústia que é a concomitância necessária do crescimento. Temos que romper esse ciclo do relacionamento infantil doentio, para podermos crescer, para nos tornarmos adultos, para sairmos da roda de Íxion.
Nossa aterrorizante tarefa é nos escondermos na obsessão, eliminar o vício, encontrar a ideia primordial e não assimilada tão profundamente enterrada. Depois, quando adultos, podermos ser capazes de suportar o insuportável, pensar no impensável, sofrer o insofrível, a fim de nos libertarmos.
………..Descer ao estado de ansiedade, sentir o que realmente sentimos, significa “atravessar” e romper a tirania das emoções intemporais que nos perseguem. Involuntariamente nós construímos o inferno e, reflexivamente, nós o servimos…..Somente a descida ao Hades é capaz de nos libertar do Hades.
(James Hollis. Os pantanais da alma: nova vida em lugares sombrios. São Paulo: Paulus, 3e. 2011, pp. 121-125 – praticamente uma transcrição do texto do autor, com algumas lacunas e uns poucos comentários pessoais embutidos)..

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Declaração Universal dos Direitos Humanos (10/12/1948)

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. (Art. 1)

Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Não será tampouco feita qualquer distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. ( Art. 2)

Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. ( Art. 3)

Ninguém será mantido em escravidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. (. Art. 4).
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. (Art.5)
Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei. ( Art 6).
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. (Art 7)
Toda pessoa tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. ( Art 8)
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado. (Art 9)
Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e DEVERES ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele. ( Art 10
$1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
$2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso. (Art 11)
Ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques. (Art 12)
$1. Toda pessoa tem direito de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
$2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar. (Art 13)
$1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
$2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas. ( Art 14)
$1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
$2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade. ( Art 15)
Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair patrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
$1. O casamento não será válido senão como o livre e pleno consentimento dos nubentes.
$2. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado. (Art 16)
$1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
$2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade. (Art 17)
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular. (Art 18)
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
(Art 19)
$1. Toda pessoa tem direito à liberdade e associação pacíficas.
#2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.(Art 20).
$1 Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país. direta ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
$2 Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
$3 A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.
(Art 21)
Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade. (Art 22)
$1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
$2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito à igual remuneração por igual trabalho.
$3. Toda pessoa que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
$4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para a proteção dos seus interesses.. (Art 23)
Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias periódicas remuneradas. (Art 24)
$1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
$2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social. (Art 25)
$1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
$2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
$3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. (Art 26)
$1. Toda pessoa tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
$2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.(Art 27)
Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados. (Art 28)
$1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
$2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas por lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem estar de uma sociedade democrática.
$3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas. (Art 29)
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição dos direitos e liberdades aqui estabelecidos. (Art 30)
Preservar os direitos e considerar os deveres….
Hoje concluí a divulgação dos 30 artigos da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. A cada dia publiquei 1 ou 2 artigos, com o objetivo de divulgar, fazer conhecido o que propõe esta carta, na tentativa de construir uma sociedade mais justa, que proteja as pessoas de violências e sofrimentos. tal declaração surgiu após um período obscuro da humanidade, de guerras, perseguições, arbitrariedades e veio de encontro a um desejo de uma vida mais humanizada, por parte dos países membros, para tentar evitar que tais atrocidades se repetissem….
Considero que quem fica verberando contra os “direitos humanos”, talvez não conheça esta carta e repete o que outros que não conhecem ou de má vontade falam, para por a culpa de muitas coisas erradas onde elas não estão. A causa de muitas desgraças está justamente na não efetivação dos direitos propostos por esta carta, não o contrário. Nos posicionarmos contra estas propostas é declarar que queremos voltar ainda mais a um estado de barbárie e tristezas que podem ser evitados. É bom procurar conhecer para não lutar contra aquilo que justamente procura nos proteger.. O mau entendimento, ou má vontade em entender porque prefere a desumanidade; a má aplicação dessas propostas é que deveria ser combatida, pois muitas vezes servem de desculpas para não se fazer o que deveria ser feito. Defender os Direitos Humanos não é uma defesa dos bandidos. É uma defesa de todos que querem uma sociedade mais humana, mais cristã no verdadeiro sentido do que é proposto por Jesus Cristo, conforme narrado nos evangelhos.
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ORGULHO

ORGULHO (Conforme Dante, em A DIVINA COMÉDIA).
“O orgulho ou soberba (Superbia) é o pecado situado na parte inferior da parte mais baixa do Purgatório. A descrição diz: “amar ao eu desvirtuado como ódio e desprezo pelo próximo”. O orgulho é o primeiro dos sete pecados capitais, sendo considerado a origem de todos os pecados.É o desejo de ser mais importante , de estar acima de todo mundo, além de ser o desejo individual o desejo individual de estar no controle da própria vida e de dominar a vida de outros. Em sua perspectiva mais ampla, o orgulho é interpretado como promovendo todos os outros pecados subsequentes, porque tenciona tenciona igualar o homem a Deus. Quando o orgulho atua em uma pessoa, ela é levada a buscar uma posição central a todo custo. Isto pode parecer egoismo, vaidade e egocentrismo, mas no fundo representa uma personalidade em constante competição com tudo e todos. O orgulhoso não tem descanso de seu impulso de brilhar, provar o que sua voz interior incessantemente repete: você é o máximo….
….
O orgulhoso não tolera ser contrariado, e o que ele mais teme é a humilhação.Ficar desacreditado na presença de outros, qualquer indício de vulnerabilidade ou a menor indicação de ficar para trás, ser ultrapassado, qualquer coisa pequena, alimenta a fúria e está sempre vivo e intenso, noite e dia, nos orgulhosos. Humilhar uma pessoa orgulhosa é um risco genuíno. Por conseguinte, é interessante que seja a humildade a virtude que pode libertar a pessoa do domínio do orgulho. No entanto, no purgatório de Dante,é o encontro ou a confrontação com o pecado que libera.” (Karin Jironet. Liderança feminina. São Paulo: Paulus, 2010, p. 52.)

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INVEJA

Por ser um sentimento muito negativo, dificilmente alguém se dispõe a aceitar que tem inveja. Karin Jironet faz algumas considerações importantes sobre este sentimento. A seguir transcreverei uma parte do seu comentário.
“A inveja (Invidia), na definição de Dante, é o amor pelo próprio bem desvirtuado no desejo de privar outros homens do bem deles”. Dante os encontra no segundo nível do Purgatório….
Há dois tipos de invejosos: aqueles que se ressentem da felicidade das outras pessoas, e aqueles que sentem mais prazer com a perda dos outros do que com seu próprio ganho. Devido à sua carência, os invejosos se levam muito a sério e não avaliam a comparação nas proporções adequadas. Caim, que matou o irmão Abel porque a oferta de Abel foi aceita por Deus , enquanto a sua não foi, está entre os invejosos lamuriantes.
A inveja está radicada no medo. Enquanto os orgulhosos são autossuficientes e rejeitam as outras pessoas, incapaz de enxergar qualquer pessoa como igual ou superior a eles, os invejosos têm medo de perder alguma coisa se reconhecerem que alguém tem mais do que eles. Por isso, reagem com medo e ódio quando são confrontados com a boa sorte, o sucesso ou talentos de outra pessoa, e tentam automaticamente privá-la da sua felicidade. Não conseguem suportar ver a felicidade ou sucesso dos outros e não conseguem, também, fazer uma avaliação objetiva sobre o bem nas outras pessoas.
…O medo é a base da inveja, particularmente o medo de qualquer forma de doar – como tolerar que os outros tenham suas posses e outorgar o sucesso a outra pessoa. Por conseguinte, sentem um enorme medo da generosidade. Esta parece ameaçar todo o seu modo de vida. Então, o antídoto para a inveja é a generosidade. “Bem-aventurados são os misericordiosos” é a bênção para o invejoso se libertar desse sentimento que o escraviza. O efeito da compaixão,o oposto exato da inveja, sobre os invejosos é que ela pouco a pouco abre os olhos deles para o valor da generosidade e da solidariedade.
…O invejoso começa a estar “curado” quando sente que investe mais no próprio crescimento e aperfeiçoamento do que procurando desfazer e destruir o outro, desmerecendo toa a conquista que ele tem e procurando atrapalha a sua vida. Quando deixa de sentir mais alegria com o fracasso do outro do que com seu próprio sucesso.
(Karin Jironet. Liderança feminina: gestão, psicologia junguiana,espiritualidade e jornada global através do purgatório. São Paulo: Paulus, 2010. p. 73-74).
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A mansidão faz bem

“Felizes os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5,4). Com essas palavras das bem-aventuranças, o Papa Francisco, em sua exortação apostólica Gaudete et Exultate, apresenta mais um traço da personalidade de Jesus. Revela um aspecto de seu ser. Ele é Deus, mas tem que lidar com os homens. Como homem tem seu caminho muito claro: a mansidão. No momento de sua prisão, no Jardim das Oliveiras, diz a Pedro que, se pedisse, o Pai lhe mandava dez legiões de Anjos para defendê-Lo. Seriam 60.000 soldados (Mt 26,53). A única reação foi reclamar de Judas: “É com um beijo que trais o Filho do Homem?” (Lc 22,48). O Papa lembra que o mundo é o reino da agressividade nas mais diversas formas. A violência domina o mundo desde o assassinato de Abel. O próprio Jesus foi vítima da violência. “Embora pareça impossível, Jesus propõe outro estilo: a mansidão”. Em sua entrada em Jerusalém, retoma a profecia de Zacarias 9,9 que anuncia: “Aí vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho» (Mt 21,5;Zc 9,9). O futuro Messias vem a seu templo na mansidão. E ensinava aos discípulos: “Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito” (Mt 11,29). O sinal claro de sua mansidão era a proximidade do povo. Ele mesmo diz de Si: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração e; encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11,28-30).

“Se vivermos tensos, arrogantes diante dos outros, acabamos cansados e exaustos. Mas, quando olhamos os seus limites e defeitos com ternura e mansidão, sem nos sentirmos superiores, podemos dar-lhes uma mão e evitamos gastar energias em lamentações inúteis. Para Santa Teresinha, ‘a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, e não se escandalizar com as suas fraquezas”’(GE 72). Paulo e Pedro, em suas cartas, ensinam a necessidade e a força da mansidão. Isso deve se demonstrar nas atitudes cotidianas, como na correção dos irmãos, na defesa da fé, no confronto com os adversários. É impressionante o número de pessoas que deixaram a Igreja ou se desiludiram por causa do modo como foram tratados. O confessionário é ainda um terror, pois as pessoas tinham medo de serem maltratadas. Sto. Afonso dizia que o pregador deve ser um leão no púlpito e um cordeiro no confessionário. Corrigir o pecado não é tratar mal a pessoa. Até os animais respondem melhor diante da mansidão. Jesus se declara servidor e manso cordeiro que vai ao encontro da morte rezando por seus perseguidores (Mt 5,44).

Como o mundo depende de quem manda, quem é manso tem um trânsito muito maior no mundo do que quem, na violência, quer tomar o poder. A mansidão realiza um tipo de poder que não interfere no poder, mas tem poder de mudar sem ferir, pressionar, forçar e ofender. “Porque os mansos, independentemente do que possam sugerir as circunstâncias, esperam no Senhor, e aqueles que esperam no Senhor possuirão a terra e gozarão de imensa paz (Sl 37/36,9.11). Ao mesmo tempo, o Senhor confia neles: “é nos humildes de coração contrito que os meus olhos se fixam, pois escutam a minha palavra com respeito” (Is 66,2) (GE74). O acolhimento dos mansos por parte dos pobres, tira-os do desencanto e do desânimo que a vida pode trazer. Formam o corpo do povo reunido. O Papa Francisco conclui: “Reagir com humilde mansidão: isto é santidade”. (Pe Luz Carlos de Oliveira – missionário redentorista).

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Prepotência suicida

Um grupo de alpinistas já com alguma experiência em subir pequenas montanhas, resolveu se aventurar em um projeto mais ousado, mais arriscado. Para os preparativos e combinar a rota, as paradas, marcaram uma reunião. No dia combinado estavam todos lá e um outro alpinista mais experiente mas que não iria com eles. Tal alpinista quis dar algumas orientações, compartilhar o conhecimento, para evitar que estes “novatos” corressem algum risco maior. Só que quando ele começou a expor os seus conhecimentos, baseados na própria experiência e de outros que já havia feito tal percurso, não encontrou receptividade. O pessoal que estava ali já tinha ideia formada sobre como faria e não queria ouvir nada de diferente, ainda mais de alguém que nem fazia parto do grupo. Falaram para ele: você fica com suas ideias e nós com as nossas, e pronto. Não temos que ouvir você”. Diante disso ele não pode colaborar, porque não havia disposição para entendê-lo e nem ouvi-lo. Apesar de ele conhecer a montanha de outras perspectivas, outros pontos, altitudes maiores, que davam a ele uma autoridade maior sobre o assunto, não foi ouvido. A prepotência daquele grupo que,mesmo sabendo muito pouco, já se achava como sendo formado dos maiores entendedores, não permitiu que eles recebessem nenhuma nova informação mais completa e muito útil para o que iriam fazer.
O alpinista mais velho e mais experiente pediu desculpas, já que eles realmente não estavam interessados na visão dele. Falou que se, mesmo assim, quisessem trocar alguma ideia antes de se lançarem a caminho, estaria à disposição. Foi embora meio chateado e triste, porque sabia que eles correriam grandes riscos e poderiam até sofrer acidentes graves. Mas, fazer o quê. Só é possível ajudar quem reconhece que precisa de ajuda e aceita a ajuda. Caso contrário, nada feito.
Depois de alguns dias chegou a notícia de que um grupo de alpinistas tinha feito um caminho não recomendado para escalar a dita montanha e, acabou por sofrer um acidente gravíssimo, sendo que dos cinco (5) que faziam parte do grupo, só um (1), escapou com vida. Foram vítimas da própria ignorância e fechamento às informações que poderiam lhes fazer refletir e mudar a rota, salvando a própria vida.

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